Steven Spielberg declarou à Empire que ‘Duna: Parte Dois’ é o melhor filme de Denis Villeneuve e um de seus favoritos de ficção científica. Analisamos o que o elogio de um mestre do blockbuster revela sobre a adaptação de Villeneuve e o momento do gênero.
Quando Steven Spielberg fala sobre cinema, a indústria presta atenção. Não por veneração — embora o homem tenha dirigido ‘Tubarão’, ‘E.T.: O Extraterrestre’ e ‘O Resgate do Soldado Ryan’ —, mas porque raramente ele se posiciona publicamente sobre obras de outros diretores com essa clareza. Em entrevista à revista Empire publicada em março de 2026, Spielberg colocou os filmes de Denis Villeneuve entre seus favoritos de ficção científica de todos os tempos. Não é cortesia de tapinha nas costas. É reconhecimento entre pares.
O momento é particularmente relevante porque Spielberg não está opinando sobre um filme qualquer. Está avaliando uma franquia que muitos consideravam ‘infilmável’ — e fazendo isso no auge dos seus 50 anos de carreira, meses antes de lançar seu próprio projeto de ficção científica, ‘The Dish’ (Dia D, em português). Ou seja: não há ingenuidade nesse elogio. Há um mestre do blockbuster reconhecendo em outro diretor algo que ele próprio perseguiu toda vida: a capacidade de transformar material literário denso em espetáculo popular sem perder a alma.
Por que a comparação com Guillermo del Toro é o cerne do elogio
O detalhe mais revelador da entrevista não é Spielberg chamar ‘Duna: Parte Dois’ de ‘o melhor filme que Denis já fez’. É a comparação que ele faz com Guillermo del Toro e ‘Frankenstein’. Segundo Spielberg, Villeneuve prestou um tributo a Frank Herbert da mesma forma que del Toro honrou Mary Shelley. Essa não é uma observação casual — é uma tese sobre adaptação.
Pense no que isso significa: Spielberg está dizendo que o mérito de Villeneuve não está apenas em traduzir o livro para a tela, mas em fazê-lo com reverência estrutural. ‘Frankenstein’ de del Toro não é apenas uma nova versão do clássico gótico — é uma carta de amor ao material original, uma leitura que expande sem trair. Spielberg reconhece em Villeneuve o mesmo impulso: a fidelidade como ato criativo, não como amarra.
Isso ganha outra dimensão quando lembramos que Spielberg adaptou ‘Minority Report: A Nova Lei’ de Philip K. Dick e ‘Jogador N° 1’ de Ernest Cline. Ele sabe que adaptação exige escolhas difíceis — o que manter, o que cortar, o que reimaginar. O elogio a Villeneuve sugere que ele viu nessas duas ‘Dunas’ algo raro: um diretor que conseguiu preservar a essência literária de Herbert sem sufocar o filme sob o peso do respeito.
‘Duna: Parte Dois’ como ápice da filmografia de Villeneuve
A afirmação de que o segundo filme é o melhor da carreira de Villeneuve vai contra certa tendência crítica. Muitos consideram ‘Bruxa de Guerra’ ou ‘Chegadas’ como seus picos artísticos. Mas Spielberg está operando com critérios diferentes — e provavelmente mais alinhados com sua própria filosofia de cinema.
Villeneuve construiu ‘Duna: Parte Dois’ com uma ambição que Spielberg reconhece imediatamente: a escala épica a serviço de intimidade emocional. Repare como o filme expande o universo do primeiro sem perder o foco na jornada interior de Paul Atreides. É o mesmo equilíbrio que Spielberg perseguiu em ‘Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros’ — o espetáculo dos dinossauros nunca ofuscou o núcleo humano da história. Quando Spielberg diz que ‘Duna: Parte Dois’ é o melhor, ele provavelmente está vendo um diretor que finalmente dominou a arte de fazer o grandioso parecer pessoal.
Há também um reconhecimento da coragem de Villeneuve. ‘Duna: Parte Dois’ é mais sombrio que o primeiro, mais disposto a deixar o público desconfortável com a transformação de Paul. Spielberg — que nunca teve medo de escurecer seu cinema quando a história pediu, vide ‘A Lista de Schindler’ ou ‘Munique’ — entende que Villeneuve assumiu um risco narrativo considerável ao seguir o caminho moralmente ambíguo do livro de Herbert.
O que esse elogio revela sobre o momento do cinema de ficção científica
Há algo simbólico nesse endorsement acontecer agora. Spielberg está prestes a lançar ‘The Dish’ em junho de 2026, seu retorno à ficção científica após anos focado em dramas históricos. Villeneuve prepara ‘Duna: Parte Três’ para dezembro de 2026. Dois mestres do gênero, em fases diferentes de suas carreiras, reconhecendo que o outro está fazendo algo relevante.
Não é ingênuo que Spielberg cite os livros de Herbert com reverência. ‘Eu amo os livros’, ele disse, ‘e acho que o tributo de Denis é como o de Guillermo com Shelley’. Isso posiciona ‘Duna’ não como mera propriedade intelectual explorável — o approach padrão de Hollywood — mas como literatura que merece ser honrada. É uma declaração de valores em um momento em que franquias são tratadas como máquinas de conteúdo.
Spielberg também mencionou que Villeneuve pode mostrar ‘Duna: Parte Três’ para ele antecipadamente. ‘Tenho certeza que ele vai me mostrar cedo’, disse, acrescentando: ‘Sou um grande fã dele’. Essa familiaridade entre dois diretores que operam no mais alto orçamento do cinema comercial sugere uma fraternidade rara. Não é competição. É admiração mútua entre quem carrega o peso de entregar blockbusters que também funcionam como arte.
A validação que transcende números de bilheteria
Os números de ‘Duna’ já falavam por si: $1.1 bilhão em bilheteria mundial, 8 Oscars, 15 indicações, 92% no Rotten Tomatoes para o segundo filme. Mas o elogio de Spielberg opera em outro registro. Não é validação comercial — é validação genealógica. Ele está dizendo, explicitamente, que Villeneuve entrou no clube dos que levam a ficção científica a sério como forma de arte.
Para quem acompanha a carreira de Villeneuve, isso é significativo. O diretor canadense passou anos sendo visto como ‘o cara de filmes intelectuais que Hollywood contratou para fazer blockbusters’. ‘Blade Runner 2049’ foi um sucesso crítico que decepcionou em bilheteria. A primeira ‘Duna’ era vista como um risco monumental — um épico denso de duas horas e meia baseado em um livro que já tinha destruído a carreira de David Lynch. Ver Spielberg, o homem que praticamente inventou o blockbuster moderno, declarar que Villeneuve fez ‘um dos meus filmes de ficção científica favoritos de todos os tempos’ é o tipo de reconhecimento que nenhum prêmio concede.
O mais interessante? Spielberg prefere a continuação. Isso sugere que ele valoriza não apenas a competência técnica de Villeneuve, mas sua evolução. ‘Duna: Parte Dois’ é mais confiante, mais ousado, mais disposto a confiar no público. Spielberg reconheceu isso — e escolheu o filme que representa o diretor no seu auge atual, não aquele que estabeleceu sua reputação.
Resta agora aguardar ‘Duna: Parte Três’ em dezembro de 2026 — coincidentemente no mesmo fim de semana que ‘Vingadores: Doutor Destino’. Spielberg já disse que mal pode esperar. E se alguém tem autoridade para antecipar que Villeneuve vai entregar algo especial, é quem construiu o template que todos os outros blockbusters tentam copiar há cinco décadas.
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Perguntas Frequentes sobre o elogio de Spielberg a Duna
O que Steven Spielberg disse sobre Duna?
Em entrevista à revista Empire em março de 2026, Spielberg disse que ‘Duna: Parte Dois’ é ‘o melhor filme que Denis Villeneuve já fez’ e colocou a franquia entre seus filmes de ficção científica favoritos de todos os tempos.
Por que Spielberg comparou Villeneuve a Guillermo del Toro?
Spielberg disse que Villeneuve prestou um tributo a Frank Herbert da mesma forma que del Toro honrou Mary Shelley em sua adaptação de ‘Frankenstein’. Para Spielberg, ambos demonstram fidelidade ao material original como ato criativo, não como limitação.
Quando sai Duna: Parte Três?
‘Duna: Parte Três’ tem estreia prevista para dezembro de 2026, no mesmo fim de semana que ‘Vingadores: Doutor Destino’. Denis Villeneuve retorna como diretor.
Qual é o próximo filme de ficção científica de Spielberg?
Spielberg lança ‘The Dish’ (Dia D, no Brasil) em junho de 2026. É seu retorno ao gênero de ficção científica após anos focado em dramas históricos como ‘Os Papeis do Pentágono’ e ‘West Side Story’.
Duna: Parte Dois é o melhor filme de Villeneuve?
Segundo Spielberg, sim. A crítica em geral divide-se entre ‘Bruxa de Guerra’, ‘Chegadas’ e ‘Duna: Parte Dois’. Spielberg valorizou a continuação por sua escala épica combinada com intimidade emocional — equilíbrio que ele próprio perseguiu em filmes como ‘Jurassic Park’.

