5 séries aclamadas pela crítica para maratonar na Netflix agora

Selecionamos cinco séries com alta aprovação no Rotten Tomatoes disponíveis na Netflix, de ‘Dark Winds’ (100%) a ‘Orphan Black’ (93%). Cada uma representa uma abordagem diferente de thriller que justifica o hype crítico — e o seu tempo de maratona.

Escolher o que assistir na Netflix virou um tipo de paralisia moderna. Você passa mais tempo navegando pelo catálogo do que realmente consumindo conteúdo — e quando finalmente escolhe, muitas vezes se decepciona. Por isso, quando encontro séries com aprovação crítica consistente no Rotten Tomatoes, presto atenção. Não é garantia de qualidade absoluta, mas é um filtro confiável em meio ao ruído. Estas cinco melhores séries Netflix disponíveis agora têm algo em comum: foram construídas para serem devoradas, não apenas assistidas.

‘The OA’: 84% de aprovação e o cancelamento que deixou um legado único

'The OA': 84% de aprovação e o cancelamento que deixou um legado único

Se existe uma série que prova que originalidade tem preço alto na era do streaming, é ‘The OA’. Cancelada após duas temporadas em 2019, a revolta dos fãs foi proporcional ao quanto a obra de Brit Marling e Zal Batmanglij ousou. E ousou muito: misturou ficção científica, mistério, fantasia e thriller psicológico em uma narrativa que se recusava a ser categorizada. Isso é raro.

A premissa já intriga: uma mulher cega desaparecida há sete anos retorna com a visão restaurada, sem memória do que aconteceu. Prairie Johnson, interpretada pela própria Marling com uma intensidade física que comunica muito mais do que seus diálogos, se torna o centro de um mistério que envolve dimensões paralelas, experimentos secretos e algo chamado “movimentos” — coreografias que funcionam como chave para atravessar realidades.

O que faz ‘The OA’ merecer seu tempo mesmo sabendo que não há final definitivo? A construção de tensão. Há uma sequência no primeiro episódio em que Prairie reúne quatro estranhos e um professor de escola em sua casa, contando sua história em flashbacks que alternam entre credibilidade e delírio. A câmera permanece fixa nesses rostos capturando suas reações — descrença, medo, curiosidade mórbida — enquanto nós, espectadores, oscilamos junto. Eu literalmente não conseguia julgar se ela era uma visionária ou uma manipuladora instável. Essa ambiguidade sustentada é o tipo de narrativa que a maioria das séries não tem coragem de tentar.

Os 16 episódios disponíveis formam uma obra completa o suficiente para valer a jornada. Sim, o final é abrupto. Sim, há furos de enredo que uma terceira temporada provavelmente endereçaria. Mas a experiência de assistir algo que genuinamente não parece com nada que você já viu — inclusive os momentos de coragem visual que beiram o experimental — justifica o investimento. ‘The OA’ é para quem busca séries que arriscam falhar tentando algo novo, em vez de jogar seguro com fórmulas testadas.

‘Homeland – Segurança Nacional’: 91% no Rotten Tomatoes e nuance psicológica rara

Oitenta e seis episódios. Oito temporadas. Uma série que começou no Showtime em 2011 e agora encontrou casa na Netflix completa. ‘Homeland – Segurança Nacional’ poderia ser apenas mais um thriller de espionagem com patriotismo americano e conspirações terroristas — gênero que envelheceu mal na última década. Mas não é. E a razão tem nome: Carrie Mathison.

Interpretada por Claire Danes em uma das atuações mais fisicamente comprometidas da TV moderna, Carrie é uma oficial da CIA brilhante, instável e bipolar. A série nunca trata seu transtorno como gimmick ou simplificação. Ela é gênio e caos em doses iguais, e Danes construiu uma performance onde você reconhece os sinais de um episódio maníaco chegando antes mesmo dos roteiros explicitarem. Há uma cena no piloto — Carrie conectando pistas em um tabuleiro de investigação enquanto a câmera se aproxima cada vez mais, capturando suor, olhos arregalados, a respiração acelerada — que estabelece tudo: esta mulher vê padrões que outros ignoram, mas o custo pessoal é devastador.

O arco central da primeira temporada envolve Nicholas Brody, interpretado por Damian Lewis, um prisioneiro de guerra resgatado que Carrie suspeita ter sido convertido por terroristas. O que segue é um jogo de gato e rato onde a série se recusa a dar respostas fáceis por muito tempo. Brody é herói ou traidor? Carrie é paranóica ou perspicaz? Essa ambiguidade moral sustenta ‘Homeland’ muito além dos plot twists que a tornaram famosa.

Confesso: as temporadas seguintes nunca igualaram a intensidade do primeiro arco. A série se reinventou geograficamente — Irã, Afeganistão, Berlim — mas perdeu algo da intimidade claustrofóbica inicial. Ainda assim, como maratona completa, ‘Homeland’ oferece algo raro: um retrato de como a guerra ao terror corroeu instituições e indivíduos, sem cair em heroísmo barato ou cinismo fácil. Se você aguenta densidade política e quer ver uma das atrizes mais premiadas da TV moderna no auge, esta é sua escolha.

‘House of Cards’: o thriller político que previu a era da manipulação digital

'House of Cards': o thriller político que previu a era da manipulação digital

Antes de falar da série, preciso abordar o elefante na sala. Kevin Spacey foi afastado da produção após acusações de assédio sexual em 2017, e a sexta temporada foi reescrita sem seu personagem. Isso importa? Para o legado da obra, sim. Para a experiência de assistir as primeiras temporadas, a resposta é mais complexa do que parece.

‘House of Cards’ foi a primeira série dramática original da Netflix, lançada em 2013, e estabeleceu o modelo de maratona que definiu a plataforma. A primeira temporada alcançou 85% no Rotten Tomatoes — aprovação que justifica sua inclusão aqui — dirigida em seus primeiros episódios por David Fincher. Carrega sua assinatura visual: composições simétricas que comunicam controle, paleta de cores fria e artificial, e aqueles cortes abruptos que funcionam como pontuação dramática. Fincher sabe que política é teatro, e filmou ‘House of Cards’ como se fosse uma peça encenada em um aquário.

O protagonista Frank Underwood é um congressista que, após ser traído em sua expectativa de se tornar Secretário de Estado, inicia uma campanha sistemática de vingança e ascensão política. O que separa ‘House of Cards’ de outros thrillers políticos é a quebra da quarta parede: Frank fala diretamente com o público, nos tornando cúmplices de suas maquinações. É um dispositivo que funciona porque Spacey, com toda a controvérsia que agora cerca seu nome, tem a precisão de um ator de teatro clássico. Cada palavra é calculada. Cada sorriso é ameaçador.

A série perde força após a terceira temporada — roteiristas lutaram para manter Frank e sua esposa Claire, interpretada por Robin Wright em performance que cresce a cada ano, em conflitos que importassem. Wright, inclusive, se torna o motivo para continuar assistindo. Claire evolui de esposa ambiciosa para protagonista complexa, e a sexta temporada, embora irregular, tenta fechar a história com dignidade. Vale maratonar? Se você tem interesse em entender como a política moderna se tornou um jogo de narrativas e manipulação midiática, ‘House of Cards’ é um documento do seu tempo. Só assista ciente do contexto.

‘Dark Winds’: 100% no Rotten Tomatoes e perspectiva indígena rara na TV

Perfeito. A palavra assusta porque soa como exagero de marketing, mas ‘Dark Winds’ merece os 100% no Rotten Tomatoes que carrega. Baseada nos romances de Tony Hillerman, a série faz algo que a TV americana raramente consegue: contar histórias de crime com perspectiva indígena, sem exotismo e sem paternalismo.

Ambientada no sudoeste americano dos anos 1970, segue o Tenente Joe Leaphorn e o Sargento Jim Chee, dois investigadores Navajo que resolvem crimes em território tribal. O que poderia ser mais um procedural policial se transforma, nas mãos do criador Graham Roland, em um estudo de identidade cultural em conflito. Leaphorn é da velha guarda, conectado às tradições. Chee é moderno, educado em universidades brancas, e a tensão entre suas visões de mundo informa cada caso que investigam.

A fotografia merece menção específica. Os vastos desertos do Novo México são capturados com uma luminosidade que comunica o ambiente de forma física — você sente o calor, a poeira, o isolamento. Mas é nos interiores que ‘Dark Winds’ brilha: casas modestas, delegacias com orçamento limitado, paisagens que parecem eternas enquanto os personagens lutam com problemas muito humanos. A direção de arte evita o polimento artificial de tantas produções de streaming.

Com duas temporadas disponíveis na Netflix e a terceira já confirmada, é o momento ideal para começar. Se você cansou de thrillers urbanos com a mesma fórmula — detetive atormentado, serial killer elaborado, plot twist no final — ‘Dark Winds’ oferece algo diferente: crimes que são também janelas para uma cultura raramente representada com essa seriedade na TV mainstream.

‘Orphan Black’: 93% no Rotten Tomatoes e o tour de force de Tatiana Maslany

'Orphan Black': 93% no Rotten Tomatoes e o tour de force de Tatiana Maslany

Em 2013, a BBC America lançou uma série com premissa que soava como filme B de ficção científica: uma mulher testemunha seu sósia se jogar na frente de um trem e decide assumir sua identidade, descobrindo que faz parte de um experimento de clonagem. O material genérico estava lá. O que elevou ‘Orphan Black’ ao status de cult foi uma performance que desafia a lógica de atuação para TV.

Tatiana Maslany interpreta não uma, mas múltiplas clones — cada uma com sotaque, postura, maneirismos e psicologia distintos. Sarah, a protagonista, é uma hustler de rua britânica com sotaque cockney. Alison é uma dona de casa americana suburbana, neurótica e controladora. Cosima é uma cientista hippie. Helena, a mais perturbadora, é uma ucraniana criada como assassina. E há outras. Maslany não apenas distingue cada personagem através de escolhas físicas específicas — a forma como Alison segura os ombros tensos, o olhar perpetuamente assustado de Helena — mas constrói relações entre elas que parecem genuinamente de pessoas diferentes interagindo.

Há uma sequência no meio da primeira temporada onde Sarah, fingindo ser Alison, precisa dançar em uma competição de dança escolar. A cena é cômica, tensa e reveladora ao mesmo tempo: você vê Sarah lutando para manter a persona de Alison enquanto Alison real, assistindo pelo celular, critica cada movimento. É um tour de force de atuação que a série repete em variações ao longo de 50 episódios.

O thriller de conspiração que sustenta a trama — projetos científicos secretos, corporações sem ética, questões sobre autonomia corporal e identidade — é competente, mas não excepcional. O que faz ‘Orphan Black’ valer cada episódio é o compromisso de Maslany com cada clone como pessoa completa. A série também envelheceu bem: suas questões sobre biopolítica e propriedade do corpo ressoam mais forte em 2026 do que em 2013. Com 93% no Rotten Tomatoes e 94% de aprovação do público, é uma daquelas raridades: ficção científica com cérebro e coração em equilíbrio.

Veredito: qual dessas séries merece seu tempo?

Se você busca originalidade visual e narrativa e tolera finais em aberto, ‘The OA’ (84% RT) é a experiência mais singular desta lista. Se prefere densidade política e atuação de elite, ‘Homeland’ (91% RT) entrega o pacote completo. Para fãs de thrillers de poder com estilo cinematográfico, ‘House of Cards’ (85% na primeira temporada) permanece influente — assista sabendo do contexto. Se crime procedural com perspectiva cultural fresca é seu interesse, ‘Dark Winds’ (100% RT) é a aposta mais segura. E se você quer ver o que a atuação para TV pode alcançar quando um performer se entrega completamente, ‘Orphan Black’ (93% RT) é obrigatória.

Cinco séries. Cinco abordagens diferentes de thriller. Todas com aprovação crítica que não é acidente. A questão agora é: qual você vai começar hoje?

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Perguntas Frequentes sobre as melhores séries da Netflix

Como foram selecionadas as séries desta lista?

O critério principal foi a aprovação no Rotten Tomatoes, com foco em séries acima de 84% de aprovação crítica. Também consideramos disponibilidade atual na Netflix brasileira e potencial de maratona — séries que valem o investimento de tempo completo.

Qual dessas séries tem mais episódios?

‘Homeland’ é a mais longa, com 8 temporadas e 96 episódios. ‘Orphan Black’ tem 5 temporadas com 50 episódios. ‘House of Cards’ tem 6 temporadas, mas as últimas são mais fracas. ‘The OA’ tem apenas 16 episódios em 2 temporadas, e ‘Dark Winds’ tem 2 temporadas disponíveis.

Qual série é melhor para maratonar em um fim de semana?

‘The OA’ é ideal para um fim de semana — são apenas 16 episódios. ‘Dark Winds’ também funciona bem, com 2 temporadas curtas. Se você quer algo mais longo, ‘Orphan Black’ vicia rapidamente e os 50 episódios fluem com facilidade.

‘The OA’ realmente não tem final?

Sim, foi cancelada após a segunda temporada sem conclusão definitiva. Os criadores revelaram parte do que planejavam para a terceira temporada, mas a série termina de forma abrupta. Ainda assim, a jornada vale pela experiência visual e narrativa única.

Todas essas séries estão disponíveis na Netflix Brasil?

A disponibilidade varia por região e pode mudar. ‘House of Cards’ e ‘Dark Winds’ são originais ou co-produções Netflix. ‘Homeland’, ‘The OA’ e ‘Orphan Black’ podem ter disponibilidade limitada dependendo do seu país. Recomendo verificar diretamente na plataforma antes de começar.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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