Nintendo está a um passo de criar seu próprio ‘Spider-Verse’ cinematográfico

A Nintendo pode criar seu próprio ‘Spider-Verse’ usando a solução ‘Toon Link’ para conciliar o filme live-action da Sony com crossovers animados da Illumination. Analisamos como ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ planta as sementes de um universo compartilhado — e os riscos desse modelo.

Quando ‘Homem-Aranha: No Aranhaverso’ estreou em 2018, mudou permanentemente como pensamos sobre adaptações. Não era apenas um filme de herói animado — era prova de que múltiplas versões de um mesmo personagem podiam coexistir sem confundir o público. Agora, a Nintendo está posicionada para fazer exatamente a mesma coisa. A chave pode estar em um detalhe que a maioria ignorou: a escolha de estilo visual para Link.

Os novos detalhes de ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ revelam que a Nintendo está finalmente expandindo além do encanador mais famoso do mundo. Com Fox McCloud de Star Fox e personagens de Pikmin confirmados no elenco, fica claro que o estúdio não está apenas fazendo uma sequência — está plantando as sementes de um Universo Cinematográfico Nintendo. Mas para que esse projeto funcione, existe um obstáculo aparentemente intransponível: Link, de ‘The Legend of Zelda’, já tem seu próprio filme live-action em desenvolvimento na Sony.

Por que Link é peça indispensável no projeto da Illumination

Super Smash Bros. sem Link seria como Os Vingadores sem Thor. Possível? Tecnicamente, sim. Completo? Absolutamente não. O personagem tem um dos maiores apelos crossover da história da empresa — reconhecimento instantâneo, estética icônica, décadas de presença cultural. Samus de Metroid seria uma adição valiosa, trazendo representatividade feminina e um sci-fi que a Nintendo mal explora em outras mídias. Personagens como Shulk, Captain Falcon e Marth teriam seu valor para nichos específicos. Mas Link está em outra categoria.

O problema é logístico: Wes Ball foi escalado para dirigir uma versão live-action de ‘The Legend of Zelda’ para a Sony, com Benjamin Evan Ainsworth cotado para viver o herói. Por que a Nintendo permitiria uma versão animada do mesmo personagem em um crossover da Illumination? A resposta está exatamente onde o cético diria que não estaria: no precedente criado pelo Aranhaverso.

A solução ‘Toon Link’ que resolveria o conflito de cronologias

A expressão ‘Toon Link’ não é termo da internet — é denominação oficial da Nintendo desde ‘Super Smash Bros. Brawl’ (2008). Ela se refere à versão estilizada do personagem que apareceu pela primeira vez em ‘The Legend of Zelda: The Wind Waker’ (2003), no GameCube. Visualmente, é um Link de proporções cartunescas, olhos grandes e movimentos exagerados — radicalmente diferente da interpretação ‘realista’ que a Sony provavelmente perseguirá.

Aqui está onde a análise fica interessante: essa diferença estética não é obstáculo — é solução. O público já foi educado pelo Aranhaverso a aceitar que versões distintas de um mesmo personagem habitam universos paralelos. Miles Morales e Peter Parker convivem. Spider-Gwen e Spider-Man 2099 compartilham tela. Ninguém saiu do cinema confuso. A Nintendo pode simplesmente declarar que o Link live-action da Sony e o Toon Link animado da Illumination são iterações diferentes do mesmo arquétipo — exatamente como os jogos fazem há décadas.

Nem preciso de um filme solo do personagem para justificar sua presença. Toon Link poderia aparecer diretamente em um projeto crossover tipo Smash Bros., com sua estética cel-shaded funcionando como contraponto visual ao estilo da Illumination. É uma gambiarra narrativa? Talvez. Mas é uma gambiarra que o público já provou que aceita.

O que ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ revela sobre a ambição da Nintendo

O que 'Super Mario Galaxy: O Filme' revela sobre a ambição da Nintendo

A decisão de incluir personagens de outras franquias na sequência de Mario não é casual. É declaração de intenções. A Illumination poderia facilmente ter feito mais um filme focado exclusivamente no Reino Cogumelo — o primeiro foi sucesso suficiente para justificar. Em vez disso, escolheu expandir. Isso sugere que os executivos enxergam algo maior: um ecossistema de personagens que podem orbitar uns aos outros.

O paralelo com a Marvel merece atenção. ‘Homem de Ferro’ (2008) funcionou como piloto para algo que se revelaria muito mais ambicioso. ‘Super Mario Bros.: O Filme’ (2023) pode estar cumprindo função similar. A diferença crucial é que a Nintendo não precisa construir seus personagens do zero — eles já existem na consciência cultural há 40 anos. O desafio não é apresentá-los, mas fazer com que coexistam de forma orgânica.

Os riscos de transpor o modelo ‘Aranhaverso’ para games

O modelo Spider-Verse funciona porque a Marvel preparou o terreno com uma década de filmes convencionais antes de quebrar as regras. A Nintendo está tentando pular essa etapa. Se o público não estiver preparado para aceitar duas versões de Link simultaneamente, o resultado pode ser confusão em vez de fascínio.

Há também a questão de qualidade. ‘Homem-Aranha: No Aranhaverso’ é referência visual porque cada frame foi construído com intenção artística específica — Spider-Man Noir usa texturas de gravura, Spider-Ham tem traço de desenho animado clássico, Miles Morales carrega grafite e ruas urbanas em sua estética. Se a Illumination simplesmente coloca um personagem de outra franquia sem adaptar sua linguagem visual, teremos não um crossover orgânico — mas um mashup desajeitado de estilos que não conversam.

A aposta em Toon Link resolve parte desse problema porque seu visual já é deliberadamente estilizado. Ele não precisa ‘se encaixar’ no mundo de Mario — ele pertence a uma categoria estética própria que justifica sua diferença. É o mesmo truque que o Aranhaverso usou com personagens de estéticas contrastantes que coexistem porque o filme estabelece que isso é normal.

Nintendo tem o mapa, mas precisa navegar com precisão

A peça central está no lugar: ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ abre as portas. O desafio está em como trazer Link para a festa sem sabotar o projeto live-action da Sony. A solução Toon Link é elegante — usa uma versão já existente e amada pelos fãs, com estética que justifica sua diferença do filme ‘séria’ da concorrente. Mas exige execução competente para não parecer desesperada.

Se a Nintendo conseguir vender a ideia de que múltiplos Links podem existir da mesma forma que múltiplos Homens-Aranha, teremos algo genuinamente novo: um universo compartilhado que não teme sua própria complexidade. Se falharem, teremos mais um exemplo de estúdio que confundiu ‘universo expandido’ com ‘jogar personagens na tela e torcer para funcionar’.

O precedente está criado. Agora depende de execução.

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Perguntas Frequentes sobre o Universo Cinematográfico Nintendo

Nintendo já tem um universo cinematográfico?

Ainda não oficialmente. ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ está plantando as sementes com aparições de personagens de outras franquias, mas a Nintendo não declarou publicamente um plano de universo compartilhado como a Marvel faz.

O que é Toon Link?

Toon Link é a denominação oficial da Nintendo para a versão estilizada do personagem, introduzida em ‘The Legend of Zelda: The Wind Waker’ (2003). Tem proporções cartunescas, olhos grandes e movimentos exagerados — diferente das versões mais ‘realistas’ da franquia.

‘The Legend of Zelda’ vai ter filme?

Sim. Um filme live-action de ‘The Legend of Zelda’ está em desenvolvimento na Sony, com Wes Ball (‘Planeta dos Macacos: O Reinado’) na direção. Benjamin Evan Ainsworth é cotado para o papel principal.

Quando sai ‘Super Mario Galaxy: O Filme’?

A data de estreia ainda não foi confirmada oficialmente pela Illumination ou Nintendo. O filme foi anunciado como sequência direta de ‘Super Mario Bros.: O Filme’ (2023).

Quais personagens da Nintendo podem aparecer em crossovers?

Além de Mario e Link, personagens com alto potencial de crossover incluem: Samus (Metroid), Fox McCloud (Star Fox), Pikachu e outros Pokémon, Kirby, Captain Falcon (F-Zero), e o elenco de Fire Emblem. A escolha dependerá de direitos e viabilidade visual.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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