Robert Carradine, de ‘Lizzie McGuire’, morre; família revela luta bipolar

Robert Carradine, ator de ‘Lizzie McGuire’ e ‘A Vingança dos Nerds’, morreu aos 71 anos. A família revelou sua luta de quase duas décadas contra o transtorno bipolar — uma declaração corajosa que quebra o silêncio sobre saúde mental em Hollywood.

Robert Carradine morreu aos 71 anos, e a família escolheu transformar uma tragédia pessoal em mensagem pública. Em declaração oficial, revelou que o ator lutou contra o transtorno bipolar por quase duas décadas — uma decisão de transparência que merece ser reconhecida tanto quanto sua carreira.

A notícia chegou nesta segunda-feira (24) e, diferente de muitos obituários de Hollywood, não veio acompanhada de eufemismos. A família foi direta: Robert Carradine enfrentou uma doença mental crônica, e essa doença “venceu”. O irmão mais velho, Keith Carradine, reforçou o posicionamento em declaração separada: “queremos que as pessoas saibam, e não há vergonha nisso”. É uma postura rara em uma indústria que historicamente esconde lutas mentais — e que, por isso mesmo, tem valor.

Por que a declaração da família importa

Por que a declaração da família importa

A declaração não é texto de assessoria genérico. Há cuidado nas palavras escolhidas: reconhecem a “luta valente” de Robert, pedem que sua jornada “ilumine” o estigma que ainda cerca doenças mentais. A mãe de Robert Carradine, Sonia Sorel, também lidou com problemas de saúde mental ao longo da vida — o que torna a escolha da família ainda mais significativa, como quem sabe exatamente o peso de carregar esse fardo em silêncio.

Keith Carradine foi ainda mais explícito ao pedir que a verdade fosse conhecida. “É uma doença que venceu ele”, disse, “e quero celebrá-lo por sua luta”. Não há tentativa de romantizar ou esconder. Há, sim, uma tentativa de normalizar algo que milhões enfrentam — inclusive no meio artístico, onde a pressão e a instabilidade são frequentemente amplificadas.

De ‘A Vingança dos Nerds’ a ‘Lizzie McGuire’: uma carreira de contrastes

Quem cresceu nos anos 2000 conhece Robert Carradine como Sam McGuire, o pai adoravelmente desajeitado de Lizzie na série ‘Lizzie McGuire’. Mas essa imagem de figura paterna afetuosa era apenas uma faceta de um ator cuja trajetória começou muito antes — e em terrenos bem diferentes.

Seu primeiro crédito cinematográfico veio em 1972, em ‘Cowboys’ ao lado de John Wayne. Conseguiu o papel por insistência do irmão David Carradine, que lhe disse que ele “tinha tudo a ganhar e nada a perder”. Nos anos seguintes, apareceu em filmes que hoje são referências: ‘Caminhos Perigosos’ de Scorsese, ‘Amargo Regresso’ com Jane Fonda e Jon Voight, e ‘Cavalgada dos Proscritos’, onde dividiu tela com os irmãos David e Keith interpretando os irmãos Younger da vida real.

Foi em 1984 que Carradine encontrou seu papel mais icônico: Lewis Skolnick em ‘A Vingança dos Nerds’. O filme se tornou um marco da comédia dos anos 80 e gerou sequências que mantiveram Carradine no papel. Lewis não era o herói tradicional — era o nerd que abraçava sua própria estranheza e vencia. Para uma geração, aquele personagem disse algo importante sobre aceitação.

O pai de Lizzie que marcou uma geração

Quando ‘Lizzie McGuire’ estreou em 2001, o Disney Channel estava se transformando em pota de conteúdo adolescente. Hilary Duff era a protagonista óbvia, mas o elenco de apoio fazia a série funcionar — e Robert Carradine era parte essencial dessa química. Seu Sam McGuire não era o pai ausente ou autoritário típico de sitcoms. Era presente, gentil, genuinamente interessado na filha mesmo quando não entendia direito o universo adolescente dela.

Essa qualidade — a capacidade de transmitir afeto sem parecer forçado — é mais rara do que parece. Muitos atores em papéis de “pai de série infantil” soam como estão fazendo leitura de teleprompter. Carradine soava como alguém que realmente se importava. Talvez fosse a mesma qualidade que fez Lewis Skolnick funcionar: uma vulnerabilidade que não precisava de artifícios.

Carradine retornou como Sam McGuire em ‘Lizzie McGuire: Um Sonho Popstar’ (2003) e estava escalado para o revival da série que seria produzido para Hulu antes do projeto ser cancelado. É impossível não pensar no que poderia ter sido — ver aquele pai novamente, agora lidando com uma Lizzie adulta.

A dinastia Carradine e o peso da herança

Os Carradine são uma família de atores. O pai, John Carradine, era lenda do cinema clássico americano. Os irmãos David, Keith e Robert seguiram o mesmo caminho. Essa linhagem traz prestígio, mas também expectativas implacáveis. David Carradine morreu em 2009 em circunstâncias que também envolveram questões complexas. Agora, Robert.

Não seria honesto especular sobre como crescer nesse ambiente afeta a saúde mental. Mas seria igualmente desonesto ignorar que a pressão existe. A declaração da família sobre o transtorno bipolar de Robert é, nesse contexto, ainda mais significativa: é uma família que já conhece o lado sombrio da fama escolhendo falar sobre ele em vez de esconder.

Além da atuação: música e velocidade

Além da atuação: música e velocidade

Robert Carradine não era apenas ator. Tocava guitarra e chegou a se apresentar com os irmãos no Sheridan Opera House em Telluride, Colorado. Nos anos 80, teve uma banda chamada The Waybacks. Também era apaixonado por corridas — começou com go-karts aos 11 anos e chegou a competir no Grand Prix nas décadas de 80 e 90, inclusive como piloto da Team Lotus ao lado de Paul Newman.

Essas facetas importam porque mostram alguém que não se limitava ao que a indústria esperava dele. A atuação era a profissão pública, mas a música e as corridas eram escolhas pessoais. Há algo de libertador nisso — a recusa em ser definido apenas por um tipo de papel.

O legado de Robert Carradine

Robert Carradine deixa filhos, netos, irmãos, sobrinhos. Deixa também um corpo de trabalho que atravessa gerações diferentes — do cinema adulto dos anos 70 à comédia nerd dos 80, do Disney Channel do início dos 2000 a projetos que nunca se concretizaram. Mas talvez seu legado mais importante seja o que a família escolheu revelar agora.

Doenças mentais ainda carregam estigma. Ainda são tratadas como segredos vergonhosos em vez de condições médicas. A família Carradine poderia ter emitido uma declaração genérica, mencionado “causas naturais”, deixado o público no vago. Escolheram o caminho mais difícil — e mais necessário. Se isso ajudar uma pessoa a buscar ajuda, ou uma família a falar abertamente sobre o que está enfrentando, terá valido.

Como Keith Carradine disse: “Não há vergonha nisso”. É uma frase simples, mas que carrega décadas de silêncio quebrado. Robert Carradine merece ser lembrado por seus papéis, sim — mas também por uma família que honrou sua luta em vez de escondê-la.

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Perguntas Frequentes sobre Robert Carradine

Quantos anos tinha Robert Carradine quando morreu?

Robert Carradine morreu aos 71 anos. A notícia foi divulgada em 24 de fevereiro de 2026.

Qual era a doença de Robert Carradine?

Robert Carradine lutava contra o transtorno bipolar há quase duas décadas, segundo declaração oficial da família. A doença foi citada como causa relacionada à sua morte.

Quem interpretou o pai de Lizzie McGuire?

O pai de Lizzie McGuire, Sam McGuire, foi interpretado por Robert Carradine na série do Disney Channel (2001-2004) e no filme ‘Lizzie McGuire: Um Sonho Popstar’ (2003).

Robert Carradine era parente de David Carradine?

Sim. Robert Carradine era irmão de David Carradine, conhecido por ‘Kill Bill’ e a série ‘Kung Fu’. Eles também tinham outro irmão ator, Keith Carradine. Os três são filhos do ator John Carradine.

Quais os filmes mais famosos de Robert Carradine?

Robert Carradine é mais conhecido por ‘A Vingança dos Nerds’ (1984), onde interpretou Lewis Skolnick, e pela série ‘Lizzie McGuire’ (2001-2004). Também participou de ‘Caminhos Perigosos’ de Scorsese e ‘Cavalgada dos Proscritos’ ao lado dos irmãos.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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