Durante as filmagens de ‘Imposters’, Jessica Rothe e a equipe relataram experiências sobrenaturais na locação histórica, incluindo objetos que se moviam sozinhos. A sessão espírita realizada no set revela como condições de produção reais moldaram o thriller que estreou no SXSW.
Alguns sets de filmagem são notórios por atmosferas pesadas — mas poucos chegam ao ponto de a equipe realizar uma sessão espírita para “limpar” a energia. Foi exatamente o que aconteceu durante as gravações de ‘Imposters’, o novo thriller de terror que estreou no SXSW e trouxe Jessica Rothe de volta ao gênero que a consagrou. Segundo a atriz, a locação histórica onde o filme foi rodado não apenas parecia assombrada — ela era, com pinturas que se moviam sozinhas e “coisas estranhas” acontecendo ao longo de toda a produção.
O relato surge de uma entrevista coletiva no festival, e não soa como marketing barato para criar hype. Pelo contrário: há uma genuinidade no depoimento de Rothe e do diretor Caleb Phillips que sugere que aquele ambiente de fato impactou a produção — e talvez até tenha contribuído para o resultado final. Quando você assiste a tanto terror fabricado em estúdio com CGI, ouvir sobre elencos que fazem sessões espíritas em casas dos anos 1800 é um lembrete de que cinema, no fundo, continua sendo uma arte física, sujeita às condições do mundo real.
O que é ‘Imposters’ e por que a casa assombrada importa
Antes de mergulhar nas bizarrices sobrenaturais, vale situar o que é este Imposters filme. Trata-se do debut na direção de longas de Caleb Phillips, anteriormente diretor de fotografia, e acompanha Marie (Rothe) e seu marido Paul (Charlie Bennett) num cenário clássico de terror rural: casa isolada na floresta, bebê que desaparece, mãe que entra na mata e volta com a criança sob circunstâncias misteriosas. A premissa evoca ‘Hereditário’ na dinâmica familiar desfeita por tragédia e desconfiança crescente, e ‘O Ritual’ no uso da floresta como espaço de horror primordial — mas Phillips constrói algo mais focado na paranoia do marido: será que aquela mulher que voltou da floresta é realmente sua esposa?
A casa onde grande parte da história se passa não é um set construído em estúdio. É uma propriedade real em Marlborough, nos arredores de Boston, com estrutura que remonta ao século XIX. E isso faz toda diferença. Phillips explicou que “nada naquela casa estava nivelado” — portas, pisos, tudo torto. A consequência prática? A produção não conseguiu usar dolly para o filme inteiro, porque os trilhos simplesmente não funcionariam em pisos irregulares. Essa limitação técnica forçou escolhas de linguagem visual: mais câmera na mão, mais enquadramentos estáticos que fixam o espectador no desconforto daquele ambiente. Acidentalmente ou não, o resultado amplifica a sensação de algo errado, de um espaço que não se alinha com a realidade.
A sessão espírita e os fantasmas “amigáveis”
O momento mais curioso do relato vem de Jessica Rothe, que descreveu a penúltima noite de filmagem: “Parte da nossa equipe fez uma sessão espírita, e coisas assustadoras aconteceram — pinturas se movendo, coisas estranhas rolando”. Ela completa com uma risada: “Mas acho que era um fantasma amigável, feliz com o trabalho que estávamos fazendo. Ninguém está amaldiçoado — ainda.”
O que torna isso interessante não é a veracidade sobrenatural (cada um acredita no que quiser), mas o fato de que essa atmosfera permeou toda a produção. Yul Vazquez, o ator que Phillips chamou especificamente após vê-lo em ‘Ruptura’, descreveu o design da casa como “bananas” — não no sentido de extravagante, mas de completamente fora do normal. Quando um elenco descreve o local de trabalho dessa forma, algo dessa estranheza inevitavelmente transborda para a tela.
Há uma tradição longa em cinema de produções “amaldiçoadas” ou sets onde coisas estranhas aconteceram — de ‘O Exorcista’ a ‘Poltergeist’, de ‘Apocalypse Now’ a ‘The Crow’. A maioria é lenda urbana amplificada por marketing. Mas o relato de ‘Imposters’ se sente diferente justamente por ser tão mundano. Ninguém morreu, não houve tragédias. Apenas uma equipe de cinema trabalhando num lugar antigo, percebendo que objetos se moviam, e decidindo fazer uma sessão espírita como quem faz um chá para acalmar os nervos. É quase um retrato de como profissionais de cinema lidam com o inexplicável: reconhecem, processam, e continuam trabalhando.
Jessica Rothe e o retorno ao terror
Para Rothe, ‘Imposters’ marca um retorno deliberado ao terror — gênero que ela evitou desde ‘A Morte Te Dá Parabéns 2’, em 2019. Nos anos intermediários, ela diversificou: musicais como o remake de ‘Sonhos Rebeldes’, comédias de ação como ‘Contra o Mundo’, dramas médicos como ‘Pulso’. Mas ao ler o roteiro de Phillips, ela encontrou algo diferente.
“Sempre procuro projetos que me assustam e representam um desafio”, explicou. E Marie é de fato um papel que exige camadas — uma mulher cuja determinação em recuperar sua família beira o obsessivo, cujas motivações permanecem ambíguas até o final. Rothe menciona que o filme “vai em tantas direções malucas” que ela própria foi surpreendida ao ler o roteiro. Há uma diferença fundamental entre o terror que ela fez antes — aquele slasher com loop temporal divertido e autoconsciente — e este, que opera num registro mais psicológico e atmosférico.
O processo de trabalho também foi diferente. Rothe descreve uma colaboração intensa com Charlie Bennett, ensaiando em casa após os dias de filmagem, “colocando as cenas no corpo” para que, no set, pudessem improvisar dentro da estrutura. É o tipo de relato que sugere um filme feito com mais preparação do que o orçamento enxuto permitiria supor — e que talvez explique por que as críticas pós-SXSW têm elogiado tanto a performance central quanto a construção de mistério.
Um debut que sabe o que quer ser
Caleb Phillips falou algo que raramente se ouve de diretores em seu primeiro longa: “Tentei fazer filmes que eu achava que deveria fazer várias vezes, e sempre ficava insatisfeito. Desta vez, me entreguei completamente aos meus tropos favoritos, ao meu ritmo favorito.”
Essa honestidade é refrescante. Muitos estreantes tentam impressionar mostrando versatilidade, pulando entre tons e estilos num único filme. Phillips parece ter feito o oposto: abraçou exatamente o tipo de história que quer contar, incluindo a decisão de deixar o ritmo respirar em certos momentos e acelerar em outros. A casa assombrada, os pisos tortos que impediram dollies, a locação real que forçou limitações práticas — tudo isso provavelmente contribuiu para um visual que não parece esterilizado, mas orgânico ao ambiente.
Yul Vazquez, o veterano que Phillips buscou especificamente após vê-lo em ‘Ruptura’, resumiu sua atração pelo projeto de forma simples: “Lendo o roteiro, eu nunca estava à frente da história. E isso é uma boa notícia.” Para um filme que depende de reviravoltas, esse é talvez o maior elogio possível — sugerindo que Phillips construiu uma narrativa que genuinamente surpreende, não apela para choques fáceis.
O que esperar de ‘Imposters’
O filme ainda não tem data de lançamento comercial anunciada — o circuito de festivais frequentemente funciona como vitrine para distribuidores encontrarem projetos. Mas os sinais são promissores: críticas favoráveis do SXSW, elogios específicos ao mistério central e à performance de Rothe, e uma produção cujas histórias de bastidores sugerem um compromisso com a autenticidade do ambiente.
Para quem aprecia terror que se constrói na atmosfera e na desconfiança entre personagens mais do que em sustos fáceis, ‘Imposters’ parece estar no caminho certo. A casa assombrada pode ou não ter fantasmas reais, mas ela certamente forçou a produção a operar de formas que um estúdio controlado nunca permitiria — e no terror, essa imprevisibilidade física frequentemente se traduz em algo valioso na tela.
Se a equipe realmente conversou com espíritos na penúltima noite de filmagem, isso fica entre eles e o além. Mas o resultado sugere que, fantasma amigável ou não, o ambiente colaborou. Às vezes, o melhor efeito especial é simplesmente filmar num lugar que já carrega sua própria história.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Imposters’
Onde assistir ‘Imposters’?
‘Imposters’ ainda não tem distribuidora comercial anunciada. O filme estreou no SXSW em março de 2026 e deve ser adquirido por uma plataforma de streaming ou distribuidora nos próximos meses.
Jessica Rothe já fez outros filmes de terror?
Sim. Jessica Rothe é conhecida por ‘A Morte Te Dá Parabéns’ (2017) e sua sequência de 2019, slashers com loop temporal. ‘Imposters’ marca seu retorno ao gênero após sete anos focada em comédias e dramas.
Quem dirige ‘Imposters’?
Caleb Phillips, em seu debut como diretor de longa-metragem. Anteriormente ele trabalhava como diretor de fotografia, o que explica a atenção dada à linguagem visual do filme.
‘Imposters’ é baseado em história real?
Não. O roteiro é original de Caleb Phillips. A casa assombrada onde o filme foi rodado é real e data do século XIX, mas a história de Marie e Paul é ficcional.
Para quem é recomendado ‘Imposters’?
Para quem gosta de terror psicológico e atmosférico, com foco em tensão e mistério em vez de sustos fáceis. Fãs de ‘Hereditário’ e ‘O Ritual’ encontrarão ecos familiares.

