Franka Potente estreia em ‘Dark Winds’ como uma assassina obcecada pelo tenente Leaphorn, transformando o procedural em thriller psicológico na 4ª temporada. Zahn McClarnon também assume a direção, consolidando uma série que mantém 100% no Rotten Tomatoes.
Há algo particular na forma como uma série encontra sua voz definitiva na quarta temporada. Enquanto a maioria das produções perde fôlego ou recicla fórmulas, Dark Winds 4ª temporada chega com uma confiança incomum — e isso vem de quem manteve 100% de aprovação no Rotten Tomatoes desde a estreia. A série da AMC não está apenas sobrevivendo: está consolidando uma identidade que demorou a encontrar.
O elemento central dessa nova fase é a chegada de Franka Potente como Irene Vaggan, uma assassina que desenvolve uma obsessão pelo tenente Joe Leaphorn. É uma dinâmica que desloca o programa do procedural de crime tradicional para algo mais próximo do thriller psicológico — e Zahn McClarnon, protagonista e agora também diretor, entende exatamente o que essa mudança exige.
Quando a vilã funciona como espelho do protagonista
A construção de Irene Vaggan não segue o modelo padrão de antagonistas de TV. McClarnon descreve um “jogo de gato e rato que dura a temporada inteira”, mas o que torna a dinâmica eficaz é como a obsessão de Irene força Leaphorn a confrontar aspectos que ele preferiria ignorar. A vilã não é apenas obstáculo — é reflexo distorcido.
A escolha de Potente é decisiva. Alemã que estourou no cinema independente com Corra, Lola, Corra (1998) e provou versatilidade em Westworld, ela traz uma fisicalidade que raramente vemos em vilãs televisivas. Há algo em sua forma de ocupar o espaço — contida até não ser, silenciosa até explodir — que remete à sua formação no cinema expressionista alemão, mesmo que inconscientemente. McClarnon, que admitiu ter admirado seu trabalho por décadas, agora troca farpas com a mesma atriz que observava de longe.
“Ela tem muitas ideias e entende sua personagem”, McClarnon observa. “Sabe o que quer, e eu adoro trabalhar com atores assim.” A química profissional transborda para a tela — a tensão entre Irene e Leaphorn nasce de dois profissionais que se respeitam e se desafiam, não apenas de roteiro bem escrito.
Zahn McClarnon na direção: 30 anos de observação em prática
Aos três decênios de carreira, McClarnon finalmente assumiu a direção — algo que ele reconhece ser “a última coisa que achei que poderia fazer”. A humildade é genuína, mas o resultado sugere instinto natural. Dirigir o segundo episódio da temporada foi estratégico: filmá-lo primeiro deu tempo de preparação que sua agenda de protagonista não permitiria.
O currículo invisível de McClarnon pesa. Trabalhou com Lisa Joy e Jonah Nolan em Westworld, observou Mike Flanagan adaptar Stephen King em Doutor Sono, absorveu lições de contadores de histórias contemporâneos. “Conheço o negócio muito bem”, ele afirma — e a frase carrega três décadas de aprendizado silencioso.
O processo veio com medo real. “Montar a lista de shots, passar minha visão… era assustador”, McClarnon admite. A colaboração foi o diferencial: Chris Eyre, Jim Chory, o showrunner John Wirth, o diretor de fotografia Blake Evans formaram uma rede que permitiu experimentação sem desastre. Para um ator que passou anos do lado de dentro da câmera, estar do lado de fora exigiu desaprender tanto quanto aplicar.
A liberdade criativa de adaptar Tony Hillerman
Ao adaptar The Ghostway (1984), sexto romance da série Leaphorn & Chee de Tony Hillerman, a produção toma uma decisão narrativa arriscada: o livro foca em Jim Chee, não em Leaphorn. Em vez de forçar o protagonista no material, os roteiristas criaram uma trama paralela que o mantém central — Irene Vaggan buscando uma adolescente fugitiva, colocando Leaphorn no caminho de uma assassina implacável.
É o tipo de ajuste que soa desesperado no papel, mas funciona na execução porque respeita a inteligência do público. A série não finge fidelidade ao material original — usa Hillerman como ponto de partida para explorar territórios emocionais que o autor nunca imaginou.
O contexto da temporada anterior pesa sobre Leaphorn. O FBI investiga seu envolvimento na morte de B.J. Vines, a esposa Emma permanece distante e sem perdão, a pressão para encontrar um substituto em Bernadette não cessa. Agora, com uma assassina obcecada em seu rastro, o tenente precisa sobreviver externamente enquanto desmorona por dentro.
Por que esta temporada define o futuro da série
Dark Winds sempre foi competente. A questão era se conseguiria relevância em um cenário saturado de procedurais de crime. A quarta temporada responde: encontrou seu diferencial na fusão de thriller psicológico com western noir contemporâneo, ambientado em território Navajo.
A presença de Franka Potente eleva o material com uma vilã que tem peso específico. A estreia de McClarnon na direção adiciona camadas autorais. A adaptação criativa de Hillerman prova que a série pode evoluir sem trair suas raízes literárias. Juntos, esses elementos formam algo raro na TV atual: uma produção que melhora com idade.
Para quem acompanhava casualmente, esta é a temporada que justifica atenção plena. Para novos espectadores, há material suficiente para começar do zero e ser recompensado. Dark Winds parou de tentar provar que merece existir — e começou a operar como se já soubesse há tempos.
Novos episódios de Dark Winds estreiam aos domingos, às 21h (horário do leste), na AMC.
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Perguntas Frequentes sobre Dark Winds 4ª temporada
Onde assistir Dark Winds?
Dark Winds é exibida pelo canal AMC nos Estados Unidos, com novos episódios aos domingos às 21h (horário do leste). No Brasil, a série está disponível na Amazon Prime Video.
Quantas temporadas tem Dark Winds?
Dark Winds tem 4 temporadas. A série estreou em 2022 e renovou rapidamente para temporadas subsequentes, mantendo 100% de aprovação no Rotten Tomatoes desde o início.
Dark Winds é baseado em livro?
Sim. A série é adaptada dos romances da série Leaphorn & Chee de Tony Hillerman, escritos entre 1970 e 2006. A 4ª temporada adapta especificamente The Ghostway (1984), com liberdades criativas que deslocam o foco de Jim Chee para Joe Leaphorn.
Quem é a vilã da 4ª temporada de Dark Winds?
A vilã da 4ª temporada é Irene Vaggan, interpretada pela atriz alemã Franka Potente (Corra, Lola, Corra, Westworld). A personagem é uma assassina que desenvolve uma obsessão perturbadora pelo protagonista Joe Leaphorn.
Zahn McClarnon dirigiu episódios de Dark Winds?
Sim. Na 4ª temporada, Zahn McClarnon estreou como diretor, comandando o segundo episódio da temporada. É sua primeira experiência atrás das câmeras após 30 anos de carreira como ator.

