A primeira imagem de ‘Wandinha 3’ mostra Jenna Ortega em Paris. Analisamos como o contraste com a Cidade do Amor impulsiona a trama, por que a saída de Nevermore expande o universo dos outcasts e o que o casting de Eva Green significa para o futuro da série.
Wandinha Addams na Cidade do Amor. A justaposição é brutal, e funciona exatamente por isso. A primeira imagem oficial de Wandinha 3 mostra Jenna Ortega vestida de preto, ao lado de Thing e de uma motocicleta igualmente negra, com a Torre Eiffel ao fundo. A legenda da Netflix não deixa margem para dúvidas sobre o tom: ‘De Paris, com pavor’. Se nos dois primeiros anos a série provou que sabe equilibrar o macabro com o adolescente, a mudança de continente é o próximo passo lógico — e arriscado — para evitar que a fórmula apodreça (no sentido ruim da palavra).
A escolha de Paris não é um mero cartão-postal para engordar o orçamento de produção. É uma afronta calculada à essência da protagonista. Wandinha é uma figura que trata afeto como doença contagiosa, e jogá-la no epicentro mundial do romantismo açucarado cria um atrito narrativo potente. Mais do que isso, a saída de Nevermore é a admissão de que a academia de outcasts já era um cenário esgotado para as ambições da trama.
Paris e o pesadelo gótico: por que a Cidade do Amor é o cenário perfeito
Existe uma diferença entre usar a ironia como piada rápida e usá-la como motor de história. A imagem de Wandinha em Paris faz o segundo. A torre de ferro forjado, símbolo máximo de um país obcecado por paixão e luz, é o contraponto ideal para a garota que prefere arsenicato a chocolates. O visual da motocicleta empresta um ar de faroeste espacial a um cenário europeu clássico. Ela não está lá para turismo. O final da segunda temporada deixou claro: ela partiu com o Tio Fester para encontrar Enid Sinclair, sua lobisomel inseparável, e desvendar o sequestro da tia Ophelia Frump. Se a missão é resgatar alguém de um cativeiro familiar sombrio, que melhor lugar do que uma cidade que esconde catacumbas reais debaixo de suas calçadas românticas?
De Nevermore para o mundo: a expansão da lore dos outcasts
Manter a terceira temporada confinada em Nevermore Academy seria um erro estratégico. A série já havia esgotado a dinâmica de ‘alunos sobrenaturais com segredos’ que sustenta o gênero teen. O grande trunfo de Wandinha 3 ao cruzar o Atlântico é expandir a lore que o próprio show esboçou. Lembra da Academia Reichenbach, na Suíça, mencionada na temporada anterior? É para lá que Xavier Thorpe foi transferido, e foi lá que Gomez Addams passou um verão como estudante de intercâmbio. A existência de Reichenbach provava que Nevermore não era única no mundo dos outcasts. A ida para Paris praticamente garante que vamos conhecer a versão francesa dessa instituição. Isso transforma a série de um drama isolado num verdadeiro universo subterrâneo, onde a política e as tradições dos marginalizados atravessam fronteiras.
A moto, Thing e a verdadeira missão além de Jericho
Os detalhes da imagem contam uma história que a sinopse oficial ainda esconde. A presa da motocicleta indica velocidade e autonomia — Wandinha não está esperando o trem da noite, ela está caçando. Thing ao lado reforça que estamos na fase ‘road trip macabra’, um formato que alivia o peso do elenco disperso. Afinal, a série precisa lidar com as tramas paralelas deixadas nos EUA: Tyler Galpin sendo recrutado por Isadora Capri para liderar uma alcateia de hydes, além das pendências de Bianca Barclay e do resto da família Addams. A divisão geográfica permite que a narrativa respire. Enquanto Jericho fermenta o terror local com os hydes, Paris pode focar no mistério gótico das Frump e na busca por Enid.
Eva Green e o cativeiro: o que esperar da família Frump
Falar de Paris e sombras sem citar Eva Green seria uma aula de cinema perdida. A escalação da atriz francesa como a tia Ophelia — revelada viva e mantida em cativeiro no porão da Avó Hester (Joanna Lumley) — é um acerto de casting que fecha um círculo perfeito. Green carrega no currículo o DNA do terror gótico contemporâneo — basta lembrar de Vanessa Ives em ‘Penny Dreadful’, onde ela já vagava pelas sombras de uma Paris vitoriana. A dinâmica entre o cativeiro físico de Ophelia e a prisão emocional que é Paris para Wandinha cria um paralelismo que a série certamente vai explorar. Curiosamente, embora a história se passe na França, as gravações começaram em Dublin em fevereiro, o que sugere que a Netflix está usando a capital irlandesa como stand-in para os cenários europeus — e que, felizmente, não teremos uma espera de três anos entre temporadas.
A mudança para Paris é a prova de que a série entendeu sua própria evolução. Wandinha cresceu, e o mundo dela precisava crescer junto. A Cidade do Amor nunca pareceu tão ameaçadora. E se você torcia para que a terceira temporada abandonasse o formato de colégio interno, essa imagem é a melhor notícia possível. Resta saber: você prefere o terror confinado de Vermont ou o pavor cosmopolita europeu?
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Perguntas Frequentes sobre Wandinha 3
Onde a 3ª temporada de Wandinha vai se passar?
A nova temporada terá cenários divididos: parte da trama continua em Jericho, nos EUA, com Tyler e os hydes, enquanto Wandinha viaja para Paris, na França, em busca de Enid e da tia Ophelia.
Por que Wandinha vai para Paris em Wandinha 3?
Wandinha viaja para a França com o Tio Fester em uma missão de resgate. O objetivo é encontrar Enid Sinclair, sua melhor amiga lobisomel, e desvendar o sequestro da tia Ophelia Frump, mantida em cativeiro pela Avó Hester.
Quem interpreta a tia Ophelia em Wandinha 3?
A tia Ophelia Frump é interpretada pela atriz francesa Eva Green, conhecida por papéis góticos marcantes como Vanessa Ives em ‘Penny Dreadful’ e Vesper Lynd em ‘007 – Cassino Royale’.
Quando estreia Wandinha 3 na Netflix?
A Netflix ainda não divulgou a data de estreia exata. No entanto, as gravações começaram em Dublin em fevereiro de 2025, o que indica que a 3ª temporada deve chegar ao catálogo ainda em 2026.

