‘Star Trek’: Por que o novo anúncio de filme soa como mais do mesmo

Um novo filme Star Trek foi anunciado, mas após uma década de cancelamentos e projetos abortados, o ceticismo do fã é autodefesa. Analisamos o paralelo com o hiato pós-Enterprise e por que a promessa da Paramount soa como estratégia de PR, não cinema.

A Paramount Skydance subiu no palco do CinemaCon em Las Vegas e fez o que a Paramount faz melhor há uma década: prometer um Novo filme Star Trek. Se você é fã da franquia, a notícia não gerou empolgação; gerou um cansaço profundo. É o mesmo ciclo de anúncios vazios que ouvimos desde 2016. Dessa vez, a falta de detalhes é tão gritante que beira o desrespeito com uma audiência que já foi queimada vezes demais.

O fantasma de ‘Sem Fronteiras’ e uma década no limbo

O fantasma de 'Sem Fronteiras' e uma década no limbo

Faz exatamente dez anos que a franquia lançou um filme nos cinemas. O último foi ‘Star Trek: Sem Fronteiras’, dirigido por Justin Lin e produzido por J.J. Abrams e o agora CEO David Ellison. O filme até entrega uma aventura competente, mas foi um fracasso relativo de bilheteria se comparado aos acertos de 2009 e ‘Além da Escuridão – Star Trek’ (2013). O resultado? A USS Enterprise foi para o estaleiro e nunca mais saiu.

Desde então, o que tivemos foi um inferno de desenvolvimento. Diretores do calibre de S.J. Clarkson, Matt Shakman e até Quentin Tarantino foram anexados ao tal ‘Star Trek 4’. Todos saíram sob o mesmo eufemismo corporativo: ‘diferenças criativas’. Em novembro de 2025, o novo regime da Paramount Skydance finalmente deu o golpe de misericórdia, cancelando oficialmente o filme da turma do Chris Pine e Zachary Quinto. A promessa morreu, mas o hábito de prometer sobreviveu.

Um anúncio sem rosto e sem memória

O Novo filme Star Trek anunciado agora não tem diretor confirmado, não tem elenco e não tem sinopse. A Paramount nem sequer validou oficialmente o vazamento da Variety de novembro passado, que aponta os diretores de ‘Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves’, John Francis Daly e Jonathan Goldsman, desenvolvendo uma história que não teria absolutamente nenhum vínculo com os filmes anteriores ou séries de TV. É como se o estúdio quisesse apagar décadas de lore com um simples ‘reset’.

E a desconfiança é mais do que justificada. Em 2024, a Paramount subiu no mesmo palco do CinemaCon para anunciar com pompa um ‘Star Trek Origin’, a ser dirigido por Toby Haynes de ‘Black Mirror’. Um ano depois, o projeto foi jogado no lixo quando os Ellison assumiram o controle. Anunciar sem apresentar nada concreto é estratégia de relações públicas para manter o valor acionário do IP, não de cinema.

O espelhamento macabro com o hiato pós-‘Enterprise’

O espelhamento macabro com o hiato pós-'Enterprise'

A situação atual da franquia nas telas é tão confusa que nos obriga a olhar para o passado. E o paralelo histórico é assustador. Em 2005, ‘Jornada nas Estrelas: Enterprise’ foi cancelada, encerrando os 18 anos de gestão de Rick Berman. A franquia foi para a hibernação. Quatro anos de silêncio absoluto até J.J. Abrams resgatá-la nos cinemas em 2009, e a TV só voltou de fato 12 anos depois, com ‘Star Trek: Discovery’ em 2017.

O que estamos vivendo agora é uma repetição desse ermo. Na TV, o braço de Alex Kurtzman (que deve sair até o fim de 2026) está secando. Não há nenhuma nova série em produção ou sequer autorizada. ‘Star Trek: Strange New Worlds’ e ‘Starfleet Academy’ vão encerrar suas temporadas finais em 2027. Depois disso, o vácuo. O único ‘filme’ recente foi ‘Star Trek: Seção 31’ em janeiro de 2025, um desastre crítico e de público feito para o streaming que provou que a marca por si só não salva um produto ruim.

David Ellison, Simon Kinberg e o peso da fila de franquias

A nota positiva, se é que existe, é que David Ellison está no comando. Ele é fã da franquia, tem histórico como produtor executivo e entende o valor do IP para o estúdio. A Paramount Skydance prometeu janelas de 45 dias exclusivos para cinema e 90 dias para casa. Mas Star Trek é apenas uma das muitas franquias que o estúdio está tentando equilibrar junto com ‘Top Gun 3’, um novo ‘World War Z’ e mais ‘G.I. Joe’ e ‘Transformers’.

Sem uma visão clara — e com o status de Simon Kinberg, trazido em 2024 para supervisionar os filmes (o mesmo roteirista que inflou e depenou a franquia X-Men da Fox), ainda como uma incógnita —, a franquia continua órfã de propósito. O Novo filme Star Trek provavelmente servirá como o ‘renascimento’ pós-2027, assim como o filme de 2009 foi para o cancelamento de ‘Enterprise’. Mas muito antes que isso aconteça, a franquia precisa de um visionário, não de um gerente de marca.

No fim das contas, a Paramount pode anunciar o que quiser no CinemaCon. Pode listar nomas, prometer reinvenções e jurar que a franquia está em boas mãos. Mas depois de uma década de falsas partidas, diretores descartados e elencos esquecidos, o ceticismo não é pessimismo — é autodefesa. Eu vou acreditar que existe um novo filme de Star Trek quando estiver sentado na poltrona do cinema, com as luzes apagadas e o logotipo da Paramount aparecendo na tela. Até lá, é só mais um press release.

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Perguntas Frequentes sobre o Novo Filme Star Trek

Quando sai o novo filme Star Trek?

Não há data de lançamento. O filme está em fase inicial de desenvolvimento sem diretor ou elenco confirmados. Considerando o histórico de atrasos da franquia, é improvável que chegue aos cinemas antes de 2027 ou 2028.

O novo filme Star Trek vai ter o Chris Pine?

Provavelmente não. O projeto da turma do Chris Pine e Zachary Quinto foi oficialmente cancelado em novembro de 2025. Os rumores atuais apontam que o novo filme será um reboot sem vínculo com os filmes da ‘Linha Kelvin’ ou séries de TV.

Por que Star Trek 4 demorou tanto e foi cancelado?

Desde ‘Sem Fronteiras’ (2016), a franquia sofreu com o chamado ‘inferno de desenvolvimento’. Múltiplos diretores (S.J. Clarkson, Matt Shakman, Noah Hawley) foram anexados e saíram por ‘diferenças criativas’, além de disputas contratuais com o elenco e mudanças de gestão na Paramount.

O que é ‘Star Trek: Seção 31’?

É um filme lançado diretamente no streaming (Paramount+) em janeiro de 2025, estrelado por Michelle Yeoh. Foi um fracasso de crítica e público, servindo como um alerta de que o nome da marca por si só não garante a qualidade do produto.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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