‘Linha do Dever’ volta em 2027 com AC-12 extinto e chance de redenção

A 7ª temporada de ‘Linha do Dever’ chega em 2027 com o AC-12 extinto e a promessa de redenção após o final divisivo da temporada 6. Analisamos como a mudança de cenário pode ser a reinvenção que a série precisava — e por que o novo caso aponta para um retorno à forma que consagrou o drama policial britânico.

Se existe algo que ‘Linha do Dever’ provou ao longo de seis temporadas, é que ninguém está acima de investigação — nem a própria série. Depois de um final de temporada 6 que dividiu o público como poucas vezes vi em drama policial britânico, a BBC finalmente confirmou o óbvio: Linha do Dever 7ª temporada está a caminho. E vem com uma premissa que pode ser tanto uma jogada genial quanto um erro calculado demais: o AC-12 foi extinto.

Jed Mercurio, criador e showrunner da série desde 2012, construiu sua reputação com uma fórmula implacável: interrogações longas que funcionam como duelos psicológicos, conspirações que se desenham em camadas, e a certeza de que nenhum personagem está seguro. Para quem acompanha a série desde seus primórdios, a notícia traz um alívio misturado com cautela. Quase cinco anos se passaram desde que vimos Ted Hastings, Steve Arnott e Kate Fleming pela última vez. Tempo suficiente para a frustração com o final de 2021 amadurecer — ou azedar de vez.

Por que a extinção do AC-12 muda tudo — e pode ser o melhor cenário possível

Por que a extinção do AC-12 muda tudo — e pode ser o melhor cenário possível

A sinopse oficial não poupa palavras: a unidade anticorrupção que protagonizou todas as investigações até agora foi desmantelada e renomeada como “Inspectorate of Police Standards”. Na superfície, parece uma mudança burocrática. Mas quem entende a gramática de ‘Linha do Dever’ sabe que Mercurio não faz nada por acaso.

O AC-12 sempre foi mais que um cenário — era um statement. A série se diferenciou de todo o resto do drama policial britânico justamente por olhar para dentro. Enquanto ‘Broadchurch’ investigava crimes contra civis e ‘Sherlock’ resolvia enigmas elaborados, ‘Linha do Dever’ fazia a pergunta desconfortável: e quando o corrupto é quem deveria proteger?

Agora, com a unidade rebaixada e renomeada, a série força seus personagens a operar em um ambiente hostil. Não é apenas que o trabalho ficou mais difícil — é que o próprio sistema está dizendo que anticorrupção não é mais prioridade. Isso abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre instituições que se protegem, algo que a série sempre flertou mas nunca abraçou tão explicitamente.

Hastings, Arnott e Fleming agora trabalham sob uma nova estrutura, com menos autonomia e provavelmente mais pressão política. Para uma série que sempre foi sobre a tensão entre verdade e conveniência, esse cenário é um campo minado narrativo — no melhor sentido possível.

O elefante na sala: temporada 6 deixou feridas que não cicatrizaram

Não dá para falar do retorno sem encarar o que deu errado. A revelação de que Ian Buckells era “H” — a mente por trás da conspiração que atravessava temporadas — aterrissou como um balde de água fria para uma parcela significativa dos fãs. Eu estava entre os que assistiram ao final com uma mistura de confusão e decepção.

O problema não era necessariamente Buckells. A ideia de que a corrupção mais perigosa é a que se esconde em plena vista, disfarçada de incompetência, tem mérito. Mas a execução deixou a desejar. Anos de teorias elaboradas, pistas minuciosamente plantadas e expectativas construídas resultaram em um vilão que, honestamente, parecia mais um peão que um mestre do xadrez.

Além disso, a temporada 6 pecou no que ‘Linha do Dever’ sempre fez melhor: as interrogações. Aquelas cenas de 15, 20 minutos em uma sala claustrofóbica, onde Hastings desmontava testemunhas com precisão cirúrgica, deram lugar a uma narrativa mais convencional. A ação aumentou, a densidade psicológica diminuiu. Para uma série que construía cada finale como um evento nacional no Reino Unido, o desfecho soou quase… contido.

Agora, a temporada 7 tem a oportunidade rara de fazer o que poucas séries conseguem: reconhecer seus erros e corrigir o rumo. A própria sinopse sugere isso, com a promessa de “uma ameaça maior ainda operando nas sombras”. É como se Mercurio estivesse dizendo: “Vocês acharam que Buckells era o fim? Esperem para ver.”

O novo caso aponta para um retorno ao que funcionava

O novo caso aponta para um retorno ao que funcionava

Os detalhes do próximo arco são intrigantes. Detective Inspector Dominic Gough é descrito como um oficial carismático, condecorado por uma série de operações bem-sucedidas contra o crime organizado. Mas ele é acusado de usar sua posição para atuar como predador sexual.

Isso marca um retorno ao território moralmente complexo que definiu as melhores temporadas da série. Lembro de como a temporada 3 lidou com a aparente inocência de Danny Waldron — um oficial que parecia heróico até camadas serem removidas. Gough parece seguir essa tradição: alguém que o sistema celebra, mas que esconde algo podre por baixo das medalhas.

O detalhe crucial, porém, está na pergunta que a sinopse faz: o caso de Gough seria uma “distração deliberada de uma ameaça maior”? Isso abre espaço para a conspiração que muitos sentiram que faltou na temporada 6. Se executado corretamente, podemos ter o melhor dos dois mundos: um caso standalone com peso próprio, conectado a uma rede maior de corrupção.

Os números não mentem: há muito em jogo

Com 96% no Rotten Tomatoes, ‘Linha do Dever’ está entre os dramas mais aclamados da BBC. Mas números históricos não garantem futuro — especialmente após um hiato de cinco anos e uma recepção mista. A série precisa dessa temporada não apenas para continuar existindo, mas para consolidar seu legado.

Há algo irônico na posição atual. ‘Linha do Dever’ sempre foi sobre instituições que se recusam a se autoexaminar. Agora, a própria série precisa se autoexaminar. A extinção do AC-12 pode ser uma metáfora perfeita: a série está operando em um novo ambiente, sob novas regras, com a necessidade de provar seu valor novamente.

As filmagens começam na primavera de 2026, com estreia prevista para 2027. Isso significa quase seis anos de distância entre temporadas — um intervalo que pode ser benéfico (a frustração diminui, a saudade aumenta) ou arriscado (o momento cultural passa, novos competidores surgem).

Veredito antecipado: cautela otimista

Vou ser direto: a temporada 6 me deixou cético sobre onde ‘Linha do Dever’ queria chegar. Mas os elementos anunciados para a temporada 7 sugerem que Jed Mercurio entendeu a mensagem. A extinção do AC-12 não é apenas uma mudança de cenário — é uma admissão de que a série precisava se reinventar.

Para os fãs que se sentiram traídos pelo final de Buckells, a promessa de “uma ameaça maior nas sombras” é um convite à reconciliação. Para os que continuaram fiéis, é uma expansão bem-vinda do universo conspiratório que sempre foi o coração da série.

A pergunta que fica não é se a série consegue se recuperar — os ingredientes estão todos ali. A pergunta é se Mercurio terá a coragem de entregar um final que honre seis temporadas de construção, ou se repetirá o erro de subestimar a inteligência do seu público.

Se você abandonou a série após a temporada 6, vale dar uma segunda chance. Se você manteve a fé, prepare-se: 2027 pode ser o ano da redenção — ou da confirmação de que nem toda série consegue manter o pique para sempre. Eu, particularmente, estou apostando na primeira opção. Mas vou assistir com a mesma postura que Hastings exige de seus subordinados: sem aceitar nada pelo valor de face.

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Perguntas Frequentes sobre Linha do Dever 7ª Temporada

Quando estreia a 7ª temporada de Linha do Dever?

A 7ª temporada de ‘Linha do Dever’ tem estreia prevista para 2027. As filmagens começam na primavera de 2026, o que significa quase seis anos de intervalo desde a temporada anterior.

Onde assistir Linha do Dever no Brasil?

‘Linha do Dever’ está disponível na Netflix no Brasil. Todas as seis temporadas podem ser assistidas na plataforma. A 7ª temporada deve chegar após a estreia na BBC.

Por que o AC-12 foi extinto na série?

Na trama, o AC-12 foi desmantelado e renomeado como “Inspectorate of Police Standards”, refletindo uma mudança política que prioriza a imagem da polícia sobre a investigação de corrupção interna. Narrativamente, isso força os protagonistas a operar com menos autonomia e mais pressão institucional.

Preciso ver as temporadas anteriores para entender a 7ª?

Sim, é recomendável. Embora cada temporada tenha um caso standalone, a mitologia da conspiração “H” e o desenvolvimento dos personagens principais atravessam toda a série. A 7ª temporada promete expandir essa conspiração, então conhecer o histórico é essencial.

Quem são os protagonistas de Linha do Dever?

Os protagonistas são o Superintendente Ted Hastings (Adrian Dunbar), o Detective Sergeant Steve Arnott (Martin Compston) e a Detective Constable Kate Fleming (Vicky McClure). Os três formam o núcleo do AC-12 e devem retornar na 7ª temporada.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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