Ryan Gosling chamou o diretor Shawn Levy de “carteiro” que “sempre entrega” ao defender as mudanças no terceiro ato de ‘Star Wars: Starfighter’ — o primeiro filme standalone da franquia com personagens completamente novos desde 1977. Analisamos por que essa confiança importa no contexto de uma Lucasfilm que cancelou projetos de Rian Johnson e Taika Waititi.
Depois de anos vendo projetos de Star Wars engavetados, reformulados ou cancelados — de Rian Johnson a Taika Waititi — a declaração de Ryan Gosling sobre Shawn Levy soa como algo que a franquia não ouvia há muito tempo: confiança genuína. Em entrevista ao podcast Devoradores de Estrelas, o ator não apenas defendeu as mudanças no terceiro ato de Star Wars: Starfighter como criou um apelido revelador: “comecei a chamá-lo de carteiro, porque ele sempre entrega”.
A frase carrega peso específico no contexto atual de Hollywood. Gosling não está fazendo relações públicas genéricas; está apostando sua reputação num projeto que representa a maior aposta criativa da Lucasfilm em anos — e o primeiro filme standalone da franquia com personagens completamente novos desde 1977.
O “carteiro” Levy e o histórico de intervenções em Star Wars
Shawn Levy não era um nome óbvio para dirigir Star Wars. Seu currículo — Night at the Museum, Free Guy, episódios de Stranger Things — sugere competência com comédia e blockbusters familiares, mas não exatamente o “peso” que fãs hardcore esperam da franquia. A escolha gerou ceticismo, o que torna a defesa de Gosling relevante: é alguém que passou meses dentro do set afirmando que o resultado funciona.
O ator comentou especificamente sobre as mudanças no terceiro ato — tópico que normalmente geraria alarmes em produções problemáticas. A diferença crucial é que Levy já havia explicado publicamente que a reformulação foi ele buscando algo melhor, não um estúdio interferindo. “Sou grato por o jeito que eu deveria fazer não ter funcionado, porque a nova ideia que me forçou a explorar é muito melhor do que a ideia original seria.”, declarou o diretor.
Isso importa. Star Wars carrega histórico pesado de intervenções de última hora: Rogue One passou por extensos reshoots que alteraram o final; Solo trocou diretores no meio da produção; a trilogia sequela sofreu com inconsistências criativas entre filmes. O que Gosling descreve — um processo onde o próprio diretor reconhece que uma ideia melhor surgiu durante a produção — é o oposto de “filme problemático”. É como um processo criativo saudável deveria funcionar.
Standalone significa liberdade criativa — e riscos
O elemento mais intrigante de Star Wars: Starfighter não é seu elenco — é sua premissa fundamental. Pela primeira vez desde 1977, a Lucasfilm está produzindo um filme que não gira em torno de personagens previamente estabelecidos. Isso representa mudança filosófica radical para uma franquia que passou décadas revisitando Skywalkers, Solos e Palpatines.
A decisão é arriscada e necessária. A trilogia sequela deixou muitos fãs insatisfeitos justamente por sua dependência em nostalgia e callbacks. Ao posicionar Starfighter “vários anos após The Rise of Skywalker” e introduzir elenco completamente novo, a Lucasfilm está finalmente expandindo a galáxia em vez de apenas remexer suas partes existentes.
O formato “aventura independente” sugere influência de The Mandalorian, que provou que histórias autocontidas funcionam melhor no universo do que mitologias expansivas. Sem obrigação de conectar-se a tramas anteriores ou preparar sequelas, os roteiristas podem construir uma história com começo, meio e fim autônomos — algo que o cinema de Star Wars não tentava desde Rogue One.
De Mia Goth a Amy Adams: elenco sugere Star Wars “séria”
Os nomes anexados ao filme indicam que Levy e a Lucasfilm não estão fazendo um “filme B” disfarçado de blockbuster. Ryan Gosling lidera o elenco como protetor de um personagem interpretado por Flynn Gray — ator relativamente desconhecido que pode estar recebendo o tipo de papel lançamento-carreira que Daisy Ridley teve em The Force Awakens.
Matt Smith e Mia Goth foram escalados como vilões perseguindo o personagem de Gray. Goth, em particular, é escolha fascinante: sua atuação em Pearl e Infinity Pool demonstrou intensidade física e psicológica rara no cinema contemporâneo. O papel originalmente seria de Mikey Madison, vencedora do Oscar por Anora — o que indica que a produção está buscando atrizes com presença dramática real, não apenas nomes de marquise.
A presença de Amy Adams adiciona outra camada de legitimidade. Com seis indicações ao Oscar, Adams é uma das atrizes mais respeitadas de sua geração. Sua participação sugere que Star Wars: Starfighter não está funcionando como mero produto comercial, mas como projeto que atrai talento sério.
2027: 50 anos de Star Wars e o fim da era Skywalker
A data de estreia — 28 de maio de 2027 — não é arbitrária. Coincide com o 50º aniversário da estreia do Star Wars original, em 25 de maio de 1977. É escolha simbólica que posiciona Starfighter como início de uma nova fase da franquia, não como continuação da era Skywalker.
Antes disso, a franquia retorna às telas em maio de 2026 com The Mandalorian and Grogu — o primeiro filme Star Wars nos cinemas desde The Rise of Skywalker, em 2019. Seis anos sem lançamento teatral é hiato inédito desde 1983, quando Return of the Jedi encerrou a trilogia original.
Esse intervalo forçado pode ter sido benéfico. A saturação de conteúdo Star Wars — filmes anuais, séries Disney+, especiais de feriado — estava diluindo o valor da marca. O retorno em 2026 com filme derivado de série popular, seguido em 2027 por história completamente original, sugere estratégia mais cuidadosa e sustentável.
Gosling parece confiar nessa direção. Seu apelido para Levy — “o carteiro” — é afirmação de que o filme entregará o que promete. Para uma franquia que prometeu muito e entregou resultados mistos na última década, essa confiança de alguém dentro do processo é talvez o melhor sinal possível.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Star Wars: Starfighter’
Quando estreia ‘Star Wars: Starfighter’?
‘Star Wars: Starfighter’ estreia em 28 de maio de 2027 nos cinemas. A data coincide com o 50º aniversário da franquia, que começou em 25 de maio de 1977.
Quem está no elenco de ‘Star Wars: Starfighter’?
O elenco inclui Ryan Gosling como protagonista, Flynn Gray como personagem central, Matt Smith e Mia Goth como vilões, e Amy Adams em papel não revelado. Mia Goth substituiu Mikey Madison, vencedora do Oscar por ‘Anora’.
Quem dirige ‘Star Wars: Starfighter’?
Shawn Levy dirige ‘Star Wars: Starfighter’. Seu currículo inclui ‘Free Guy’, trilogia ‘Night at the Museum’ e episódios de ‘Stranger Things’. Ryan Gosling apelidou-o de “carteiro” por sua consistência em entregar resultados.
‘Star Wars: Starfighter’ tem conexão com os filmes anteriores?
O filme se passa “vários anos após ‘The Rise of Skywalker'” mas apresenta personagens completamente novos, sem conexão direta com Skywalkers ou Solos. É o primeiro filme standalone com elenco original desde o Star Wars de 1977.
Por que ‘Star Wars: Starfighter’ é importante para a franquia?
É a primeira aposta da Lucasfilm em expandir a galáxia com personagens inéditos desde a trilogia original. Depois de anos de projetos cancelados e críticas à dependência em nostalgia, representa tentativa de abrir nova era criativa para Star Wars.

