Os maiores Targaryen: de Daemon a Jon Snow no ranking definitivo

Ranking dos Targaryen mais impactantes de ‘Game of Thrones’, ‘A Casa do Dragão’ e ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ sob a ótica do legado — não da popularidade. De Aegon I a Jon Snow, analisamos quem construiu, quem destruiu e quem recusou o poder.

Há uma frase que ecoa por toda a história de Westeros: “Toda vez que um Targaryen nasce, os deuses jogam uma moeda.” Isso significa que a cada novo herdeiro prateado, há 50% de chance de surgir um grande líder — e 50% de chance de surgir um monstro. Mas essa metáfora esconde algo mais interessante: os melhores Targaryen não são necessariamente os “bons” ou os “maus”. São aqueles cujas escolhas — nobres ou terríveis — redesenharam o mapa dos Sete Reinos de forma irreversível.

Reuni aqui não apenas os mais populares, mas os que deixaram legados mensuráveis. Alguns construíram dinastias. Outros as destruíram. Alguns nunca quiseram poder, mas o exerceram com mais sabedoria que quem nasceu para isso. Este ranking cruza três séries — ‘Game of Thrones’, ‘A Casa do Dragão’ e ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ — para entender quem, de fato, moldou o destino de Westeros.

Por que legado importa mais que tempo de tela

Por que legado importa mais que tempo de tela

Antes de entrar na lista, vale explicar o critério. Não estou interessado em “quem eu gostei mais” ou “quem teve mais cenas”. Estou interessado em impacto histórico. Rhaegar Targaryen, por exemplo, aparece apenas em flashbacks e menções em ‘Game of Thrones’ — mas foi sua obsessão por uma profecia que desencadeou a guerra que derrubou sua família. Um personagem pode ser secundário na tela e central na história.

Outro exemplo: Aemon Targaryen, o Meistre da Patrulha da Noite, nunca sentou no Trono de Ferro. Mas sua decisão de abdicar mudou quem reinou por gerações. Ação aparentemente pequena, consequência gigantesca. É isso que separa os “marcantes” dos meramente “presentes”.

Os destrutivos: quando a moeda cai no lado errado

Aemond Targaryen: crueldade com competência

Aemond é fascinante porque representa o que acontece quando um Targaryen “perde a moeda” mas mantém a competência. Ele não é um louco incoerente — é um estrategista cruel. Quando finalmente reivindicou Vhagar, o dragão mais velho e maior de todos, ele transformou sua inferioridade de “segundo filho sem dragão” em poderio militar devastador.

O problema é que inteligência sem freios morais gera catástrofe. Aemond não quer apenas vencer a Dança dos Dragões — ele quer destruir qualquer um que ouse questioná-lo. A sequência em que ele persegue Lucerys Velaryon em tempestade, no episódio final da primeira temporada de ‘A Casa do Dragão’, é um exemplo perfeito: uma caçada que começa como demonstração de poder e termina em acidente letal. Cada vitória sua parece plantar sementes de derrota futura.

Aegon II: o rei que nunca quis reinar

Há algo tragicamente moderno em Aegon II. Ele não era ambicioso — queria apenas prazer e ausência de responsabilidade. Os Hightower o colocaram no Trono de Ferro como peça de um xadrez político, e ele passou o reinado sendo arrastado por eventos que não iniciou.

Isso o torna menos um vilão e mais um sintoma. Aegon II representa o perigo de colocar poder nas mãos de quem não o deseja. Seu legado não é o que ele fez, mas o que permitiu que fizessem em seu nome. A guerra que devastou os Sete Reinos não foi sua ideia — mas ele foi o rosto no trono enquanto Westeros queimava.

Os que abdicaram — e mudaram tudo com um não

Os que abdicaram — e mudaram tudo com um não

Aemon Targaryen: a sabedoria da renúncia

Poucos momentos em ‘Game of Thrones’ carregam tanto peso emocional quanto a revelação de que o velho Meistre da Patrulha da Noite é um Targaryen. Aemon poderia ter sido rei. Ele escolheu não ser — e essa decisão, aparentemente passiva, reverberou por décadas.

Ao abdicar em favor de seu irmão Aegon V, Aemon demonstrou algo raro em sua família: autoconhecimento. Ele sabia que o Trono de Ferro corrompe, e preferiu uma vida de serviço anônimo ao Norte. Suas conversas com Jon Snow na Muralha — especialmente quando revela que “um Targaryen sozinho no mundo é uma coisa terrível” — são momentos de tristeza silenciosa: um homem que conhece a loucura de seu sangue e escolheu, deliberadamente, outro caminho.

Aegon V “Egg”: o príncipe que aprendeu servindo

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ apresenta um Targaryen que parece impossível: humilde. Egg, quarto filho de um quarto filho, esconde sua identidade real para servir como escudeiro do cavaleiro Dunk. Essa experiência — viver como plebeu, conhecer o povo — moldou quem ele seria como rei.

O detalhe crucial: Egg não estava destinado ao trono. Ele chegou lá por acidente genealógico. Mas quando assumiu, trouxe uma perspectiva que nenhum Targaryen criado em torres de pedra teve. Seu reinado foi marcado por reformas que beneficiaram os pequenos — algo que gerou resistência da nobreza, mas que o diferencia da maioria de sua casa.

Os ambíguos: nem heróis, nem vilões

Daemon Targaryen: o espelho negro de Rhaenyra

Se existe um Targaryen que encapsula a ambiguidade da casa, é Daemon. Matt Smith construiu um personagem que oscila entre lealdade feroz e traição impulsiva, entre amor genuíno por Rhaenyra e necessidade patológica de ser o centro de tudo.

Ele é o tipo de aliado que você quer em uma guerra — e teme em tempo de paz. Sua inteligência militar é inegável. Sua capacidade de destruir relacionamentos por impulsos momentâneos também. A sequência em que ele mata sua primeira esposa para limpar o caminho para Rhaenyra é perturbadora não pelo ato em si, mas pela naturalidade com que ele o executa. O final da segunda temporada de ‘A Casa do Dragão’ deixa uma pergunta aberta: Daemon é um herói sombrio ou um vilão que acidentalmente faz coisas certas? A resposta pode ser “os dois”.

Rhaenyra Targaryen: a herdeira que Westeros recusou

Impossível ignorar a protagonista de ‘A Casa do Dragão’. Rhaenyra representa o que acontece quando uma sociedade feudal é confrontada com uma ideia que não consegue processar: uma mulher no poder.

Seu legado é duplo. Ela era a herdeira designada, legitimada por seu pai. E foi destruída por isso. A Dança dos Dragões não começou por incompetência sua — começou porque o sistema preferiu queimar a si mesmo do que aceitar mudança. Rhaenyra é trágica não por suas falhas (que existem, inclusive sua incapacidade de ler o tabuleiro político), mas por ser punida por algo que deveria ser seu direito.

Os que definiram o destino de Westeros

Os que definiram o destino de Westeros

Jon Snow (Aegon Targaryen): o rei que recusou a coroa

Há uma ironia estrutural em Jon Snow. Ele é, tecnicamente, o herdeiro legítimo do Trono de Ferro — filho de Rhaegar e Lyanna. E ele passa toda a série se recusando a perseguir poder. Enquanto Daenerys atravessa continentes para reclamar o que acredita ser seu, Jon dedica sua vida a combater os Caminhantes Brancos — uma ameaça que a maioria ignora.

Essa recusa em perseguir o trono é o que o torna, paradoxalmente, um dos melhores Targaryen. Ele herdou a capacidade de liderar, mas não a loucura de precisar dominar. A cena em que ele mata Daenerys no Salão do Trono — os dois sozinhos, ele com lágrimas nos olhos, ela acreditando até o fim que ele está lá para jurar lealdade — é o momento mais doloroso da série. Ele não fez por ambição. Fez porque era o que precisava ser feito.

Daenerys Targaryen: a libertadora que se tornou o que combateu

Não dá para falar dos maiores Targaryen sem abordar o elefante prateado na sala. Daenerys é, simultaneamente, a mais heroica e a mais trágica figura da casa. Ela aboliu escravidão em Essos. Ela trouxe dragões de volta ao mundo. Ela cruzou o Mar Estreito com um exército.

E ela queimou Porto Real.

A virada de Daenerys no final de ‘Game of Thrones’ gerou debates intermináveis. Foi mal escrita? Foi previsível? Independentemente da execução, o arco faz sentido temático: uma mulher criada para acreditar que o trono era seu direito, que sacrificou tudo por isso, e que descobriu — tarde demais — que o poder absoluto corrompe absolutamente. Seu legado é o aviso final sobre o que significa ser Targaryen.

Aegon I, o Conquistador: o zero absoluto

Tudo começa com ele. Aegon I não apenas uniu os Sete Reinos — ele inventou a ideia de que eles deveriam ser unidos. Antes dele, Westeros era um continente de reinos rivais. Depois dele, existia um conceito de “um reino, um rei”.

Seus dragões — especialmente Balerion, o Terror Negro — eram armas de destruição em massa. Mas sua visão ia além de conquistar. Ele criou o Pequeno Conselho, estabeleceu leis, fundou uma capital. Aegon I é o exemplo supremo de Targaryen cujo impacto transcende sua vida: 300 anos depois, o Trono de Ferro ainda é o centro do poder em Westeros porque ele o forjou.

Os esquecidos que merecem lembrança

Os esquecidos que merecem lembrança

Há figuras secundárias de ‘A Casa do Dragão’ que iluminam facetas da família. Baela Targaryen, filha de Daemon com Laena Velaryon, herdou a ferocidade do pai sem sua instabilidade. Helaena Targaryen, casada com Aegon II, é o coração gentil de uma família que não valoriza gentileza — e suas profecias crípticas sugerem que ela vê mais do que qualquer um.

Rhaena, a irmã de Baela, representa outro arquétipo: a Targaryen sem dragão. Em uma família onde o vínculo com dragões define valor, crescer sem um é ser invisibilizada. A segunda temporada de ‘A Casa do Dragão’ mostra seu arco de encontrar outro tipo de poder — mas seu legado ainda está sendo escrito.

O que define um “grande” Targaryen?

Olhando para esta família através de três séries, um padrão emerge. Os melhores Targaryen não são necessariamente os mais poderosos. São os que entenderam — cedo ou tarde — que poder é instrumento, não fim em si.

Aemon renunciou ao trono e encontrou propósito. Egg aprendeu com os pequenos e reinou com sabedoria. Jon Snow nunca quis coroas e salvou o mundo. Daenerys quis tudo e perdeu a si mesma. Aegon I conquistou, mas construiu. Daemon luta, mas raramente constrói.

A moeda que os deuses jogam não determina destino — escolhas determinam. E nisso, os Targaryen são espelho: cada um de nós carrega potencial para grandeza e destruição. O que nos define é o que fazemos com o poder que temos.

Se você chegou até aqui, provavelmente tem opiniões fortes sobre esse ranking. Qualquer lista de Targaryen é provocativa por definição — essa família sempre gerou debate, paixão e, ocasionalmente, fogo.

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Perguntas Frequentes sobre os Targaryen

Jon Snow é realmente um Targaryen?

Sim. Na 7ª temporada de ‘Game of Thrones’, é revelado que Jon Snow é na verdade Aegon Targaryen, filho legítimo de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark. Isso o torna o herdeiro legítimo do Trono de Ferro — com mais direito que Daenerys.

Quem foi o Targaryen mais poderoso da história?

Aegon I, o Conquistador, é o mais poderoso em termos de impacto — ele uniu os Sete Reinos e criou o conceito de um Westeros unificado. Em termos de dragões, ele montava Balerion, o maior dragão da história, e seus irmãs montavam Vhagar e Meraxes.

Quantos Targaryen sobrevivem ao final de ‘Game of Thrones’?

Dois: Jon Snow, exilado para além da Muralha, e a criança de Daenerys com Khal Drogo — que morreu ao nascer, mas tecnicamente contaria. A linhagem “oficial” dos Targaryen está extinta em Westeros.

Por que os Targaryen têm tantos casos de loucura?

A série atribui à tradição de casamentos entre membros da família para “manter o sangue puro”. Na prática narrativa, George R.R. Martin usa a “moeda dos deuses” como metáfora para o poder absoluto: ele corrompe alguns, eleva outros.

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ já foi adaptado para TV?

Não. ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ (The Hedge Knight) está em desenvolvimento como série da HBO, mas ainda sem data de estreia. A história acompanha o jovem Aegon V “Egg” e o cavaleiro Dunk, cerca de 90 anos antes dos eventos de ‘Game of Thrones’.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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