‘Ben 10’ pode voltar: rumores e o desafio de apagar o reboot de 2016

Arte conceitual vazada sugere que ‘Ben 10’ pode voltar à TV. Analisamos os rumores, por que o reboot de 2016 fracassou ao ignorar a continuidade original, e o que a Warner precisa acertar dessa vez para não repetir os mesmos erros.

Arte conceitual vazada em fevereiro de 2026 reacendeu discussões sobre o futuro de ‘Ben 10’. O ilustrador Adri Torres publicou imagens de Ben Tennyson se transformando em um alienígena sátiro — visual mais alinhado com a série original de 2005 do que com o reboot de 2016. A questão não é se a franquia vai voltar, mas se a Warner finalmente entendeu o que errou na última tentativa.

O que os rumores realmente dizem — e por que ceticismo é necessário

O que os rumores realmente dizem — e por que ceticismo é necessário

No início de fevereiro, o site Toon Hive reportou que Torres publicou arte conceitual aparentemente produzida para Warner Bros Animation. O fato de ter sido publicada é o primeiro sinal de alerta: projetos em desenvolvimento ativo costumam estar sob acordos de confidencialidade estritos. Isso pode indicar um pitch rejeitado, um proof of concept independente, ou um projeto que não foi adiante.

Ainda assim, a existência de material conceitual novo é significativa. Significa que ‘Ben 10’ está viva na mente dos executivos, que alguém está testando visuais, que a ideia de ressuscitar Ben Tennyson está na mesa. Para uma franquia que ficou em limbo desde 2020, isso já é relevante.

Por que ‘Ben 10’ voltar é questão de “quando”, não “se”

Ignorar ‘Ben 10’ seria negligência comercial. A franquia gerou quatro séries animadas em nove anos de continuidade direta — ‘Ben 10’ (2005-2008), ‘Alien Force’ (2008-2010), ‘Ultimate Alien’ (2010-2012) e ‘Omniverse’ (2012-2014). Três filmes animados, dois live-action (que a franquia prefere esquecer), e uma máquina de merchandising que fazia brinquedos do Omnitrix voarem das prateleiras. O conceito — garoto com relógio que permite se transformar em alienígenas — é desenhado para vender produtos.

Mas o valor vai além de números. A série original, criada pelo coletivo Man of Action, construiu algo raro em animação ocidental: um universo coeso com mitologia própria, arcos de personagem que atravessavam temporadas, e um protagonista que crescia junto com sua audiência. Ben Tennyson começou como garoto de 10 anos imaturo e impulsivo, e terminou ‘Omniverse’ como adolescente de 16 anos com experiência, cicatrizes emocionais e compreensão nuançada de responsabilidade. Não era apenas show de lutas — era história de amadurecimento disfarçada de aventura super-heróica.

Assisti à série original quando estreou em 2005, acompanhando cada temporada à medida que o Cartoon Network Brasil exibia. A progressão de Ben de criança egoísta para jovem que carrega o peso de decisões de vida ou morte foi algo que poucos desenhos da época se atreviam a explorar.

O desastre criativo de 2016: o que o reboot errou

O desastre criativo de 2016: o que o reboot errou

Dizer que ‘Ben 10’ (2016) foi mal recebido é eufemismo. A série aparece consistentemente no fundo de rankings de fãs. O reboot não apenas reiniciou a continuidade — descartou uma década de construção de mundo.

Kevin Levin, o anti-herói complexo que teve arcos de redenção em ‘Alien Force’ e uma das dinâmicas mais interessantes com Ben? Reduzido a vilão genérico unidimensional. A mitologia dos Plumber, os arcos cósmicos envolvendo Vilgax, Agregor, os Celestialsapiens? Simplificados ou ignorados. O tom que equilibrava aventura leve com momentos genuinamente pesados — como Ben lidando com a “morte” aparente de Kevin em ‘Alien Force’ — foi substituído por comédia farsesca e episódios autoconclusivos sem consequências.

O problema central foi falha em entender o que fazia a série funcionar. A equipe criativa do reboot olhou para ‘Ben 10’ e viu apenas “garoto com relógio de alienígenas”, ignorando que o que mantinha o público voltando era a progressão — de Ben, de sua relação com Gwen e Max, do universo ao redor. Removeu o serialismo e manteve o conceito superficial. O resultado: produto que alienou fãs antigos sem conquistar nova base suficiente.

Para ser justo, o reboot teve designs de alienígenas interessantes e momentos pontuais. Mas isso é como elogiar a fotografia de um filme que falha em tudo o mais — competência técnica sem visão criativa. A série durou quatro temporadas de 2016 a 2020, que pareceram uma década para fãs esperando algo melhor.

Três erros que a Warner não pode repetir

Se um novo projeto está em desenvolvimento, o caminho é claro — mas exige coragem criativa que a Warner não demonstrou ter em anos recentes.

Primeiro: respeite a continuidade original. A série de 2005-2014 não está “ultrapassada” ou “inacessível” para novos públicos; os temas de crescimento, responsabilidade e família são atemporais. Um revival que continue de onde ‘Omniverse’ parou, ou que explore um Ben adulto, teria mais a oferecer do que mais um reboot que joga tudo fora.

Segundo: entenda o tom. ‘Ben 10’ nunca foi apenas infantil ou sombrio — existia em equilíbrio delicado entre aventura leve e momentos genuinamente pesados. A série original teve Ben lidando com perda, traição, moralidade cinzenta e o peso de ser responsável por vidas. Isso não precisa ser abandonado para atrair crianças; crianças processam complexidade emocional quando tratadas com respeito.

Terceiro: traga as vozes certas. Man of Action criou algo especial. Yuri Lowenthal definiu Ben Tennyson para uma geração. Ashley Johnson deu a Gwen profundidade que transformou ela de “prima irritante” em uma das personagens femininas mais interessantes da animação ocidental. Ignorar esse legado em nome de “renovar” seria repetir o erro de 2016.

O momento é agora — ou nunca

Existe uma janela de oportunidade que a Warner não pode desperdiçar. A nostalgia pelos desenhos do Cartoon Network dos anos 2000 está em pico, com revivals e continuações encontrando sucesso ao respeitarem suas raízes. ‘Ben 10’ tem base de fãs adulta agora — muitos na casa dos 20 e 30 anos — que cresceu com a série e está pronta para apoiar algo feito com carinho. Ao mesmo tempo, o conceito é acessável para novos espectadores se apresentado corretamente.

A arte conceitual de Adri Torres pode ou não ser o primeiro vislumbre de algo concreto. Mas independentemente desse projeto específico, ‘Ben 10’ vai voltar eventualmente — o potencial comercial é alto demais para ignorar. A questão real é se teremos mais um produto esvaziado ou finalmente a continuação que a franquia merece. A Warner tem a chance de corrigir o erro de 2016. Resta saber se terá a sabedoria de fazê-lo.

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Perguntas Frequentes sobre Ben 10

Quantas séries de Ben 10 existem?

São cinco séries no total: a original ‘Ben 10’ (2005-2008), ‘Alien Force’ (2008-2010), ‘Ultimate Alien’ (2010-2012), ‘Omniverse’ (2012-2014) — todas na mesma continuidade — e o reboot ‘Ben 10’ (2016-2020), que reiniciou a franquia.

Onde assistir Ben 10 original?

As quatro séries originais (2005-2014) estão disponíveis na HBO Max no Brasil. O reboot de 2016 está no Cartoon Network e também na HBO Max.

Por que o reboot de Ben 10 de 2016 foi criticado?

O reboot descartou toda a continuidade construída entre 2005 e 2014, simplificou personagens complexos como Kevin Levin, abandonou o serialismo por episódios autoconclusivos, e reduziu o tom mais maduro da série original para comédia farsesca.

Ben 10 vai ter nova série em 2026?

Não há confirmação oficial. Arte conceitual vazada em fevereiro de 2026 sugere que um projeto pode estar em consideração na Warner, mas não há anúncio de produção ativa.

Qual a ordem cronológica de Ben 10?

A ordem cronológica da continuidade original é: ‘Ben 10’ (Ben com 10 anos), ‘Alien Force’ (15 anos), ‘Ultimate Alien’ (16 anos) e ‘Omniverse’ (16 anos, explorando múltiplas timelines). O reboot de 2016 é uma linha temporal separada.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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