‘Discovery’ acabou, mas Doug Jones já sabe qual seria o próximo passo de Saru

No 53º Saturn Awards, Doug Jones improvisou ao vivo a ideia de um spinoff com Saru e T’Rina navegando diplomacia intergaláctica e vida a dois no século 32. Explicamos por que o conceito aproveita exatamente o que Discovery deixou na mesa — e por que faz mais sentido do que parece.

Doug Jones estava no tapete vermelho do 53º Saturn Awards quando a pergunta caiu: o que ele gostaria de ver a seguir no universo Star Trek? O ator que passou cinco temporadas dentro de próteses elaboradas para dar vida ao Capitão Saru começou com a modéstia esperada — ‘isso é uma pergunta para os Roddenberrys’ — e então, quase por acidente, improvisou uma ideia tão boa que merece ser levada a sério.

‘Já que a Presidente T’Rina e eu nos casamos finalmente… ela é vulcana, eu sou kelpiano. Vamos explorar que mundo vivemos juntos e ter nossa própria série.’

Simples assim. Mas vamos destrinchar por que o Saru T’Rina spinoff faz mais sentido do que parece à primeira vista.

O que ‘Discovery’ construiu que nunca foi aproveitado de verdade

O que 'Discovery' construiu que nunca foi aproveitado de verdade

A romance entre Saru e T’Rina foi um dos melhores elementos da fase final de Star Trek: Discovery — e também um dos mais frustrantemente subdesenvolvidos. O que começou como uma aproximação cautelosa entre um Embaixador kelpiano e a Presidente vulcana de Ni’Var evoluiu em câmera lenta ao longo de temporadas, culminando no casamento que encerrou a série em 2024.

O problema é que o casamento foi basicamente o destino. A série terminou antes de mostrar o que vem depois.

E ‘o que vem depois’ aqui não é trivial. Saru é o primeiro kelpiano a ter um romance com uma vulcana na história de Star Trek. T’Rina governa Ni’Var, o planeta compartilhado por vulcanos e romulanos — uma coabitação que por si só já seria material para uma série inteira. Juntos, eles representam uma interseção única: diplomacia interestelar, diferenças culturais profundas, e os desafios cotidianos de um casal que literalmente vem de mundos diferentes.

Isso é ficção científica com substância. Não precisa de nave explodindo em cada episódio.

Por que o século 32 é o cenário político mais rico que ‘Star Trek’ já criou

Existe um apetite real por Star Trek mais voltado à diplomacia e às consequências políticas da Federação. O projeto Star Trek: United, idealizado pelo roteirista de Enterprise Michael Sussman, imagina um drama político com Scott Bakula retornando como o Presidente Jonathan Archer — o que indica que há quem veja potencial nessa direção.

Um spinoff de Saru e T’Rina operaria em registro diferente, mas complementar. O século 32 — onde Discovery se passa — é uma Federação politicamente fragmentada, ainda se recuperando de ‘O Dilema’ que a quase destruiu. É um cenário muito mais ambíguo do que a Federação utópica clássica: as negociações não são entre humanos e klingons num contexto de Guerra Fria espacial, mas entre civilizações reconstruindo confiança depois de décadas de isolamento forçado.

Saru como Embaixador e T’Rina como líder de Ni’Var — o planeta que equilibra vulcanos e romulanos sob o mesmo teto — no centro dessas tensões? A dramaturgia se escreve sozinha, e sem precisar de um vilão convencional.

Doug Jones precisaria voltar para as próteses — e isso não é pouca coisa

Doug Jones precisaria voltar para as próteses — e isso não é pouca coisa

Há um detalhe prático que vale mencionar: Doug Jones passou quatro décadas da carreira usando maquiagem prostética. O Fauno em O Labirinto do Fauno, Abe Sapien em Hellboy, o Homem Anfíbio em A Forma da Água — a lista é longa e fisicamente exigente. Quando Discovery terminou, ele falou com evidente alívio sobre estar fazendo papéis sem nada na cara.

Isso significa que qualquer retorno como Saru exigiria uma proposta que valesse o esforço. Jones foi explícito: estaria aberto a voltar ‘se Star Trek viesse com um projeto digno.’ A notícia realista é que não há nada em produção ou aprovado na Paramount Skydance agora. A ideia nasceu ao vivo, no improviso de um tapete vermelho.

O retorno mais provável de Saru no curto prazo seria em Star Trek: Academia da Frota Estelar, cuja segunda temporada terminou as filmagens recentemente. Se isso está acontecendo, Jones não vai confirmar — e essa é exatamente a resposta que daria se fosse verdade.

A ideia que merecia não ter sido improvisada

O que chama atenção na proposta de Jones não é a originalidade do conceito — casal de culturas diferentes navegando política e vida conjugal é território mapeado na ficção. O que chama atenção é a naturalidade com que ele articulou algo que a própria Paramount poderia ter desenvolvido conscientemente.

O Saru T’Rina spinoff funcionaria porque não dependeria de nostalgia. Não é uma série sobre voltar a um período favorito dos fãs, como Strange New Worlds faz com a era Kirk. É uma série sobre ir adiante — explorar o que acontece quando dois personagens que o público acompanhou por anos finalmente chegam onde queriam e descobrem que o destino era só o começo.

Isso é, curiosamente, o que Star Trek sempre fez de melhor quando estava no seu auge: usar o espaço como metáfora para questões que importam de verdade. Identidade. Pertencimento. O que significa construir algo junto quando tudo ao redor ainda é incerto.

A Paramount pode não escutar. Mas Doug Jones falou sem roteiro, sem assessoria, sem agenda — e saiu com uma proposta mais coesa do que muitas reuniões de desenvolvimento de série. Às vezes é assim que as melhores ideias aparecem.

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Perguntas Frequentes sobre o possível spinoff de Saru e T’Rina

O spinoff de Saru e T’Rina está confirmado?

Não. A ideia foi improvisada por Doug Jones em entrevista no tapete vermelho do Saturn Awards em 2026. Não há projeto em desenvolvimento ou aprovado pela Paramount Skydance até o momento.

Onde assistir ‘Star Trek: Discovery’?

Todas as cinco temporadas de Star Trek: Discovery estão disponíveis na Paramount+. A série foi encerrada em 2024 com o casamento de Saru e T’Rina.

Quem é T’Rina em ‘Star Trek: Discovery’?

T’Rina é a Presidente de Ni’Var, planeta habitado por vulcanos e romulanos no século 32. Interpretada por Tara Rosling, ela é o interesse romântico de Saru e uma das figuras políticas centrais das últimas temporadas da série.

Doug Jones vai aparecer em ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’?

Não há confirmação oficial. Jones não descartou a possibilidade e sua postura evasiva em entrevistas recentes alimenta especulações, mas nada foi anunciado pela Paramount.

Quais outros spinoffs de ‘Star Trek’ estão em desenvolvimento?

A Paramount tem em andamento Star Trek: Academia da Frota Estelar (em produção) e Star Trek: Strange New Worlds (em exibição). O projeto Star Trek: United, com Scott Bakula, foi idealizado por Michael Sussman mas não tem aprovação oficial confirmada.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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