Criador de ‘O Agente Noturno’ revela como ‘The Shield’ inspira o final da série

Shawn Ryan, criador de ‘O Agente Noturno’, explicou como a experiência em ‘The Shield: Acima da Lei’ garante um final coerente para o thriller da Netflix. Entenda por que o planejamento desde o início evita repetir erros de ‘Lost’ e ‘Game of Thrones’.

Quando um showrunner fala sobre “planejar o final” de uma série que ainda está no meio da sua corrida, geralmente recebo com ceticismo. A televisão está cheia de promessas não cumpridas e arcos abandonados no meio do caminho. Mas quando Shawn Ryan — o mesmo que conduziu ‘The Shield: Acima da Lei’ por sete temporadas até um desfecho que praticamente todo mundo considerou satisfatório — diz que já sabe onde O Agente Noturno vai terminar, eu presto atenção.

A declaração veio em entrevista recente ao ScreenRant, durante a divulgação da terceira temporada da série, que chegou à Netflix em janeiro de 2026. Ryan não deu spoilers — foi deliberadamente vago sobre o destino de Peter Sutherland, o agente do FBI que atende um telefone no subsolo da Casa Branca e se vê mergulhado em conspirações governamentais. Mas deixou claro algo que poucos criadores de thrillers de espionagem na televisão parecem entender: o final precisa ser construído desde o início, não improvisado quando a audiência começa a cair.

O que ‘The Shield: Acima da Lei’ ensinou Shawn Ryan sobre encerrar uma série

O que 'The Shield: Acima da Lei' ensinou Shawn Ryan sobre encerrar uma série

A referência que Ryan faz ao seu trabalho anterior não é name-dropping vazio. ‘The Shield: Acima da Lei’ é um dos raros exemplos de série policial que manteve coerência do primeiro ao último episódio. Sete temporadas construindo a corrupção moral de Vic Mackey — interpretado por Michael Chiklis em performance que lhe rendeu um Emmy — para, no final, entregar exatamente o que aquela narrativa prometia: o detetive corrupto finalmente enfrentando consequências, mas de uma forma que ninguém esperava.

Ryan explicou que a chave está em “ser verdadeiro com o que você escreveu antes”. Parece óbvio, mas quantas vezes vimos séries ignorarem elementos estabelecidos nas primeiras temporadas porque os escritores tiveram uma “ideia melhor”? Ele sabe que isso é uma traição ao público que investiu tempo acompanhando a história.

Para O Agente Noturno, isso significa algo específico: o final precisa honrar quem Peter Sutherland se tornou ao longo do caminho. Não basta resolver a conspiração da vez. O desfecho tem que ser sobre o que essa jornada fez com ele como pessoa.

Por que Peter Sutherland é o centro de tudo — e isso importa

Aqui está onde a abordagem de Ryan difere de muito do que vemos no gênero. Thrillers de espionagem frequentemente tratam personagens como peças de um quebra-cabeça maior — o que importa é a conspiração, a reviravolta, o clímax. Ryan parece ter aprendido que o contrário é verdadeiro.

“No fim das contas, O Agente Noturno é sobre Peter”, ele disse. “Como ele evolui como personagem e todas as lições que ele aprende ao longo da série devem sempre vir em primeiro lugar.”

Isso ressoa com o que a série estabeleceu desde o piloto. Peter começa como um agente de baixo escalão, monitorando um telefone que nunca toca no subsolo da Casa Branca. Ele não é James Bond — é um funcionário público comum que é puxado para um mundo que ele não compreende totalmente. A graça da série está em ver como ele se adapta, erra, aprende e muda. Se o final ignorar essa progressão em favor de um grande plot twist, será um fracasso narrativo.

Planejamento flexível: como Ryan equilibra roteiro e adaptação

Planejamento flexível: como Ryan equilibra roteiro e adaptação

Ter um plano não significa ser rígido. Ryan foi claro que está aberto a mudanças — desde que façam sentido dentro do que já foi construído. “Você tem que ter um plano. Também tem que estar disposto a mudar seu plano se uma ideia melhor aparecer”, explicou.

Essa flexibilidade é crucial em séries de espionagem, onde reviravoltas são esperadas. Mas há uma diferença entre surpreender o público e trair a própria história. Ryan parece saber onde está essa linha — algo que showrunners de séries como ‘Game of Thrones’ ou ‘Lost’ aparentemente perderam de vista no final, para frustração de milhões de espectadores.

O fato de O Agente Noturno estar na terceira temporada sem renovação oficial para uma quarta dá um contexto interessante. Ryan está planejando um final que funcione tanto se a série acabar agora quanto se continuar por mais temporadas. Isso exige uma precisão narrativa que poucos conseguem — e que ele demonstrou domínio em ‘The Shield’.

A terceira temporada eleva as apostas

A temporada que acaba de chegar à Netflix coloca Peter em uma posição completamente diferente das anteriores. Sem entrar em spoilers, a dinâmica muda radicalmente: ele não é mais o novizado que descobre o mundo das sombras — agora precisa operar dentro dele, com todas as consequências morais que isso implica. É exatamente o tipo de progressão de personagem que Ryan promete honrar no final.

A série também expandiu seu escopo geográfico e elenco na terceira temporada, o que poderia diluir o foco no protagonista. Mas segundo Ryan, isso foi calculado: cada novo elemento serve para testar Peter de formas diferentes, preparando o terreno para decisões que ele terá que tomar lá na frente.

O que isso significa para quem está assistindo agora

Se você está acompanhando a terceira temporada, pode assistir com uma certeza rara em séries modernas: há alguém no comando que sabe onde isso tudo vai dar. Não é um barco sem leme navegando em círculos até ser cancelado.

A questão que fica não é se Peter Sutherland vai sobreviver ou resolver a conspiração da vez. É quem ele vai se tornar quando tudo isso acabar. E baseado no que Ryan construiu até agora — e no histórico de ‘The Shield: Acima da Lei’ — a resposta já está sendo preparada desde o primeiro toque daquele telefone no subsolo da Casa Branca.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Agente Noturno’

Onde assistir ‘O Agente Noturno’?

‘O Agente Noturno’ é uma produção original Netflix e está disponível exclusivamente na plataforma. Todas as três temporadas podem ser assistidas com assinatura do serviço.

Quantas temporadas tem ‘O Agente Noturno’?

Atualmente, ‘O Agente Noturno’ tem três temporadas disponíveis na Netflix. A terceira temporada chegou à plataforma em janeiro de 2026. Uma quarta temporada ainda não foi oficialmente renovada.

‘O Agente Noturno’ é baseado em livro?

Sim. A série é adaptada do romance ‘The Night Agent’ de Matthew Quirk, publicado em 2019. O livro foi best-seller do New York Times e a Netflix adquiriu os direitos para adaptação ainda em 2020.

Quem é o criador de ‘O Agente Noturno’?

O criador e showrunner de ‘O Agente Noturno’ é Shawn Ryan, responsável também pela aclamada série policial ‘The Shield: Acima da Lei’ (2002-2008). Ele também trabalhou em ‘S.W.A.T.’ e ‘Timeless’.

Preciso ler o livro antes de assistir à série?

Não é necessário. A série adapta o livro na primeira temporada, mas expande a história em temporadas seguintes. Você pode assistir sem conhecimento prévio do material original sem perder nada da trama.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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