Mark Wahlberg vive um hitman investigando assassinatos de ativistas dos direitos civis em ‘By Any Means’, thriller ambientado no Mississippi de 1966. Com direção de Elegance Bratton e elenco que inclui Yahya Abdul-Mateen II e Giancarlo Esposito como Vernon Dahmer, o filme promete mergulhar em conspirações reais de uma das páginas mais sombrias da história americana.
Mississippi, 1966. O ano é específico demais para ser casual. Enquanto o cinema americano costuma visitar os anos 60 através da nostalgia popsica ou da contracultura hippie, há um subtexto mais sombrio que poucos produções mainstream têm coragem de tocar: o Sul segregado como campo de batalha onde ativistas dos direitos civis eram caçados. É nesse cenário que ‘By Any Means’, novo thriller de Mark Wahlberg, se instala — com potencial para ser algo mais ambicioso que sua filmografia recente.
O anúncio da Paramount Pictures coloca o filme para estrear em 4 de setembro de 2026, aproveitando o feriado do Labor Day Weekend. Mas diferente de ‘Ameaça no Ar’, seu projeto anterior de ação aérea, este tem uma premissa que carrega peso histórico real: a história é inspirada em eventos verdadeiros envolvendo o assassinato de figuras dos direitos civis. E Wahlberg, curiosamente, não vai interpretar o herói convencional.
Ele vive Gregory Scarpa, um hitman. Um assassino de aluguel. O protagonista do lado da lei é interpretado por Yahya Abdul-Mateen II — um agente do FBI forçado a formar uma parceria relutante com um criminoso. É aí que o projeto deixa de ser apenas mais uma entrada no currículo crime do ator.
Por que 1966 foi um ano sangrento no Mississippi
Para entender o peso deste filme, é preciso entender o ano. 1966 não foi apenas o auge do movimento pelos direitos civis — foi o momento em que a violência institucional contra ativistas se tornou impossível de ignorar. O Mississippi era um estado onde a KKK operava com impunidade virtual, onde investigações federais esbarravam em portas fechadas e silêncios comprados.
O diretor Elegance Bratton deixou isso claro em sua declaração sobre o projeto: ‘Esta é uma história sobre alianças improváveis forjadas sob circunstâncias impossíveis — onde a justiça não é limpa, e a verdade tem um custo’. A citação revela a intenção de fazer algo mais complexo do que um simples filme de perseguição. Bratton quer examinar ‘o que significa confrontar a violência não apenas como um ato, mas como um sistema’.
Isso muda tudo. Porque quando você coloca um hitman e um agente do FBI investigando assassinatos de ativistas negros, está tocando em feridas que nunca cicatrizaram completamente. Giancarlo Esposito interpreta Vernon Dahmer — um nome que estudantes de história americana reconhecem. Dahmer era um empresário negro, líder da NAACP local, que em janeiro de 1966 anunciou que pagaria as taxas de votação para qualquer negro que não pudesse custeá-las. Na madrugada seguinte, sua casa foi incendiada pela KKK. Ele morreu queimado, protegendo a família. O caso permaneceu impune por décadas.
A dinâmica entre criminoso e agente federal
Aqui está onde o filme pode se destacar. Mark Wahlberg construiu uma carreira em dramas criminais — de ‘Os Infiltrados’, onde viveu um policial infiltrado no crime organizado, a ‘Quatro Irmãos’, onde interpretou um homem criado nas ruas buscando justiça por conta própria. Seu departamento é a ambiguidade masculina, a figura que opera em áreas cinzas. Em ‘By Any Means’, essa habilidade encontra material potencialmente mais denso: um assassino profissional investigando assassinatos reais.
Yahya Abdul-Mateen II traz uma energia diferente. O ator, que também protagonizará ‘Homem em Chamas’ em abril de 2026, tem se especializado em papéis que exigem presença física e gravidade emocional simultâneas — vide sua atuação em ‘Watchmen’ como Doutor Manhattan. Seu personagem aqui representa o conflito central: a lei precisando fazer pacto com o crime para alcançar justiça.
O roteiro de Sascha Penn promete que a dupla descobrirá ‘uma conspiração mais ampla e perigosa que desafia seu senso de moralidade’. Não é apenas sobre pegar assassinos. É sobre descobrir que o sistema que deveria proteger está envolvido. Isso coloca o filme em diálogo com uma tradição de thrillers políticos americanos que vai de ‘Os Três Dias do Condor’ a ‘JFK — A Pergunta que Não Quer Calar’.
Elenco e produção sugerem ambição
Além da dupla principal, o filme reúne nomes que indicam material denso para os coadjuvantes. Nicole Beharie, Josh Lucas, David Strathairn, Ethan Embry, LisaGay Hamilton e LaChanze formam um conjunto que não aparece em produções superficiais. Strathairn, especificamente, tem um histórico de escolhas criteriosas — sua presença costuma indicar projetos com substância.
A produção vem da Hammerstone Studios, Municipal e Thunder Road — esta última responsável pela franquia ‘John Wick’. O time por trás das câmeras entende de ação, mas também sabe que ação sem fundamento emocional é coreografia vazia.
O que Elegance Bratton traz para a direção
A escolha de Elegance Bratton na direção é o sinal mais interessante de que ‘By Any Means’ pode fugir do thriller genérico. Bratton estreou em longas com ‘The Inspection’ (2022), filme semiautobiográfico sobre sua experiência como homem gay no corpo de fuzileiros navais. O filme demonstrou olhar sensível para personagens que existem nas margens da sociedade americana — exatamente o tipo de perspectiva que uma história sobre direitos civis no Sul segregado exige.
Colocar esse olhar em um thriller de escala mainstream é uma aposta arriscada. Estúdios frequentemente suavizam diretores com esse perfil quando orçamentos aumentam. Se Bratton mantiver seu tom, teremos algo relevante. Se ceder ao padrão, teremos mais um filme de ação com verniz histórico.
Expectativa para setembro de 2026
A combinação de Wahlberg em modo moralmente ambíguo, Abdul-Mateen II trazendo peso dramático, e um contexto histórico que permanece dolorosamente relevante, cria um cenário onde ‘By Any Means’ pode ser um dos thrillers políticos mais interessantes de 2026. O filme precisará ter coragem de mergulhar nas contradições que promete — um hitman buscando justiça, um agente do FBI confrontando o próprio sistema, uma conspiração que expõe feridas americanas ainda abertas.
Para quem busca ação pura, pode haver frustração: este parece ser um thriller de tensão e conspiração, não de tiroteios coreografados. Para quem quer cinema que dialogue com história real, setembro de 2026 traz uma promessa.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre ‘By Any Means’
Quando estreia ‘By Any Means’ com Mark Wahlberg?
‘By Any Means’ tem estreia prevista para 4 de setembro de 2026 nos cinemas americanos, aproveitando o feriado do Labor Day Weekend.
‘By Any Means’ é baseado em fatos reais?
Sim. O filme é inspirado em eventos verdadeiros envolvendo o assassinato de figuras dos direitos civis no Mississippi dos anos 60, incluindo a história de Vernon Dahmer, líder da NAACP morto pela KKK em 1966.
Quem é Vernon Dahmer, interpretado por Giancarlo Esposito?
Vernon Dahmer foi um empresário negro e líder da NAACP no Mississippi que, em janeiro de 1966, anunciou que pagaria as taxas de votação para qualquer negro que não pudesse custeá-las. Foi morto pela KKK na mesma madrugada, com sua casa incendiada. O crime permaneceu impune por décadas.
Quem dirige ‘By Any Means’?
O filme é dirigido por Elegance Bratton, realizador conhecido por ‘The Inspection’ (2022), filme semiautobiográfico sobre sua experiência como homem gay no corpo de fuzileiros navais americano.
Qual a classificação indicativa esperada?
A classificação ainda não foi divulgada, mas pela temática — thriller sobre assassinatos e conspiração nos anos 60 — espera-se classificação para maiores de 14 ou 16 anos.

