Selecionamos 10 séries que, como ‘Deadloch’, equilibram crime e humor negro sem que um sabote o outro. Do refinamento de ‘Only Murders in the Building’ ao procedural paródico de ‘Poker Face’, cada opção mantém o mesmo princípio: assassinato é sério, a vida ao redor dele é que é ridícula.
‘Deadloch’ foi originalmente pitchada como ‘Broadchurch engraçado’ — e essa descrição captura algo essencial sobre o desafio que poucas séries conseguem superar: misturar assassinato e comédia sem que um sabote o outro. A produção australiana da Prime Video acertou onde muitos erram, cravando 100% no Rotten Tomatoes e conquistando audiência em mais de 150 países. Se você está procurando séries parecidas com Deadloch, o critério aqui não é apenas ‘tem crime’ ou ‘tem humor’. É sobre obras que entendem que o absurdo da existência humana pode ser hilário e devastador ao mesmo tempo — frequentemente na mesma cena.
O que torna ‘Deadloch’ singular é a forma como suas criadoras, as comediantes Kate McCartney e Kate McLennan, construíram uma sátira afiada que nunca deixa de ser um thriller legítimo. Você ri das idiossincrasias de uma cidade pequena na Tasmânia, mas também se importa com os mortos. Essa é a barra que as séries abaixo tentam alcançar.
Only Murders in the Building: o equilíbrio mais refinado da lista
No topo por um motivo simples: nenhuma série contemporânea equilibra crime e comédia com tanta elegância. Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez interpretam três vizinhos de um prédio em Manhattan que, movidos por obsessão por podcasts de true crime, decidem investigar um assassinato no próprio edifício. A premissa já é uma piada com o fenômeno cultural que transformou todo cidadão comum em detetive amador.
A série, disponível no Star+ (Disney+ no Brasil), tem quatro temporadas completas e já renovada para a quinta. A genialidade está em como trata seus protagonistas: eles são simultaneamente competentes e patéticos. Martin Short entrega momentos de comédia física que seriam pura farsa se não fossem ancorados por melancolia genuína. Quando a série quer ser séria, ela é — os assassinatos têm peso, as vítimas importam. Mas ela nunca esquece que parte do apelo de true crime é o voyeurismo bizarro de gente comum se fascinando pela morte alheia.
A dinâmica de detetives amadores em ambiente fechado ecoa ‘Deadloch’, mas o que realmente aproxima as duas é a autoconsciência: ambas sabem que estão trabalhando com um gênero cheio de clichês e escolhem abraçá-los enquanto os subvertem.
Poker Face: procedural clássico com twist moderno
Rian Johnson, o mesmo diretor de ‘Knives Out’, criou em ‘Poker Face’ uma homenagem aos procedurais clássicos de detetive — aqueles em que cada episódio apresenta um crime novo. A diferença é que Charlie Cale, interpretada por Natasha Lyonne com naturalidade que beira o preguiçoso, não é uma gênia forense. Ela simplesmente sabe quando alguém está mentindo. Habilidade sobrenatural apresentada como fato cotidiano.
Disponível na Netflix com duas temporadas, a série brilha pelo humor que emerge da personalidade de Charlie: ela é relutante, cansada, frequentemente irritada com ter que resolver crimes quando só queria seguir sua vida. Há algo genuinamente engraçado em ver uma mulher que se veste como se tivesse acordado há cinco minutos desmontando mentiras elaboradas de assassinos meticulosos. Lyonne tem timing cômico que transforma cenas de interrogação em pequenas peças de teatro absurdo.
A estrutura episódica lembra os clássicos ‘mystery of the week’, mas cada caso funciona como mini-antologia, com elenco convidado de peso. Para quem gostou do tom procedural paródico de ‘Deadloch’, ‘Poker Face’ oferece versão mais estilizada mas igualmente consciente de seu próprio absurdo.
Depois da Festa: formato whodunit com elenco de comédia
Esta série da Apple TV+ é a mais explícita na missão de fundir crime e comédia. Tiffany Haddish interpreta a Detetive Danner, investigando assassinatos que ocorrem durante festas — cada temporada foca em um evento social diferente. O formato permite explorar dinâmicas de grupo: um casamento na primeira temporada, uma formatura universitária na segunda.
Haddish é conhecida por comédia física e improvisação, e a série dá espaço para seu talento. Mas o que surpreende é o elenco de apoio, particularmente Sam Richardson como Aniq, personagem que serve como âncora emocional. A série entende que para a comédia funcionar dentro de contexto de assassinato, precisamos de personagens que genuinamente se importam com as vítimas.
Duas temporadas completas, com status de cancelamento confirmado — o que diz mais sobre a dificuldade de marketing desse híbrido de gêneros do que sobre sua qualidade. Vale assistir antes que saia do catálogo.
Orphan Black: clones, conspirações e humor no absurdo científico
À primeira vista, ‘Orphan Black’ parece um thriller sci-fi sério sobre clonagem humana. E de fato é — mas Tatiana Maslany, interpretando múltiplas versões da mesma pessoa, injeta humor caótico que transforma cenas potencialmente pretensiosas em momentos de comédia genuína. A série correu entre 2013 e 2017 na BBC America (disponível no Brasil via Amazon Prime Video), e Maslany ganhou um Emmy justificado por desempenho que exigia diferenciar visualmente cada clone e dar a cada um personalidade cômica distinta.
Cinco temporadas completas, história encerrada. Quando Sarah Manning, uma das protagonistas, assume a identidade de uma policial morta, a série se permite explorar o absurdo da situação: mulher tentando fingir ser outra enquanto descobre conspiração global sobre sua própria existência. É material de comédia negra disfarçado de thriller.
Mal de Família: comédia ácida sobre morte e fraude
Sharon Horgan, criadora e protagonista de ‘Mal de Família’ (Apple TV+), construiu algo raro: série sobre morte e fraude de seguro que é consistentemente engraçada. A premissa: o marido abusivo de Eva Garvey morre, deixando ela e suas quatro irmãs sob investigação. A estrutura temporal, alternando entre antes e depois da morte, permite explorar complexidades de relacionamentos familiares sem romantizar.
Duas temporadas disponíveis. O humor aqui é mais ácido que em ‘Deadloch’ — é a comédia de quem sobreviveu a situações que não deveriam ser engraçadas. Horgan tem histórico em comédia britânica (‘Catastrophe’), e isso transparece em diálogos simultaneamente cruéis e hilários. Quando as irmãs discutem o funeral do marido morto, a conversa oscila entre pragmatismo financeiro e trauma emocional — você ri enquanto se pergunta se deveria.
Filho Pródigo: tragicomédia sobre legado familiar
Tom Payne interpreta Malcolm Bright, profiler do NYPD cujo pai, interpretado por Michael Sheen em modo de charme sinistro, é um serial killer conhecido como ‘The Surgeon’. A premissa soa como thriller sombrio, e de fato a série tem momentos de tensão genuína. Mas o que emerge é tragicomédia sobre legado familiar e a impossibilidade de escapar das sombras patistas.
Duas temporadas na Fox (disponível no Brasil via Amazon Prime Video), série cancelada em 2021. Sheen claramente se diverte com o papel, injetando humor sádico que transforma cenas de prisão em diálogos quase teatrais. A dinâmica entre pai e filho funciona como versão extrema de famílias disfuncionais normais: sim, seu pai pode não ser assassino em série, mas quantas pessoas têm relacionamentos com pais que se recusam a aceitar a realidade?
Com os Nervos em Franja: australiana, claustrofóbica e afiada
Criada, escrita e estrelada por Sarah Kendall, ‘Com os Nervos em Franja’ (Amazon Prime Video) compartilha com ‘Deadloch’ não apenas nacionalidade, mas obsessão pela dinâmica sufocante de comunidades pequenas. Kendall interpreta Sammy, mulher que retorna à Austrália após a morte desonrosa do marido, descobrindo que sua cidade natal é tão claustrofóbica quanto lembrava.
Duas temporadas. A série é menos focada em crime que outras desta lista, mas quando elementos criminais emergem, são tratados com a mesma mistura de gravidade e absurdo que marca ‘Deadloch’. Kendall vem do stand-up, e isso transparece na construção de personagens secundários que são simultaneamente tipos reconhecíveis e indivíduos tridimensionais.
Broadchurch: o original que Deadloch parodia com amor
Não dá para falar de ‘Deadloch’ sem mencionar a série que suas criadoras explicitamente citaram como referência. ‘Broadchurch’, estrelada por David Tennant e Olivia Colman, é drama criminal britânico que se tornou referência do gênero ‘small town murder mystery’. Cada temporada foca em um único caso, permitindo que a investigação respire e que a comunidade seja mapeada em sua complexidade.
Três temporadas completas, disponíveis na Netflix e Amazon Prime Video. A diferença tonal é aborme: onde ‘Deadloch’ injeta comédia em cada cena possível, ‘Broadchurch’ mantém seriedade quase lúgubre. Tennant interpreta detetive com segredos pessoais devastadores, enquanto Colman traz humanidade crua para policial cuja vida pessoal desmorona durante a investigação. É teatro grego disfarçado de procedural moderno.
Por que assistir se você busca o humor de ‘Deadloch’? Porque entender ‘Broadchurch’ é entender exatamente o que ‘Deadloch’ está subvertendo. A paródia funciona melhor quando você conhece o original. E ‘Broadchurch’, divorciada de comparações, é um dos melhores dramas criminais do século.
Killing Eve: a perseguição mais bizarra da TV
Sandra Oh como analista do MI5 e Jodie Comer como assassina psicopata: essa é a dupla que sustenta quatro temporadas de ‘Killing Eve’ (disponível na Netflix), série que transformou a dinâmica gato-e-rato em algo íntimo e perturbador. A série passou por quatro showrunners diferentes em suas quatro temporadas, incluindo Phoebe Waller-Bridge e Emerald Fennell — mudança constante de vozes criativas que gerou série que nunca se acomoda.
O humor emerge da própria absurdez da obsessão mútua entre as protagonistas. Villanelle, a assassina, não apenas mata — ela performa, criando cenários teatrais para suas vítimas. Eve, a analista, começa como profissional competente e gradualmente desce a uma obsessão que beira o romântico. A série se permite momentos de comédia física pura, como quando Villanelle invade a casa de Eve e as duas terminam em situação simultaneamente aterrorizante e hilária.
Dexter: o serial killer que você torce para não ser pego
Michael C. Hall interpretou por oito temporadas um dos protagonistas mais eticamente complicados da TV moderna: analista forense que também é serial killer, mas que apenas mata outros assassinos. A série brinca constantemente com a simpatia do público, forçando você a torcer por alguém que, por qualquer definição moral convencional, é um monstro.
Disponível na Netflix e Amazon Prime Video. O humor aqui é mais sutil que em ‘Deadloch’, mas está presente — frequentemente na forma de monólogos internos de Dexter sobre a hipocrisia da sociedade. Quando ele observa colegas expressando horror sobre crimes enquanto escondem seus próprios segredos, a série faz sátira social que precede o tipo de crítica que ‘Deadloch’ faz de comunidades pequenas.
A série perdeu fôlego em temporadas posteriores, e o final controverso permanece um dos mais debatidos da TV moderna. Mas em seu auge, ‘Dexter’ demonstrou que você pode construir comédia em torno de serial killer sem trivializar suas vítimas — desde que o alvo da piada seja a sociedade que produz monstros.
Qual escolher primeiro?
O que todas essas séries demonstram é que a mistura de crime e comédia não é impossível — apenas dificílima. O erro comum de séries que tentam e falham é tratar o assassinato como piada. O que ‘Deadloch’ e suas sucessoras espirituais entendem é que o crime é sério; a vida das pessoas ao redor do crime, essa sim é frequentemente ridícula.
Para recomendações práticas: comece com ‘Only Murders in the Building’ se quer o equilíbrio mais refinado; tente ‘Poker Face’ se prefere procedurais clássicos com twist moderno; não pule ‘Broadchurch’ se quer entender exatamente o que ‘Deadloch’ está homenageando enquanto parodia. Cada uma dessas séries merece existir por conta própria — e juntas, formam um corpus que demonstra que o gênero crime-comédia não é oximoro.
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Perguntas Frequentes sobre séries parecidas com Deadloch
Onde assistir Deadloch no Brasil?
‘Deadloch’ está disponível exclusivamente no Amazon Prime Video. A série tem duas temporadas completas, com a segunda lançada em 2024.
Deadloch vai ter 3ª temporada?
Até março de 2026, a Amazon não renovou ‘Deadloch’ para uma terceira temporada. As criadoras Kate McCartney e Kate McLennan deixaram o final da 2ª temporada aberto, mas também funcional como encerramento da série.
Qual série mais parecida com Deadloch?
‘Only Murders in the Building’ é a mais próxima em termos de equilíbrio entre crime e comédia. Se você quer algo mais explicitamente paródico, ‘Poker Face’ é a melhor opção. Para entender as referências de ‘Deadloch’, ‘Broadchurch’ é essencial.
Quantas temporadas tem Only Murders in the Building?
‘Only Murders in the Building’ tem quatro temporadas completas disponíveis no Star+ (Disney+ no Brasil), com a quinta temporada já confirmada para 2026.
Deadloch é baseada em história real?
Não. ‘Deadloch’ é ficção original das criadoras Kate McCartney e Kate McLennan. A cidade de Deadloch e seus personagens são fictícios, embora a série use a Tasmânia como cenário real.

