‘Highlander’: Reboot com Henry Cavill reimagina heroína clássica e aposta em ação visceral

O reboot de ‘Highlander’ com Henry Cavill reimagina Brenda Wyatt como protagonista ativa que ‘se mete em confusões’ antes mesmo de conhecer o imortal — inversão que resolve o problema de exposição do filme de 1986. Com Chad Stahelski na direção, a promessa é ação que funciona como narrativa.

Em 1986, Brenda Wyatt era basicamente um dispositivo narrativo: a cientista bonita que descobria o imortal, fazia perguntas que o público já tinha, e servia de interesse romântico para Connor MacLeod. Quase 40 anos depois, o reboot de ‘Highlander’ com Henry Cavill está prestes a fazer algo que deveria ser óbvio mas raramente acontece em remakes: transformar essa personagem de passiva para ativa.

Siobhan Cullen, escalada para viver Brenda na nova versão, revelou à Deadline que sua personagem chega em um momento completamente diferente de sua vida — e isso muda tudo. ‘Nós a encontramos se metendo em confusões’, explicou a atriz. ‘Quando ela conhece Connor em uma noite pivotal, como mortal, ela é sugada para o mundo dos imortais.’ A diferença pode parecer sutil, mas é fundamental: esta Brenda não está observando o mistério. Ela está criando o mistério.

De dispositivo de exposição a protagonista com agência

De dispositivo de exposição a protagonista com agência

No filme original de 1986, Brenda Wyatt (interpretada por Roxanne Hart) era uma cientista forense do NYPD que investigava cabeças decapitadas e cruzava com Connor MacLeod. Na teoria, um papel ativo. Na prática? Ela reagia a eventos, descobria coisas que o público já sabia, servia como veículo para explicar as Regras dos imortais e O Prêmio.

A versão de Cullen inverte essa dinâmica completamente. ‘Ela é mortal neste mundo de imortais, então ela é tipo os olhos do público porque está sendo introduzida a esse mundo totalmente novo’, contou a atriz. O detalhe crucial: Brenda está ‘se metendo em confusões’ antes de conhecer Connor. Ela tem agência própria, investigação própria, motivação independente do protagonista masculino.

Isto resolve um problema estrutural do original. O filme de Russell Mulcahy sofria com exposição pesada — precisava parar a narrativa para explicar imortais, O Prêmio, as Regras. Brenda era o veículo para esses info-dumps. Ao torná-la ativa desde o início, o reboot elimina a necessidade de ‘pausas para explicação’. O público descobre o mundo com ela, não através dela.

Henry Cavill e um Connor MacLeod que carrega séculos

Substituir Christopher Lambert não era tarefa simples. O ator trouxe uma estranheza carismática para Connor em 1986 — aquele jeito de ‘peixe fora d’água’ que funcionava para um personagem descobrindo sua imortalidade. Henry Cavill tem uma presença completamente diferente: física, imponente, heróica. O tipo de ator que parece ter nascido segurando uma espada.

O que se sabe sobre o script de Kerry Williamson e Mike Finch sugere que a solução foi abraçar essa diferença. Enquanto o Connor de Lambert parecia perdido em seu próprio filme, Cavill deve trazer um imortal que já carrega séculos de peso. A presença física dele — construída em ‘The Witcher’ e nos filmes da DC — combina com alguém que já viveu batalhas demais para se surpreender com qualquer coisa.

Isto cria uma dinâmica interessante com a nova Brenda. Se Connor é o imortal cansado que já viu tudo, Brenda é a mortal obcecada por descobrir tudo. Os papéis se complementam: ele tem o conhecimento que ela busca, ela tem a curiosidade que ele perdeu há séculos.

Chad Stahelski e ação como linguagem narrativa

Chad Stahelski e ação como linguagem narrativa

Quando você contrata o co-diretor de ‘John Wick – De Volta ao Jogo’ e criador da franquia para um filme sobre imortais lutando com espadas, a expectativa é clara: coreografia de elite. Cullen confirmou que Stahelski entregou além. ‘É emocionante trabalhar com alguém tão fluente na linguagem da ação’, disse ela. ‘É como se existisse um outro script rolando em paralelo ao nosso diálogo.’

Esta frase merece dissecção. Stahelski não encara ação como pausa na narrativa — ele encara ação como narrativa. Em ‘John Wick: De Volta ao Jogo’, cada sequência de luta revelava algo sobre o personagem: sua precisão, sua determinação, seu código. Para um filme sobre imortais que vivem séculos acumulando experiência de combate, isso é essencial. Um imortal de 500 anos não luta como um novato. Seu estilo carrega história, preferências, traumas.

Cullen prometeu que algumas cenas de luta ‘são simplesmente insanas’ e que o filme é ‘definitivamente para os fãs’. A combinação de Stahelski com um elenco que inclui nomes como Russell Crowe, Dave Bautista e Drew McIntyre sugere que as batalhas entre imortais terão o peso que a franquia sempre prometeu mas raramente entregou.

Elenco internacional indica ambição épica

Além de Cavill e Cullen, o reboot conta com Russell Crowe, Dave Bautista, Karen Gillan, Marisa Abela, Jeremy Irons, Djimon Hounsou, Drew McIntyre, Jeon Jong-seo, Nassim Lyes e Kevin McKidd. É um elenco que mistura veteranos com peso dramático (Irons, Crowe), nomes de ação estabelecidos (Bautista, McIntyre), e talentos em ascensão (Gillan, Abela, Jeon).

A presença de atores dessa estatura indica que Amazon MGM Studios não está fazendo um reboot de orçamento modesto. O filme original custou cerca de $19 milhões em valores da época e arrecadou apenas $12,9 milhões nas bilheterias domésticas. Mesmo assim, virou cult. A nova versão parece ter recursos e ambição para entregar o que o original prometia no papel: uma história épica sobre imortais lutando através dos séculos.

O que a franquia original deixou para trás

O filme de 1986 tem 69% de aprovação crítica e 79% do público no Rotten Tomatoes hoje — números que refletem sua redescoberta como cult, não seu recebimento inicial. A crítica da época foi severa, e o filme fracassou comercialmente. Ainda assim, gerou quatro sequelas (a maioria pavorosa), uma série de TV de seis temporadas e um fandom dedicado que mantece a chama acesa.

O reboot tem a oportunidade de fazer o que raramente acontece: manter o que funcionou do original (a premissa, o conceito de imortais decapitando uns aos outros, a tragédia de viver para sempre enquanto todos ao redor morrem) e corrigir o que não funcionou (a execução irregular, a narrativa confusa, os personagens femininos subdesenvolvidos).

A transformação de Brenda Wyatt de passiva para ativa é o tipo de mudança que sugere que os roteiristas entenderam a tarefa. Não basta refazer o filme com atores novos e efeitos melhores. É preciso reimaginar o que a história pode ser quando você remove as limitações de 1986.

Amazon MGM Studios ainda não anunciou data de estreia. Com filmagens acontecendo na Escócia e um elenco desse calibre, ‘Highlander’ deve chegar como um dos eventos cinematográficos de 2026 ou 2027. Para fãs da franquia, a promessa é clara: o filme que o original sempre quis ser.

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Perguntas Frequentes sobre o reboot de Highlander

Quando estreia o reboot de Highlander com Henry Cavill?

Amazon MGM Studios ainda não anunciou data oficial de estreia. As filmagens estão acontecendo na Escócia, e a expectativa é lançamento em 2026 ou 2027.

Quem está no elenco do reboot de Highlander?

O elenco inclui Henry Cavill como Connor MacLeod, Siobhan Cullen como Brenda Wyatt, além de Russell Crowe, Dave Bautista, Karen Gillan, Jeremy Irons, Djimon Hounsou, Drew McIntyre, Jeon Jong-seo, Marisa Abela, Nassim Lyes e Kevin McKidd.

Quem dirige o novo Highlander?

Chad Stahelski, criador e diretor da franquia ‘John Wick’, assume a direção. O roteiro é de Kerry Williamson e Mike Finch.

O reboot de Highlander tem ligação com o filme de 1986?

Não. É uma reimaginação completa, não uma continuação ou remake direto. O filme reconta a história de Connor MacLeod e os imortais com nova abordagem narrativa e elenco diferente.

Onde assistir o filme original de Highlander?

‘Highlander’ (1986) está disponível em streaming em diferentes plataformas dependendo da região. No Brasil, já circulou por Amazon Prime Video e locadoras digitais. Verifique disponibilidade atual em seu serviço preferido.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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