‘Rooster’: Nova série de Steve Carell e criador de ‘Ted Lasso’ estreia com 86% de aprovação

Com 86% no Rotten Tomatoes, ‘Rooster’ testa a fórmula de Bill Lawrence fora do contexto esportivo. Analisamos o que os seis episódios disponíveis revelam sobre a nova dramedy acadêmica da HBO com Steve Carell.

Steve Carell volta à TV em março, e dessa vez não é para interpretar um chefe insuportável nem um treinador de futebol desesperado. Em ‘Rooster’ — nova série da HBO que estreia dia 8 de março — ele é um escritor bem-sucedido que aceita uma residência em uma pequena faculdade da Nova Inglaterra. O criador? Bill Lawrence, o mesmo homem por trás de ‘Ted Lasso’, ‘Scrubs’ e, mais recentemente, ‘Bad Monkey’ e ‘Falando a Real’. Com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes nas primeiras 14 críticas, a série chega com uma pergunta interessante: a fórmula de Lawrence funciona fora do contexto esportivo ou hospitalar?

Seis episódios foram disponibilizados para crítica. Ainda não dá para julgar a temporada completa, mas o material disponível sugere que Lawrence está testando sua abordagem em um novo território — e os resultados, pelo menos até agora, indicam que a aposta pode valer a pena.

O que torna ‘Rooster’ diferente de outras dramedies acadêmicas

O que torna 'Rooster' diferente de outras dramedies acadêmicas

Ambientação universitária é território explorado. De ‘Community’ a ‘The Chair’, já vimos de tudo — professores desiludidos, estudantes excêntricos, burocracia acadêmica satirizada. Lawrence sabe disso. E escolheu um caminho diferente: em vez de focar nas instituições, foca nas pessoas — especificamente, na relação entre um pai e uma filha adulta.

A premissa gira em torno de Carell como um romancista que se torna “writer-in-residence” em uma faculdade. Lá, reencontra a filha — professora de história da arte interpretada por Charly Clive, que veio de ‘Projeto Lázaro’. O conflito pai-filha é o motor emocional, mas o cenário acadêmico funciona como pano de fundo para personagens que, se a tradição de Lawrence se mantiver, vão ganhar profundidade ao longo da temporada.

Grant Hermanns, do ScreenRant, usou uma expressão que resume bem o apelo da série: “cozy vibe” — aquele clima acolhedor que se tornou marca de Lawrence. Não é sobre evitar conflitos; é sobre criar um mundo onde você quer passar tempo, mesmo quando as coisas ficam difíceis. Em ‘Ted Lasso’, isso se manifestava no clubhouse e no pub. Em ‘Scrubs’, nas pausas no terraço do hospital. Em ‘Rooster’, parece que os corredores e escritórios da faculdade servirão o mesmo propósito.

O elenco e a química que pode definir a série

Se tem algo que Lawrence sabe fazer bem, é montar elencos que funcionam como conjuntos. Em ‘Scrubs’, a dinâmica entre J.D., Turk, Elliot e o Dr. Cox criava momentos de comédia absurda e drama médico genuíno. Em ‘Ted Lasso’, cada personagem — do treinador ao dono do pub — parecia ter vida própria.

Em ‘Rooster’, a HBO reuniu um grupo interessante. Danielle Deadwyler, que impressionou em ‘Till: A Busca por Justiça’, traz peso dramático. John C. McGinley, o inesquecível Dr. Cox de ‘Scrubs’, trabalha com Lawrence novamente — e a perspectiva de ver o que ele fará com material novo é, sozinha, motivo para conferir. Lauren Tsai, de ‘Legião’, Phil Dunster de ‘Ted Lasso’, e participações de Annie Mumolo e Connie Britton completam um elenco de peso.

Elenco de estrelas não garante química — isso todo mundo sabe. Mas Lawrence tem histórico de extrair o melhor de seus atores. Dunster, que interpretou o inicialmente insuportável Jamie Tartt em ‘Ted Lasso’, demonstrou que consegue transformar personagens antipáticos em favoritos do público. Se ele trouxer metade dessa capacidade para ‘Rooster’, já vale a entrada.

Os 86% no Rotten Tomatoes: o que os números realmente significam

Os 86% no Rotten Tomatoes: o que os números realmente significam

86% baseado em 14 críticas. É um número sólido, mas precisa ser contextualizado. A pontuação vai mudar conforme mais avaliações surgirem. Além disso, críticas iniciais tendem a vir de quem já tem interesse no projeto, o que pode inflar notas.

O mais relevante é o que as críticas dizem, não o número em si. E o consenso parece ser: ‘Rooster’ não atinge o auge de ‘Ted Lasso’ nem os melhores momentos de ‘Scrubs’, mas entrega algo consistente e promissor. Hermanns, do ScreenRant, foi direto: a série não alcança o melhor trabalho de Lawrence nem do co-criador Matt Tarses, mas com esse elenco e equipe, “não há motivo para se preocupar com o futuro de ‘Rooster’“.

Essa é uma crítica honesta — e mais útil que elogios vazios. Diz: tem potencial, ainda não é obra-prima, mas o caminho está traçado. Para uma série que precisa encontrar seu ritmo, isso não é ruim.

Bill Lawrence e a fórmula que conquistou o público

Lawrence construiu uma carreira baseada em um tipo específico de comédia: aquela que não tem medo de ser emocional. ‘Scrubs’ alternava cenas de humor absurdo com momentos de reflexão genuína sobre morte, amizade e crescimento profissional. ‘Ted Lasso’ levou isso mais longe, criando um programa sobre bondade em uma era de cinismo.

‘Rooster’ parece seguir essa linhagem. Mas há uma diferença importante: o cenário acadêmico permite explorar temas diferentes — intelectualidade, ego, a relação entre sucesso profissional e vida pessoal, o peso das expectativas familiares. Carell, como escritor estabelecido interagindo com sua filha professora, carrega uma dinâmica que pode render explorada com a profundidade certa.

A comparação com trabalhos anteriores de Lawrence é inevitável, e alguns críticos já apontaram isso como faca de dois gumes. Por um lado, o histórico cria expectativa. Por outro, pode ofuscar o que a série oferece por si mesma. É o preço de se ter uma assinatura autoral tão reconhecível.

Steve Carell e a evolução de um comediante dramático

Steve Carell e a evolução de um comediante dramático

Quando Carell deixou ‘The Office’, parecia determinado a provar que era mais que Michael Scott. Filmes como ‘Foxcatcher’ e ‘A Grande Aposta’ mostraram um ator capaz de dramaticidade intensa. Mas foi em ‘Space Force’ e, mais recentemente, em ‘The Patient’, que ele encontrou um meio-termo: comédia com peso emocional.

Em ‘Rooster’, ele interpreta um personagem que parece feito para esse espaço. Um escritor de sucesso, provavelmente cheio de si, que precisa confrontar suas falhas como pai. É material que Carell sabe trabalhar — o humor está na arrogância, o drama está na vulnerabilidade que emerge quando a fachada racha.

Os seis episódios disponíveis para crítica sugerem que o programa encontra seu ritmo progressivamente. Isso pode significar que o melhor está por vir — e que a série merece paciência do espectador.

Para quem ‘Rooster’ é recomendada

Se você gostou de ‘Ted Lasso’ pelo clima acolhedor, não necessariamente pelo futebol, ‘Rooster’ provavelmente vai funcionar. Se prefere comédias mais cínicas, tipo ‘It’s Always Sunny’ ou ‘Curb Your Enthusiasm’, o estilo de Lawrence pode não ser sua preferência.

A série também é um teste interessante para a HBO. A emissora tem tradição em dramas pesados e comédias de humor negro. ‘Rooster’ representa algo diferente — uma dramedy que aposta na afetividade. Em um cenário de streaming fragmentado, ver a HBO abraçar esse tipo de conteúdo é uma aposta que pode ampliar o público da plataforma.

Nos primeiros sinais, ‘Rooster HBO’ entrega o que promete: uma comédia bem construída, com elenco forte e potencial de crescimento. Não é revolucionária — mas nem toda série precisa reinventar a roda. Às vezes, o que queremos é passar tempo com personagens que valem a pena conhecer, e Lawrence tem se mostrado especialista nisso.

‘Rooster’ estreia no dia 8 de março, às 22h (horário de Brasília), na HBO, com streaming disponível na HBO Max. Dez episódios compõem a primeira temporada.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Rooster’

Onde assistir ‘Rooster’ no Brasil?

‘Rooster’ estreia dia 8 de março de 2026 na HBO, com streaming simultâneo na HBO Max (atual Max). A série é produção original do canal.

Quantos episódios tem a primeira temporada de ‘Rooster’?

A primeira temporada de ‘Rooster’ tem 10 episódios. Seis foram disponibilizados para crítica antes da estreia oficial.

‘Rooster’ tem conexão com ‘Ted Lasso’?

Narrativamente, não. Mas compartilha o criador Bill Lawrence e o ator Phil Dunster (Jamie Tartt em ‘Ted Lasso’). O estilo “cozy vibe” também é similar.

Quem está no elenco de ‘Rooster’?

Steve Carell lidera o elenco como protagonista. O elenco inclui Charly Clive, Danielle Deadwyler, John C. McGinley, Lauren Tsai e Phil Dunster, com participações de Annie Mumolo e Connie Britton.

Qual é a classificação indicativa de ‘Rooster’?

A HBO ainda não divulgou a classificação oficial. Pelo estilo de Bill Lawrence, espera-se algo entre 14 e 16 anos — similar a ‘Ted Lasso’ e ‘Scrubs’.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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