‘Paradise’, nova série de Dan Fogelman na Hulu, foi endossada por Stephen King como sucessora espiritual de ‘Lost’. Analisamos por que a série estrelada por Sterling K. Brown acerta onde ‘Yellowjackets’ e ‘Manifest’ falharam — focando em personagens antes do mistério, com um final já planejado.
Quando Stephen King fala, a indústria ouve. Não é exagero — é fato estatístico. O homem que transformou o horror em literatura de massa tem um histórico impressionante de identificar talentos e obras subestimadas antes de todo mundo. Então quando ele twittou que ‘Paradise’ da Hulu é ‘a coisa mais próxima de Lost na TV’, prestei atenção. Não pelo hype, mas porque King raramente faz esse tipo de comparação. Ele amou ‘Lost’, sim, mas também viu dezenas de séries tentarem replicar sua fórmula e falharem miseravelmente.
A questão que importa não é se ‘Paradise’ é boa — com 89% no Rotten Tomatoes e renovação antecipada, os números já responderam isso. O que realmente interessa é: por que essa série específica conseguiu o que ‘Yellowjackets’, ‘The OA’ e ‘Manifest’ tentaram e não conseguiram? A resposta tem menos a ver com mistério por mistério, e mais com uma compreensão profunda de por que ‘Lost’ funcionou.
O selo de qualidade de Stephen King não é distribuído por acaso
King não é fácil de impressionar. O cara consumiu mais terror e suspense do que a maioria de nós verá em uma vida inteira. Quando ele elogia algo fora do gênero dele, vale ouro. Com ‘Lost’, ele não só aprovou — a série retribuiu escondendo referências aos livros dele nos episódios. Era uma relação de respeito mútuo entre criadores que entendiam o poder do mistério bem construído.
O que King identificou em ‘Paradise’ foi provavelmente a mesma coisa que eu notei nos primeiros episódios: a série não está tentando ser ‘Lost’. Ela está fazendo o que ‘Lost’ fazia — construir um mundo onde cada detalhe importa, onde você não confia em ninguém, e onde a pergunta ‘o que está acontecendo?’ é mais interessante que qualquer resposta. King elogiou especificamente a atuação, o enredo e a ‘falta de clichês’. Essa última parte é crucial. Quantos thrillers pós-apocalípticos já vimos onde o herói tem um passado traumático e uma razão secreta para estar onde está? ‘Paradise’ tem isso também, mas executa de forma que você não sente que já viu antes.
Por que outras séries falharam onde ‘Paradise’ acertou
Vamos ser honestos sobre o elefante na sala: ‘Lost’ criou um problema para a televisão. Foi tão influente que toda série de mistério pós-2004 foi comparada a ela, e quase todas sofreram com isso. ‘Manifest’ tentou o avião misterioso. ‘The OA’ tentou o surrealismo metafísico. ‘Yellowjackets’ tentou a dinâmica de sobrevivência em múltiplas timelines. Algumas são boas séries — mas nenhuma capturou o que fazia ‘Lost’ especial.
‘Paradise’ evitou essa armadilha fazendo algo radicalmente simples: focou em personagens antes do mistério. A premissa — um agente do Secret Service investigando o assassinato do Presidente em uma comunidade aparentemente idílica — poderia ser de qualquer thriller político. Mas Dan Fogelman, o criador que também assinou ‘This Is Us’, entende que o que prendeu audiências em ‘Lost’ não era a ilha misteriosa. Eram as pessoas nela. Você queria saber o que acontecia com Jack, Sawyer, Kate. O mistério da ilha era o veículo, não o destino.
A direção de fotografia reforça essa escolha: o bunker onde a ação se passa é filmado com tons terrosos e luz natural que esconde tanto quanto revela. Há uma cena no segundo episódio — quando Xavier descobre uma porta trancada que não deveria existir — onde a câmera se recusa a mostrar o que há atrás, mantendo o foco no rosto de Sterling K. Brown. É uma decisão de montagem que diz tudo sobre as prioridades da série: o mistério importa menos que a reação humana a ele.
A estrutura de mistério que funciona para maratonas
Há algo acertado na forma como ‘Paradise’ foi estruturada para streaming. Com episódios enxutos, é perfeita para um fim de semana de maratona. Mas mais importante: a série aprendeu com os erros de ‘Lost’. Seis temporadas foram longas demais para manter coerência narrativa. John Hoberg, produtor executivo, já confirmou que a história tem um fim planejado. Isso é promessa que ‘Lost’ não pôde fazer — e sofreu por isso.
A segunda temporada, que King chamou de ‘ainda melhor’, expande o mundo de forma orgânica. O bunker que parecia apenas cenário revela-se parte de algo maior. Comunidades que pareciam isoladas mostram conexões. Detalhes que você nem notou na primeira temporada voltam com significado crucial. É a gramática de ‘Lost’ — nada é acidente, tudo é semente plantada para colheita posterior — aplicada com mais disciplina.
Veredito: a comparação é justa?
Sim e não. ‘Paradise’ não é ‘Lost’ — e isso é elogio. É uma série que aprendeu com o que funcionou e evitou o que falhou. O mistério é complexo sem ser frustrante. Os personagens são profundos sem serem irritantes. O ritmo acelera quando precisa e desacelera para respiração emocional. Com aprovação crítica crescendo e audiência consolidada, ‘Paradise’ está provando que existe vida pós-‘Lost’ no gênero.
Se você curte teorias de fãs, cliffhangers que fazem você gritar na tela, e a sensação de que está montando um quebra-cabeça onde peças se encaixam de formas inesperadas — ‘Paradise’ é obrigatória. Se você prefere séries com respostas claras e finais fechados, vai passar raiva. Mas honestamente? A raiva de não saber tudo imediatamente é parte da diversão.
Stephen King tem razão. ‘Paradise’ é a coisa mais próxima de ‘Lost’ na TV hoje — não porque copia, mas porque entende. E com um final já planejado pelos criadores, agora é o momento perfeito para entrar. Os fãs de ‘Lost’ que sofreram com a ansiedade de esperar respostas por anos agora podem experimentar algo similar, mas com a garantia de que o destino já foi traçado. Isso faz toda a diferença.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Paradise’
Onde assistir ‘Paradise’ no Brasil?
‘Paradise’ é uma produção original Hulu, disponível nos EUA através da plataforma. No Brasil, a série deve chegar ao Star+ (mesmo grupo Disney) ou Disney+, mas ainda não há data confirmada de estreia internacional.
Quem criou ‘Paradise’?
A série foi criada por Dan Fogelman, o mesmo responsável por ‘This Is Us’. Fogelman também atua como showrunner e produtor executivo ao lado de John Hoberg.
Quantas temporadas tem ‘Paradise’?
Atualmente, ‘Paradise’ tem duas temporadas disponíveis. A série já foi renovada para uma terceira temporada, que segundo os produtores será a última — com um final planejado desde o início.
Precisa ter visto ‘Lost’ para entender ‘Paradise’?
Não. ‘Paradise’ funciona como uma história independente. As comparações com ‘Lost’ referem-se ao estilo de narrativa de mistério e desenvolvimento de personagens, não a conexões de enredo. Qualquer pessoa pode acompanhar sem conhecimento prévio.
‘Paradise’ é baseada em livro?
Não. ‘Paradise’ é uma história original criada especificamente para televisão por Dan Fogelman. Não há material literário prévio.

