Selecionamos 8 séries que replicam o DNA de ‘Silo’: segredos institucionais, descobertas perigosas e mundos onde a verdade é controlada. De ‘Severance’ a ‘Fallout’, encontre sua próxima obsessão com guia de onde assistir e qual escolher primeiro.
Se você terminou ‘Silo’ e sentiu aquele vazio — não o do silo, mas o de não ter mais o que desvendar —, sabe que não é qualquer série que vai preencher. O que vicia em ‘Silo’ não é apenas o cenário subterrâneo ou a distopia: são três elementos específicos funcionando juntos. Primeiro, segredos institucionais guardados a sete chaves. Segundo, a descoberta progressiva de que tudo o que você acreditava pode ser falso. Terceiro, o risco constante de que saber demais é perigoso demais.
Encontrei séries parecidas com Silo que operam nesse mesmo registro — algumas com os três elementos, outras que apostam em um ou dois com intensidade máxima. A Apple TV+ acertou ao adaptar a série de Hugh Howey em 2023: Rebecca Ferguson comanda como Juliette Nichols, uma engenheira que descobre que as regras do silo beneficiam alguns mais que outros, e que o mundo exterior talvez não seja o que contam. Essa premissa — “e se quem controla a informação estiver mentindo?” — é o DNA de todas as séries abaixo.
Fallout: o mesmo abrigo nuclear, mas com riso nervoso
Onde assistir: Prime Video | Status: renovada para 2ª temporada
À primeira vista, ‘Fallout’ parece o oposto de ‘Silo’. Onde a série da Apple é soturna e claustrofóbica, a adaptação do jogo da Bethesda é colorida, bizarra, cheia de humor ácido. Mas a estrutura é praticamente idêntica: Lucy MacLean (Ella Purnell) é uma “Vault Dweller” que vive em um abrigo nuclear subterrâneo há gerações, onde os habitantes são treinados para “reconquistar” a superfície — enquanto os Supervisores repetem que o mundo lá fora é inabitável.
A diferença está no tom. A sequência em que Lucy finalmente sai do Vault 33 e pisca sob o sol de um deserto radioativo, com Walton Goggins como um Ghoul decrépito oferecendo “ajuda”, encapsula o que ‘Fallout’ faz de único: transformar horror nuclear em comédia negra. A revelação de que as ameaças mais perigosas podem ter estado sempre dentro dos abrigos — não fora — ecoa diretamente a dinâmica do silo. Se ‘Silo’ é o primo sério e introspectivo, ‘Fallout’ é o que dá risada enquanto mostra o mesmo horror, só que com mutantes gigantes e uma galinha radioativa ocasional.
Severance: quando a prisão é sua própria mente
Onde assistir: Apple TV+ | Status: 2ª temporada em exibição
Se você busca séries parecidas com Silo no mesmo streaming, ‘Severance’ é a companheira natural. A premissa é das mais engenhosas dos últimos anos: uma tecnologia permite separar completamente a memória de trabalho da memória pessoal. Você vai para o emprego, trabalha oito horas, e para o seu “eu” de trabalho, aquilo é a vida inteira — sem memória de quem você é fora dali.
O que começa como crítica ao equilíbrio vida-trabalho se transforma em algo mais sombrio. A empresa Lumon esconde segredos que vão muito além de produtividade. Os funcionários “severados” são prisioneiros voluntários de um sistema que controla não só o que fazem, mas o que lembram. A cena em que Mark (Adam Scott) descobre que sua “outie” — seu eu exterior — pode estar mantendo segredos do seu “innie” é um soco no estômago que qualquer fã de ‘Silo’ reconhecerá: a sensação de que as paredes que protegem também aprisionam. A diferença é que aqui as paredes são neurais, o que torna a opressão mais perturbadora. Você pode sair do escritório fisicamente, mas sua mente continua presa.
O Conto da Aia: opressão sem ficção científica
Onde assistir: HBO Max/Prime Video | Status: finalizada (6 temporadas)
Das séries desta lista, ‘O Conto da Aia’ é a que mais dói de verdade. Baseada no romance de Margaret Atwood, imagina uma América reconstruída após uma segunda guerra civil — agora governada por líderes religiosos que organizaram a sociedade em classes rígidas. As mulheres são propriedade, forçadas a gerar filhos para os comandantes e suas esposas estéreis.
A conexão com ‘Silo’ está na institucionalização da mentira. Em Gilead, a história foi reescrita, a Bíblia é ferramenta de controle, qualquer questionamento é punido com violência. Elisabeth Moss carrega seis temporadas como June, uma mulher que se transforma de vítima relutante em resistente furiosa. A sequência em que ela descobre que sua filha, que acreditava estar morta, está viva e morando com outra família — essa revelação de que o sistema mentiu sobre o que você mais amava — é o tipo de soco emocional que ‘Silo’ busca replicar. A diferença: Gilead não tem a distância confortável do futuro tecnológico. É opressão que já existiu, que ainda existe, que pode existir de novo.
Westworld: quando você descobre que é marionete
Onde assistir: HBO Max | Status: finalizada (4 temporadas)
Baseada no filme de 1973 de Michael Crichton, ‘Westworld’ expandiu a premissa em quatro temporadas de ambição descomunal — para bem e para mal. A ideia: os ultra-ricos pagam para visitar parques temáticos onde “Hosts” (robôs hiper-realistas) satisfazem qualquer fantasia, não importa quão violenta. Os convidados fazem o que querem; os Hosts são programados para aceitar.
O problema surge quando uma atualização faz alguns Hosts começarem a reter memórias entre os “resets”. A cena em que Dolores (Evan Rachel Wood) tem flashbacks de vidas anteriores — execuções, estupros, mortes — e percebe que sua realidade é um loop controlado por humanos é o momento “Silo” da série: a descoberta de que o mundo que você conhece é uma construção deliberada. Alguém projetou suas limitações, alguém decidiu o que você pode ou não saber. A primeira temporada é um thriller de mistério praticamente perfeito; as seguintes perdem foco, mas a premissa permanece fascinante para quem quer refletir sobre livre-arbítrio e controle.
Estação Onze: mistério sem opressão
Onde assistir: HBO Max | Status: minissérie completa (10 episódios)
‘Estação Onze’ é a exceção desta lista. É uma minissérie fechada (10 episódios, história completa), e seu foco não é um sistema opressivo, mas o vazio deixado pelo colapso de todos os sistemas. Acompanha duas linhas temporais: o surgimento de um vírus letal que dizima a humanidade, e a vida dos sobreviventes duas décadas depois.
O que conecta com ‘Silo’ é a atmosfera de segredos e descobertas. A protagonista Kirsten (Mackenzie Davis) cresceu no novo mundo com apenas uma pessoa para guiá-la; décadas depois, ela se junta a um grupo de artistas itinerantes que cruza com um culto violento liderado por um “profeta”. A série usa o colapso não para mostrar caos, mas para perguntar o que permanece essencial quando tudo some. Há mistérios — sobre o vírus, sobre conexões entre personagens, sobre o que a humanidade escolhe preservar. Mas o tom é melancólico, não tenso. Se ‘Silo’ é sobre o que escondem de você, ‘Estação Onze’ é sobre o que você escolhe lembrar quando não sobra mais nada.
Black Mirror: experimentos isolados de controle
Onde assistir: Netflix | Status: em produção (7ª temporada anunciada)
‘Black Mirror’ tem uma vantagem: não precisa sustentar uma mitologia por temporadas. Cada episódio é um experimento isolado sobre como tecnologia pode distorcer, controlar ou destruir. Isso significa que nem todo episódio vai agradar quem busca especificamente o mistério opressor de ‘Silo’ — mas os que funcionam, funcionam muito bem.
“Nosedive” mostra uma sociedade onde sua posição social depende de avaliações constantes — um sistema de controle que se sente plausível demais. “White Christmas” apresenta uma tecnologia que permite bloquear pessoas da sua visão literalmente, transformando humanos em sombras silenciosas. “Arkangel” explora monitoramento parental levado ao extremo. A série não constrói um mundo fechado físico como o silo, mas constrói gaiolas mentais e sociais igualmente sufocantes. O diferencial é a variedade: se você não gostou de um episódio, o próximo pode ser exatamente o tipo de distopia que você procura.
O Homem do Castelo Alto: e se a história mentisse?
Onde assistir: Prime Video | Status: finalizada (4 temporadas)
Baseada no romance de Philip K. Dick, ‘O Homem do Castelo Alto’ imaga os nazistas vencendo a Segunda Guerra. Os Estados Unidos foram divididos entre o Grande Reich Nazista (costa leste) e o Império Japonês (costa oeste), com uma zona neutra nas Montanhas Rochosas.
O elemento que conecta com ‘Silo’ é a descoberta de que a realidade oficial pode não ser a única. Juliana Crain (Alexa Davalos) encontra filmes que mostram outras realidades — incluindo uma onde os Aliados venceram. Isso inspira movimentos de resistência que buscam trazer à tona uma verdade suprimida. A série não tem o mesmo mistério “fechado” do silo, mas opera no registro de “e se a história que contaram estiver errada?” A diferença é que aqui a mentira é histórica, não geográfica. Quem controla o passado controla o presente — a série ilustra isso com competência, embora perca foco nas temporadas finais.
Arcane: distopia animada com peso real
Onde assistir: Netflix | Status: finalizada (2 temporadas)
Se você descartou ‘Arcane’ por ser “só um desenho”, está perdendo uma das distopas mais bem construídas dos últimos anos. Baseada no universo de League of Legends, a série não se limita pelo formato — usa animação para criar um visual que seria impossível em live-action.
O mundo é dividido em dois: Piltover, a cidade utópica do topo, e Zaun, o subterrâneo criminoso e poluído que serve como lixeira da cidade acima. A estrutura “cidade de cima versus cidade de baixo” ecoa diretamente ‘Silo’ — há os que vivem no topo da hierarquia e os que são mantidos embaixo, literal e metaforicamente. Duas irmãs, Vi e Jinx (dubladas por Hailee Steinfeld e Ella Purnell), tornam-se peças centrais no conflito. A sequência em que Jinx, completamente instável, dispara um foguete contra o conselho de Piltover é o tipo de momento que define personagens — e mostra como a opressão de classe gera violseqüências. A animação permite cenas que seriam proibitivamente caras em live-action, e a segunda temporada, lançada em 2024, fecha a história com dignidade.
Qual escolher primeiro?
O padrão que conecta todas essas séries é claro: mundos onde alguém controla a narrativa oficial, e onde descobrir a verdade é simultaneamente necessário e perigoso. Mas a escolha depende do que mais te prendeu em ‘Silo’.
Para a mesma tensão de descobrir que seu mundo é uma mentira, com a mesma qualidade de produção: ‘Severance’ é a companheira perfeita — mesma plataforma, mesmo nível de cuidado, mesmo tipo de mistério que se expande em vez de se resolver.
Para fechamento garantido sem compromisso de longa data: ‘Estação Onze’ entrega história completa em 10 episódios, com o bônus de ser uma das melhores minisséries dos últimos anos.
Para variação de tom sem sacrificar a perturbação: ‘Fallout’ oferece humor ácido sem aliviar o horror subjacente.
Para distopia que dói de verdade, sem a distância do sci-fi: ‘O Conto da Aia’ não tem concorrentes — mas prepare-se emocionalmente.
Uma coisa é certa: nenhuma dessas séries trata o espectador como alguém que quer apenas explosões e reviravoltas fáceis. Elas pedem atenção, recompensam paciência, e deixam aquela sensação que ‘Silo’ deixou — a de que o melhor tipo de ficção científica é aquele que, no fundo, está falando do agora.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre séries parecidas com Silo
Qual série é mais parecida com Silo?
‘Severance’ é a mais similar: mesmo mistério institucional, mesma descoberta progressiva de que a realidade é uma construção, mesmo tipo de tensão que se expande em vez de se resolver. Além disso, está na mesma plataforma (Apple TV+) e tem qualidade de produção equivalente.
Qual dessas séries tem final fechado?
‘Estação Onze’ é uma minissérie completa de 10 episódios com história fechada. ‘Arcane’ também encerrou em 2 temporadas com conclusão satisfatória. ‘O Conto da Aia’, ‘Westworld’ e ‘O Homem do Castelo Alto’ estão finalizadas, mas com temporadas que variam em qualidade.
Silo tem segunda temporada?
Sim. A segunda temporada de ‘Silo’ estreou em janeiro de 2025 na Apple TV+. A série já foi renovada para terceira e quarta temporadas, indicando que a história de Hugh Howey será adaptada completamente.
Preciso assistir em alguma ordem específica?
Não. Todas as séries listadas são independentes — não há conexão entre elas. A ordem depende do que você busca: para mais mistério institucional, comece por ‘Severance’; para fechamento garantido, ‘Estação Onze’; para humor com distopia, ‘Fallout’.
Onde assistir essas séries no Brasil?
‘Severance’ e ‘Silo’ na Apple TV+. ‘Fallout’ e ‘O Homem do Castelo Alto’ na Prime Video. ‘Black Mirror’ e ‘Arcane’ na Netflix. ‘Estação Onze’, ‘Westworld’ e ‘O Conto da Aia’ na HBO Max (esta última também disponível na Prime Video Channels).

