Restam apenas 26 episódios inéditos de Jornada nas Estrelas na Paramount+ para encerrar a era Alex Kurtzman. Analisamos o legado de 251 episódios produzidos em nove anos e o que esperar das temporadas finais de ‘Strange New Worlds’ e ‘Academia da Frota Estelar’.
Quatro décadas. É o tempo que o número 47 reinou absoluto no universo de Jornada nas Estrelas na Paramount+ e em todas as suas encarnações. Desde que o roteirista Joseph Menosky começou a inserir o número em scripts de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração — temporadas 4 em diante — ele se tornou uma assinatura invisível, um Easter egg que fãs caçavam como tesouros. Em Star Trek: Academia da Frota Estelar, o vilão de Paul Giamatti buscava nada menos que ‘Omega-47’, uma substância capaz de destruir a Federação. O número estava em toda parte. Até agora.
Em março de 2026, o novo número mágico é 26. E ele não representa sorte ou tradição — representa um funeral anunciado. São os 26 episódios restantes de Star Trek: Strange New Worlds e Star Trek: Academia da Frota Estelar que ainda não estrearam. Quando eles terminarem, a era Alex Kurtzman na Paramount+ chega ao fim. Nenhum projeto novo em produção. Nenhum greenlit. A contagem regressiva começou.
16 episódios de Strange New Worlds, 10 de Academia: os números da despedida
Vamos aos números frios antes de falar do que eles representam emocionalmente. Star Trek: Strange New Worlds tem 16 episódios inéditos engatilhados: 10 da quarta temporada, previstos para o verão de 2026, e mais 6 da quinta e última temporada, com estreia prevista para 2027. Originalmente, a Paramount+ encerraria a série na quarta temporada. Os produtores executivos Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers negociaram seis episódios adicionais como despedida — curtos, mas significativos.
Star Trek: Academia da Frota Estelar tem 10 episódios restantes de sua segunda temporada, com estreia prevista para o início de 2027. A série foi cancelada após as filmagens da segunda temporada serem finalizadas em fevereiro de 2026. Não haverá terceiro ano para os cadetes.
Somados: 26 episódios. É tudo o que resta de uma era que começou em 2017 com Star Trek: Discovery.
251 episódios depois, o legado numérico da era Kurtzman
Aqui entra outro número que fãs deverão memorizar: 251. É a soma total de episódios produzidos pela Secret Hideout de Alex Kurtzman para a Paramount+. Discovery contribuiu com 65 episódios. Jornada nas Estrelas: Picard, 30. Star Trek: Lower Decks, 50. Star Trek: Prodigy, 40. Academia da Frota Estelar, 20. Strange New Worlds, 46. Este número não inclui Star Trek: Seção 31, o primeiro filme da franquia produzido especificamente para streaming.
Nove anos de produção constante. Múltiplas séries simultâneas. Um modelo que parecia destinado a expandir infinitamente — até não ser mais. O que temos agora é um vácuo. A Paramount Skydance declarou intenção de triplicar seus lançamentos de longas-metragens, e múltiplos filmes de Star Trek estariam em desenvolvimento. Mas na televisão? Silêncio.
Por que Strange New Worlds é o melhor capítulo final dessa era
Se você abandonou Star Trek em algum momento dos últimos nove anos — talvez durante as temporadas iniciais de Discovery, com sua mitologia densa e tom sombrio —, estes 26 episódios finais merecem uma segunda chance. Strange New Worlds representa o melhor do que a era Kurtzman produziu: uma volta consciente à estrutura episódica clássica, com a serialização usada como tempero, não como prato principal. Anson Mount encarna Christopher Pike com uma gravidade cansada que funciona precisamente porque sabemos seu destino — a radiação que o desfigurará está sempre presente, mesmo quando a série brinca com gêneros diferentes a cada semana.
A quarta temporada, chegando em meados de 2026, terá 10 episódios para continuar explorando a tripulação da Enterprise pré-Kirk. A quinta, com apenas 6 episódios, precisará funcionar como uma carta de despedida condensada — um desafio narrativo considerável para os showrunners.
Já Academia da Frota Estelar é um caso mais curioso. Sua primeira temporada dividiu opiniões com seu tom mais jovem e abordagem menos convencional da mitologia Trek. A promessa de Paul Giamatti como vilão buscava trazer peso dramático a uma série que muitos descartaram como ‘Star Trek para adolescentes’. Os 10 episódios finais terão que funcionar como conclusão de arcos iniciados e também como fechamento de uma série que não teve a oportunidade de amadurecer organicamente.
E depois do episódio 26? O futuro incerto da franquia na TV
A pergunta que nenhum fã quer fazer, mas todos estão pensando: e depois? A resposta honesta é que ninguém sabe. A Paramount Skydance valoriza a propriedade intelectual de Star Trek — não vai deixá-la apodrecer por uma década como aconteceu entre o fim de Jornada nas Estrelas: Enterprise em 2005 e o lançamento de Discovery em 2017. Mas valorizar uma IP e ter uma estratégia clara para ela são coisas diferentes.
O cenário mais provável é um hiato. Talvez não de 12 anos, mas significativo. A era Kurtzman será seguida por… algo. Uma reinvenção? Uma consolidação cinematográfica? Um retorno à televisão tradicional? Os filmes em desenvolvimento sugerem que a franquia não vai desaparecer, mas a experiência televisiva que definiu Star Trek desde os anos 60 pode entrar em pausa indefinida.
Isto torna os 26 episódios restantes mais do que entretenimento — são documentos de um momento específico da franquia, quando a Paramount+ apostou pesado em expandir o universo Trek para múltiplas séries simultâneas. Funcionou comercialmente por um tempo. Artisticamente, os resultados foram mistos — Picard teve uma terceira temporada redentora, Discovery nunca encontrou seu tom ideal, Lower Decks provou que animação adulta funcionava no universo, Strange New Worlds honrou a tradição.
Uma despedida que vale a pena acompanhar até o fim
Se você é daqueles fãs que acompanhou cada série dessa era, os 26 episódios finais são sua chance de encerrar essa jornada com dignidade. Se você abandonou em algum momento, é hora de reconsiderar — especialmente Strange New Worlds, que captura algo que fãs da série original sempre amaram: a sensação de que o espaço é vasto, cheio de maravilhas, e que cada semana pode trazer um novo mundo para explorar.
A quarta temporada de Strange New Worlds chega no verão de 2026. A segunda — e última — temporada de Academia da Frota Estelar estreia no início de 2027. A quinta temporada de Strange New Worlds, com seus 6 episódios finais, encerrará a era Kurtzman em algum momento de 2027.
Depois disso, o silêncio. Ou talvez não. A história da franquia é feita de mortes e renascimentos. A série original foi cancelada após três temporadas. The Next Generation durou sete, gerou quatro filmes e quatro séries derivadas. Enterprise morreu cedo, e a franquia passou uma década no limbo. Star Trek sempre encontrou um caminho de volta — talvez porque, no fundo, a ideia de explorar o desconhecido seja demasiado sedutora para morrer de vez.
O Easter egg do número 47 se encerra aqui. Os 26 episódios finais começam em breve. Depois, o futuro é — apropriadamente — uma fronteira desconhecida. Como diria Pike: ‘Vamos onde ninguém jamais foi.’ Incluindo, aparentemente, um Star Trek sem séries ativas na televisão.
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Perguntas Frequentes sobre Jornada nas Estrelas na Paramount+
Quantos episódios restam de Jornada nas Estrelas na Paramount+?
Restam 26 episódios inéditos no total: 16 de ‘Strange New Worlds’ (10 da quarta temporada + 6 da quinta) e 10 da segunda temporada de ‘Academia da Frota Estelar’. Após isso, nenhuma série Trek está em produção.
Strange New Worlds foi cancelada?
Sim. A quinta temporada, com apenas 6 episódios, será a última. Os produtores Akiva Goldsman e Henry Alonso Myers negociaram esses episódios adicionais como despedida após o cancelamento original na quarta temporada.
Quando estreia a quarta temporada de Strange New Worlds?
A quarta temporada de ‘Strange New Worlds’ está prevista para o verão de 2026 (entre junho e agosto no hemisfério norte). A quinta e última temporada deve chegar em 2027.
Vale a pena assistir Strange New Worlds sem conhecer Star Trek?
Sim. ‘Strange New Worlds’ funciona como ponto de entrada porque adota estrutura episódica clássica — cada episódio conta uma história completa. Não exige conhecimento prévio extensivo, embora fãs longtime aproveitem referências e o conhecimento do destino trágico do capitão Pike.
O que acontece com Star Trek depois do fim das séries?
A Paramount Skydance tem múltiplos filmes de Star Trek em desenvolvimento, mas nenhum projeto de série televisiva com greenlit. O cenário mais provável é um hiato significativo na produção para TV, similar ao período de 2005-2017 entre ‘Enterprise’ e ‘Discovery’.

