Por que a morte de Verdugo em ‘Monarch’ pode salvar a 2ª temporada

A morte da Subdiretora Verdugo no início da 2ª temporada de ‘Monarch Legado de Monstros’ abre espaço para Keiko Miura e Tim assumirem papéis de liderança. Analisamos por que essa escolha narrativa pode revitalizar a série ao substituir burocracia por conhecimento científico no comando da organização.

Quando li os spoilers antes da estreia da Monarch Legado de Monstros 2ª temporada, minha primeira reação foi: “Mataram a Verdugo? Sério?” Parecia um desperdício — uma antagonista institucional bem estabelecida, jogada fora no primeiro episódio. Mas depois de refletir sobre o que a série construiu até aqui, cheguei a uma conclusão contraintuitiva: essa morte pode ser exatamente o que Monarch precisava.

Por que a morte de Verdugo não é um desperdício narrativo

Por que a morte de Verdugo não é um desperdício narrativo

Subdiretora Natalia Verdugo, interpretada por Mirelly Taylor, era o tipo de personagem que você ama odiar. Não um vilão cartunesco, mas uma burocrata pragmaticamente ameaçadora — alguém que acreditava estar certa enquanto atrapalhava todos que tentavam fazer algo útil. Em séries de ficção científica, esse arquétipo tem função clara: criar conflito institucional quando o verdadeiro perigo vem de fora.

Mas aqui está o problema: Monarch já tem conflito suficiente. Tem kaijus. Tem portais dimensionais. Tem segredos familiares que atravessam gerações. Verdugo cumprira seu papel na primeira temporada como obstáculo para Lee Shaw. Na segunda, ela começava a parecer redundante.

A forma como ela morre — atingida por um tentáculo do Titan X durante a conferência de imprensa — é brutalmente rápida. Sem cerimônia, sem discurso de despedida. Isso poderia parecer roteiristicamente preguiçoso se não fosse, acredito, proposital. A mensagem é clara: em um mundo de monstros gigantes, a burocracia não protege ninguém.

O vazio de poder que a série precisava criar

Dizer que “a morte de Verdugo abre espaço” seria reduzi-la a um obstáculo funcional. Ela era mais que isso — mas funcionalmente, é verdade que sua ausência cria algo que a série não tinha: incerteza sobre quem manda em Monarch.

Na primeira temporada, a hierarquia era clara: Verdugo no topo, tomando decisões questionáveis enquanto Shaw, Cate e os outros tentavam contorná-la. Era uma dinâmica funcional, mas estática. Agora, com o cargo de Subdiretor vago, a série tem oportunidade de fazer algo mais interessante — colocar personagens que entendem monstros no comando, não burocratas que os veem como ameaças a serem contidas.

Isso nos leva aos dois nomes óbvios: Keiko Miura e Tim.

Keiko finalmente pode ter a Monarch que ela merece

Keiko finalmente pode ter a Monarch que ela merece

Keiko, interpretada por Mari Yamamoto, é uma das cientistas mais fascinantes do universo kaiju recente. Sua conexão com os Titãs não é acadêmica — é visceral, nascida de décadas de estudo de campo e perdas pessoais. Quando Tim diz a ela, no episódio de estreia, que pode “retornar Monarch ao que sempre deveria ter sido”, a frase parece motivacional. Mas após a morte de Verdugo, ganha peso profético.

Keiko representava tudo que Verdugo rejeitava: curiosidade sobre os Titãs em vez de medo, cooperação em vez de controle, compreensão em vez de contenção. Com Verdugo fora do caminho, Keiko pode finalmente influenciar a organização de dentro — não como dissidente, mas como líder legítima.

O detalhe crucial: Keiko não é burocrata. Ela é cientista de campo. Sua ascensão mudaria fundamentalmente como Monarch opera — menos reuniões em salas fechadas, mais expedições em terreno hostil. Exatamente o tipo de mudança que uma série sobre monstros gigantes precisa para manter energia narrativa.

Tim: de funcionário desiludido a líder improvável

Confesso que Tim (Joe Tippett) não estava no meu radar como personagem com potencial de liderança. Na primeira temporada, ele parecia funcional — o tipo de personagem que serve como ponte narrativa entre facções. Sua mudança para a Apex Cybernetics sugeria que seu papel seria externo a Monarch.

Mas a morte de Verdugo recontextualiza sua trajetória. Ele conhece Monarch por dentro — seus vícios, suas virtudes, sua cultura tóxica. Sair para a Apex não foi traição, foi busca por um ambiente onde pudesse trabalhar sem a burocracia asfixiante que Verdugo representava. Agora, com ela morta, Tim tem algo que nenhum outsider teria: conhecimento institucional combinado com perspectiva crítica.

A série parece estar preparando Tim para assumir um papel híbrido — não exatamente o novo Subdiretor, mas talvez algo mais interessante: uma ponte entre a Monarch tradicional e a nova geração de cientistas representada por Keiko e Cate.

E Lee Shaw? O elefante na sala

E Lee Shaw? O elefante na sala

Kurt Russell retorna como Shaw na segunda temporada, mas seu papel no jogo de poder institucional é diferente. Shaw nunca foi homem de escritório — ele é campo, ação, improvisação. Colocá-lo numa mesa tomando decisões burocráticas seria traindo o que o personagem representa.

A morte de Verdugo afeta Shaw indiretamente: sem a antagonista institucional bloqueando seus movimentos, ele pode operar com mais autonomia. Mas a série inteligentemente não o posiciona como candidato a liderança formal. Shaw funciona melhor como agente livre — alguém que faz o que precisa ser feito enquanto outros lutam por cargos.

Por que essa morte pode salvar a temporada

A primeira temporada de Monarch sofria de um problema comum em spin-offs: precisava estabelecer muito ao mesmo tempo. Legado do MonsterVerse, conexões com os filmes, nova mitologia de portais, três linhas temporais. Funcionou, mas às custas de ritmo irregular.

A segunda temporada herda essa estrutura, mas tem vantagem que a primeira não tinha: o mundo já está estabelecido. Isso permite que os roteiristas façam escolhas mais arriscadas — como matar uma personagem estabelecida no primeiro episódio.

A morte de Verdugo sinaliza algo importante: ninguém está seguro. Em uma série sobre criaturas que podem destruir cidades inteiras, a sensação de que qualquer personagem pode morrer a qualquer momento é essencial. Verdugo morreu não por heroísmo, não por sacrifício, mas por estar no lugar errado no momento errado. É arbitrário, injusto, e perfeitamente adequado para o tom que Monarch parece buscar.

Se Keiko e Tim conseguirem preencher o vazio de liderança com uma abordagem mais científica e menos burocrática, a morte de Verdugo será lembrada não como desperdício, mas como o momento em que a série encontrou seu rumo.

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Perguntas Frequentes sobre Monarch Legado de Monstros 2ª Temporada

Quando estreia a 2ª temporada de Monarch Legado de Monstros?

A 2ª temporada de Monarch Legado de Monstros estreou em dezembro de 2025 no Apple TV+. A primeira temporada está disponível integralmente na plataforma.

Onde assistir Monarch Legado de Monstros?

Monarch Legado de Monstros é uma série original Apple TV+, disponível exclusivamente na plataforma da Apple. Não está disponível em outros serviços de streaming.

Quem é a Subdiretora Verdugo em Monarch?

Natalia Verdugo é a Subdiretora da Monarch, interpretada por Mirelly Taylor. Ela era a antagonista institucional da 1ª temporada, representando a burocracia que priorizava contenção dos Titãs sobre compreensão científica.

Quantos episódios tem a 2ª temporada de Monarch?

A 2ª temporada de Monarch Legado de Monstros tem 10 episódios, mesma quantidade da primeira temporada. Os episódios são lançados semanalmente na Apple TV+.

Preciso assistir os filmes do MonsterVerse para entender Monarch?

Não é obrigatório, mas ajuda. A série funciona de forma independente, mas quem assistiu aos filmes do MonsterVerse (Godzilla 2014, Kong: A Ilha da Caveira, Godzilla vs. Kong) reconhecerá referências e entenderá melhor o contexto dos Titãs.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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