Donald Glover explica a busca pela ‘fofura’ para dublar Yoshi em novo Mario

Donald Glover revelou como buscou sua ‘fofura interior’ para dublar Yoshi em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’, usando o filho como referência para acessar inocência pura — um registro que nunca precisou explorar em sua carreira. O processo criativo contrasta com a piada musical improvisada com Jack Black na mesma entrevista.

Donald Glover tem uma filmografia marcada por papéis que exploram vulnerabilidade, mas sempre com uma camada de ironia ou sofisticação — de Troy Barnes em ‘Community’ ao Lando Calrissian de ‘Solo’. Quando o anúncio de que ele dublaria Yoshi em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ chegou, a pergunta óbvia era: como um ator conhecido por sua inteligência afiada encontraria o tom certo para um dinossauro cujo vocabulário se resume a repetir o próprio nome? A resposta, revelada em entrevista recente à ScreenRant, é um estudo sobre processo criativo que vai muito além de ‘fazer voz engraçada’.

A conversa trouxe à tona algo que raramente vemos em entrevistas de dublagem: um ator fazendo genuína autoanálise para encontrar um personagem. Glover não tratou o papel como um mero casting de nome famoso — encou-o com a seriedade de um papel dramático.

‘Onde está minha fofura?’: o método inusitado de Glover

'Onde está minha fofura?': o método inusitado de Glover

A resposta de Glover sobre como construiu a voz de Yoshi merece ser transcrita na íntegra porque revela um processo criativo raramente discutido em Hollywood: ‘Eu fiz um mergulho profundo de auto-reflexão, tipo, Onde está minha fofura? Sério, o quão fofo eu consigo realmente ser? E nunca tinha feito isso antes.’

Essa frase — ‘nunca tinha feito isso antes’ — carrega um peso específico. Glover está admitindo que, em décadas de carreira, nunca foi convocado a acessar um registro de inocência pura. Seus personagens têm charme, sim, mas é um charme articulado, consciente. Yoshi exige o oposto: uma fofura sem autoconsciência, sem a camada de proteção da ironia que Glover construiu como escudo em sua persona pública.

O ator mencionou que seu filho mais novo serviu de referência: ‘Ele sempre diz Isso é fofo, e eu sou fofo. E eu nunca fui tão livre.’ Há algo tocante nessa admissão — um artista de 40 e poucos anos descobrindo, através de um personagem de videogame, uma parte de si que nunca teve permissão para existir profissionalmente.

O momento com os filhos que raramente acontece na carreira de um ator

Glover contou que o filho foi a pessoa mais surpreendida com o casting — e a reação dele revela algo sobre a natureza única de dublar para animação. ‘Ele foi de longe o mais tipo, Como você guardou isso de nós? Por que guardou isso de nós? Foi bem divertido. E eu pude fazer a voz para eles.’

Depois vem uma reflexão que qualquer pai que trabalha com arte entende profundamente: ‘Muito poucas vezes você consegue fazer isso com seus filhos, eu sinto. Então fiquei muito feliz.’

É um detalhe pequeno, mas humaniza completamente o processo de casting. A maioria das entrevistas de dublagem foca em técnica ou nostalgia do material original. Glover trouxe algo mais íntimo: a raridade de um trabalho profissional que pode ser compartilhado com uma criança de forma genuína, sem explicação de contexto ou justificativa de por que é relevante.

O contraste com Jack Black: introspecção versus caos controlado

O contraste com Jack Black: introspecção versus caos controlado

Enquanto Glover falava sobre introspecção e busca por inocência, Jack Black trouxe o outro extremo do espectro criativo: o caos controlado de alguém que há décadas transforma cada oportunidade em uma performance de rockstar.

A conversa derivou para um território que soa como sonho de fã de internet: os dois discutindo um dueto musical. Glover, com sua persona Childish Gambino, e Black, co-fundador do Tenacious D, representam duas abordagens radicalmente diferentes de música cômica — um através do R&B experimental e letras densas, outro através do rock teatral e humor escrachado.

A piada que nasceu ali foi perfeita em sua simplicidade: Glover sugeriu ‘(I’ve Had) The Time of My Life’, o clássico de ‘Dirty Dancing: Ritmo Quente’. Black imediatamente começou a cantar o refrão. Glover completou: ‘A gente já tá fazendo. Então sim, seria muito bom.’

O que poderia ser apenas uma entrevista promocional padrão virou algo mais genuíno — dois artistas com carreiras estabelecidas encontrando prazer real na colaboração, mesmo que hipotética.

Yoshi e o casting preciso de ‘Super Mario Galaxy: O Filme’

O filme coloca Yoshi em Tosterena, uma cidade desértica onde Mario e Luigi (Chris Pratt e Charlie Day) encontram o dinossauro enquanto perseguem Bowser Jr. — dublado por Benny Safdie, em uma escolha de casting que merece sua própria análise. A trama envolve Bowser em um caminho de ‘reabilitação’, um conceito que subverte a dinâmica tradicional de vilão da Nintendo.

A presença de Glover no elenco faz parte de um padrão que a Illumination estabeleceu desde o primeiro filme: nomes de peso que não são meramente ‘famosos’, mas que trazem especificidade cômica. Keegan-Michael Key como Toad, Glen Powell como Fox McCloud, Brie Larson como Princesa Rosalina — cada escolha sugere compreensão do personagem, não apenas apelo comercial.

O filme estreou em 1º de abril e já quebrou recordes com $34 milhões apenas na noite de estreia. O sucesso comercial valida a estratégia de casting, mas o que Glover revela sobre seu processo sugere algo mais interessante: que por trás do blockbuster de animação existe trabalho artesanal real.

Por que o processo de Glover importa para dublagem moderna

Há uma tendência em Hollywood de tratar dublagem de animação como ‘trabalho leve’ — algo que atores fazem entre projetos ‘sérios’. A geração de atores que cresceu com Pixar e DreamWorks mudou isso, mas ainda persiste a ideia de que voz para desenho é menor esforço.

O que Glover descreve — a auto-reflexão, o estudo de vídeos do YouTube compilando os sons do personagem, a análise comparativa com seu próprio filho — inverte essa noção. Dublar Yoshi exigiu dele um tipo de trabalho emocional que papéis de live-action nunca demandaram: desarmar completamente as defesas que construiu em décadas de carreira.

‘Preciso chegar ao máximo de fofura possível’ soa como piada até você considerar o contexto: um homem adulto, acostumado a personagens com armaduras de cinismo, tendo que acessar vulnerabilidade genuína. Isso não é ‘apenas fazer voz’ — é psicologia do personagem aplicada a um dinossauro verde que diz apenas ‘Yoshi’.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre Donald Glover como Yoshi

Quem dubla Yoshi em ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?

Yoshi é dublado por Donald Glover no filme da Illumination. O ator, também conhecido por sua persona musical Childish Gambino, descreveu o processo criativo como uma busca por sua ‘fofura interior’.

Donald Glover já fez dublagem antes?

Sim. Glover dublou o protagonista Miles Morales em ‘Ultimate Spider-Man’ (2015) e participou de ‘O Rei Leão’ (2019) como Simba. Yoshi, porém, exigiu dele um registro completamente diferente — inocência pura sem ironia.

Quando estreou ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?

O filme estreou em 1º de abril de 2026, arrecadando $34 milhões apenas na noite de estreia — recorde para a franquia. É a sequência direta do filme de 2023.

Quem mais está no elenco do filme?

O elenco inclui Chris Pratt (Mario), Charlie Day (Luigi), Jack Black (Bowser), Keegan-Michael Key (Toad), Glen Powell (Fox McCloud), Brie Larson (Princesa Rosalina) e Benny Safdie (Bowser Jr.).

Yoshi fala no filme ou só diz ‘Yoshi’?

Yoshi mantém seu vocabulário característico limitado ao próprio nome, mas Glover construiu variações de tom e entonação que transmitem emoções diferentes — alegria, preocupação, entusiasmo — usando apenas a palavra ‘Yoshi’.

Mais lidas

Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

Veja também