O filme de Garfield com Chris Pratt atingiu 36% de aprovação crítica apesar do sucesso de bilheteria. Analisamos por que a escolha de Pratt foi equivocada e como a série da Paramount, com Lamorne Morris, pode resgatar a essência preguiçosa e sarcástica do personagem.
Existe um tipo de fracasso que dói mais que outros: o que dá lucro. ‘Garfield – Fora de Casa’ arrecadou mais de 250 milhões de dólares globalmente, provando que o gato laranja ainda tem fãs fiéis. Mas os 36% de aprovação crítica no Rotten Tomatoes contam uma história diferente — a de um projeto que priorizou star power sobre essência. Agora, a Paramount tenta acertar a mão com uma série animada que pode ser exatamente o que o personagem merece.
O anúncio da série chega como uma espécie de redenção para quem cresceu lendo as tirinhas de Jim Davis e assistindo aos especiais animados dos anos 80 e 90. Diferente do filme de 2024, que parecia obcecado em justificar seu orçamento com set pieces grandiosos e um elenco de pesos pesados, a produção televisiva tem sinais promissores de que entende o que faz Garfield funcionar: preguiça, sarcasmo e uma dose saudável de cinismo.
Por que Chris Pratt era a escolha errada para o gato laranja
Chris Pratt tem carisma para vender. Como Peter Quill em ‘Guardiões da Galáxia’, ele consegue ser engraçado e surpreendentemente emotivo. Em ‘Jurassic World’, carregou um filme problemático nas costas com pura energia de herói de ação clássico. E quando dublou Mario em ‘Super Mario Bros. O Filme’, a controvérsia inicial se dissolveu diante de um desempenho que funcionou.
Mas Garfield não é Mario. Garfield não é Star-Lord. Garfield é, fundamentalmente, um personagem de apatia. Sua comédia vem da relutância em fazer qualquer coisa, do desprezo genuíno por segunda-feira, da obsessão doentia por lasanha. Pratt, por construção, traz energia para tudo que faz. Até quando tenta ser sarcástico, há um entusiasmo subjacente que trai a premissa do personagem.
O resultado foi um Garfield que parecia ter tomado três latas de Red Bull antes de cada cena. Funcionou para o público geral? Os 78% de aprovação da audiência sugerem que sim, para famílias que queriam 90 minutos de distração colorida. Mas para quem conhece o material original, foi como ver um comediante de stand-up interpretar Hamlet — tecnicamente competente, mas fundamentalmente equivocado.
Lamorne Morris e o retorno ao humor seco
A série animada da Paramount vem sendo desenvolvida há sete anos — um tempo de gestação que sugere algo mais ambicioso que um cash-in rápido. E a escolha de Lamorne Morris para a voz de Garfield é inspirada.
Morris, conhecido por ‘New Girl’, tem um timing cômico diferente de Pratt. Sua comédia é mais seca, mais internalizada, mais próxima da tradição do humor deadpan que define Garfield desde suas tirinhas originais. Se Lorenzo Music — a voz definitiva do personagem nas animações clássicas — construía o gato com uma sonolência calculada, Morris parece ter o tipo de energia que pode honrar esse legado sem copiá-lo.
O formato de série também oferece vantas que o cinema não consegue igualar. Em 90 minutos, um filme precisa necessariamente inflar as apostas — salvar o pai biológico, enfrentar vilões corporativos, criar uma jornada heróica que o personagem nunca pediu. Uma série pode voltar ao básico: Garfield no sofá, Odie sendo idiota, Jon Arbuckle tragicamente solteiro. É aí que a magia acontece.
O paradoxo de adaptar personagens definidos pela inação
Existe um problema fundamental em adaptar Garfield para telas grandes. O personagem é definido pela inação, mas blockbusters são definidos por movimento constante. ‘Garfield – Fora de Casa’ tentou resolver isso transformando o gato em uma espécie de herói de aventura, com sequências de ação que seriam mais apropriadas para ‘Uma Aventura Lego’ do que para uma história de um felino que mal levanta do sofá.
A série tem a oportunidade de resistir a essa tentação. Animação para TV permite ritmos mais lentos, episódios autocontidos, histórias que não precisam justificar um ingresso de cinema com explosões e perseguições. Pode — e deveria — abraçar o que faz as tirinhas funcionarem há mais de quatro décadas: o humor está na observação do mundano, não na grandiosidade do espetáculo.
As animações clássicas de Garfield provaram que é possível ter fantasia e surrealismo sem trair a personalidade do personagem. Mas essa fantasia vinha da imaginação do gato, não de ameaças externas que exigem transformá-lo em algo que ele nunca foi.
A série pode ser a adaptação que fãs esperam há décadas
O filme de 2024 não foi um desastre absoluto — a bilheteria garantiu que uma sequência já esteja em desenvolvimento. Mas a existência paralela da série da Paramount oferece algo que o cinema de Pratt talvez nunca consiga entregar: uma versão de Garfield que prioriza o personagem acima do marketing.
Para fãs de longa data, a escolha é clara. O filme serviu como introdução para novas gerações, mas falhou em capturar o que torna o gato especial. A série, com seu desenvolvimento prolongado e casting mais intuitivo, tem potencial para ser a adaptação definitiva que esperamos desde que Lorenzo Music pendurou as falas sobre ‘odiar segundas-feiras’ nos anos 80.
Fica a pergunta: a sequência cinematográfica aprenderá com os erros do primeiro filme, ou continuará apostando em star power sobre fidelidade? Com a série oferecendo uma alternativa mais autêntica, talvez não precisemos nem descobrir.
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Perguntas Frequentes sobre Garfield
Quando estreia a série de Garfield da Paramount?
A série animada de Garfield está em desenvolvimento há sete anos, mas ainda não tem data de estreia oficial anunciada. A Paramount deve revelar mais informações em breve.
Quem vai dublar Garfield na nova série?
Lamorne Morris, conhecido pela série ‘New Girl’, foi escalado para a voz de Garfield na produção da Paramount. Ele substitui Chris Pratt, que dublou o personagem no filme de 2024.
Onde assistir o filme de Garfield com Chris Pratt?
‘Garfield – Fora de Casa’ (2024) está disponível em plataformas de aluguel digital como Amazon Prime Video, Apple TV e Google Play. Também pode ser encontrado em Blu-ray e DVD.
Vai ter Garfield 2?
Sim, uma sequência do filme de 2024 já está em desenvolvimento. O sucesso de bilheteria de 250 milhões de dólares garantiu a continuação, mas não há data de estreia definida.
Por que o filme de Garfield 2024 foi mal recebido pela crítica?
Críticos apontaram que o filme priorizou star power e set pieces grandiosos sobre a essência do personagem. A energia excessiva de Chris Pratt conflitava com a preguiça característica de Garfield, resultando em 36% de aprovação no Rotten Tomatoes.

