Reunimos todas as mortes da 3ª temporada de O Agente Noturno e explicamos como cada uma conecta pontos da conspiração que vai do Walcott Capital ao Oval Office. Do Voo Pima 12 a Freya Myers, cada fatalidade tem função narrativa — e revela o tamanho da operação criminosa.
Thrillers políticos vivem de um contrato implícito com o público: a promessa de que ninguém está seguro. Mas há uma diferença entre matar personagens por choque e construir uma teia de fatalidades onde cada morte — inclusive as “colaterais” — revela algo sobre a conspiração. Na terceira temporada de O Agente Noturno, os corpos que se acumulam não são estatística de ação. São peças de um tabuleiro que Peter Sutherland precisa desmontar enquanto descobre que a conspiração é maior do que imaginava — e que o próprio presidente está no centro dela.
Assisti aos dez episódios em dois dias, e o que ficou não foi o número de mortes, mas o padrão que elas formam: quanto mais alto Peter escala na investigação, mais pessoas morrem tentando ajudá-lo. É uma estrutura que transforma cada fatalidade em degrau de uma escada que leva ao Oval Office.
O ataque ao Voo Pima 12: horror anônimo como gatilho
O primeiro episódio abre com jogos com um ato de terrorismo que estabelece o tom: um avião comercial lotado de cidadãos americanos é derrubado. Não há construção dramática, não há tempo para conhecer as vítimas — apenas o impacto de vidas anônimas sendo apagadas. E isso é funcional. O roteiro não tenta emocionar com as vítimas do voo porque elas são, narrativamente, o corpo no primeiro ato de um noir: o motivo pelo qual a história existe, não o foco emocional.
O foco está em desvendar quem financiou o ataque. A trama conecta os pontos rapidamente: o grupo terrorista LFS, pequeno até então, começou a receber financiamento massivo de empresas americanas via Walcott Capital Bank. O avião não caiu por acidente. Caiu porque alguém pagou para que caísse — e esse alguém está dentro dos Estados Unidos.
Mike Fonseca: o jornalista que chegou perto demais
Se há uma morte que opera em registro diferente das outras, é a de Mike Fonseca. Não pela violência — um veneno silencioso num copo de bar — mas pelo que ela representa sobre o mundo que a série construiu. Mike era um profissional investigando transações suspeitas do Walcott Capital. Seu erro foi descobrir algo que pessoas poderosas queriam proteger.
O assassino conhecido como “The Father” não é um vilão de opereta. Ele faz o trabalho sujo parecer acidente. Mike morre aparentemente de emergência médica, e todos ao seu redor aceitam essa versão porque é mais fácil do que questionar. A série está dizendo algo sobre como o poder opera: eliminando quem faz perguntas demais e contando com a cegueira conveniente dos outros.
Catherine Weaver: o custo de confiar no aliado errado
A morte de Catherine Weaver é um golpe duplo. Primeiro, porque ela representa uma redenção interrompida — na segunda temporada, Catherine e Peter tinham uma relação de desconfiança mútua; no início da terceira, descobrimos que construíram parceria baseada em respeito profissional. Segundo, porque sua morte é resultado direto de Peter ter subestimado Jacob Monroe.
A cena funciona pela economia: Catherine se aproxima do carro isca que acreditava conter Monroe, e o veículo detona. Não há luta, não há último discurso heroico. Apenas a constatação de que ela estava no lugar errado, tentando fazer a coisa certa. Peter carrega essa culpa pelo resto da temporada — um lembrete de que em conspirações deste tamanho, as pessoas que você tenta proteger se tornam alvos precisamente por estarem associadas a você.
Tyvek e Lansing: a conspiração devora seus próprios
Há um padrão perturbador nas mortes de Vernon Tyvek e do Senador Lansing. Ambos sabiam demais, falharam em proteger a si mesmos, e foram eliminados com precisão por The Father. A diferença está na posição que ocupavam na cadeia de poder.
Tyvek era um funcionário de compliance que assinou documentos suspeitos — um homem pequeno em uma grande máquina. Recusou-se a falar, sabendo que sua vida estava em jogo, e ainda assim morreu. É o tipo de detalhe que revela a crueldade do sistema: mesmo quem obedece às regras do silêncio não está protegido. Já Lansing era um senador com poder real, e foi executado no momento em que começou a ser incômodo. A mensagem é clara novamente, clara: ninguém está acima da limpeza.
O que essas mortes demonstram é a extensão da operação. Não é um ou dois corruptos protegendo segredos. É uma estrutura que engoliu políticos, banqueiros, terroristas e funcionários de escritório — e que elimina qualquer peça que ameaça desestabilizar o todo.
Brian Mott e a mentira da Primeira-dama Jenny Hagan
A morte de Brian Mott recontextualiza tudo o que pensávamos saber. Apresentado inicialmente como um agressor da Primeira-dama Jenny Hagan, morto em legítima defesa por Chelsea Arrington, ele é revelado como algo mais incômodo: um cúmplice que ajudava Jenny a vazar informações classificadas para Jacob Monroe.
Chelsea percebe que algo está errado quando descobre que Mott não estava armado — a narrativa de Jenny era uma mentira. A verdade: Mott queria parar de ajudar, ficou insistente demais, e Jenny preferiu eliminá-lo a arriscar sua própria exposição. A Primeira-dama não é vítima. É peça ativa da conspiração. E a morte de Mott é o momento em que essa verdade se revela.
Sofia de Leon: a origem trágica de Jacob Monroe
Entre todas as fatalidades, a morte de Sofia de Leon opera em registro diferente. Acontece em flashback, décadas antes da trama principal, e sua função é humanizar um vilão que parecia irredeemable. Jacob Monroe não nasceu monstro. Ele se tornou um após perder a mulher que amava para uma prisão mexicana, onde ela morreu logo após dar à luz Isabel.
Raul Zapata, o traficante de armas que Monroe caçaria por toda sua vida, foi quem armou para Sofia. O resultado: Monroe endureceu, tornou-se o corretor de inteligência implacável que conhecemos. É uma origem trágica que não desculpa suas ações, mas explica sua obsessão em destruir Zapata — e seu interesse distorcido em proteger Isabel, a filha que Sofia deixou para trás.
Jacob Monroe: a redenção interrompida
A morte de Jacob Monroe carrega uma ironia que a série não precisa explicar. O homem que passou a vida manipulando informações e eliminando ameaças morre precisamente quando tenta fazer a coisa certa. Ele havia concordado em entregar seu acervo de inteligência ao FBI, uma tentativa desesperada de ganhar a aceitação da filha que negligenciou por décadas.
Não deu tempo. O Presidente Hagan, sabendo que Monroe poderia revelar seu envolvimento na eleição anterior, ordenou sua eliminação. Adam, um dos agentes leais a POTUS, executou a ordem antes que Monroe pudesse se entregar. O vilão que queria redenção é morto pelo verdadeiro vilão da história — um presidente que transformou o governo em operação criminosa.
Raul Zapata e o LSF: o fechamento do ciclo terrorista
A morte de Raul Zapata tem peso diferente das outras. Ele é o arqui-inimigo de Monroe, o homem que destruiu sua vida pessoal e se tornou símbolo de tudo o que deu errado. Monroe morreu sem ver sua vingança se concretizar, mas colaborou para que acontecesse: foi sua informação que levou à localização de Zapata.
O ataque final ao esconderijo do LSF é a ação que a temporada prometeu desde o início. Peter e sua equipe localizam os explosivos rastreados através dos fundos ilícitos do Walcott Capital. O resultado é um confronto brutal que elimina Zapata e vários de seus homens. Não é uma vitória limpa — há violência subaquática, explosões, caos — mas é a conclusão necessária para a ameaça terrorista que iniciou a temporada.
Os assassinos pessoais do Presidente Hagan
O desfecho revela o tamanho real da conspiração. Presidente Hagan não era apenas um político corrupto — ele tinha uma rede de agentes pessoais, velhos companheiros militares transformados em assassinos leais, prontos para eliminar qualquer ameaça. Quando Peter, Isabel, Chelsea e Freya se aproximam demais da verdade, Hagan ativa todos eles.
O resultado é uma corrida violenta nos episódios finais. Peter lutando para levar Freya até Isabel, para que a história possa ser publicada. Vários dos agentes de Hagan morrem no processo — homens que serviram a um presidente traidor e pagaram o preço. É a série funcionando em seu registro mais tenso.
Freya Myers: justiça poética no último gole
E quanto a Freya Myers, a CEO do Walcott Capital que foi peça central em toda a operação criminosa? Ela consegue seu acordo de imunidade, entrega suas informações, pensa ter escapado. Mas cometeu um erro fatal: ameaçou matar alguém que The Father amava.
O assassino não esquece. A última imagem de Freya é ela prestes a beber o mesmo veneno que matou Mike Fonseca. É uma justiça apropriada — a mulher que ordenou tantas mortes morre da mesma forma silenciosa que usou contra outros. A série não perdoa, nem tenta.
Veredito: mortes que constroem, não apenas chocam
A terceira temporada de O Agente Noturno não é perfeita. Algumas mortes poderiam ter mais peso emocional, e o ritmo acelerado dos últimos episódios sacrifica desenvolvimento por ação. Mas a série entende algo que a maioria dos thrillers de streaming ignora: em uma conspiração deste escopo, a morte não é exceção — é consequência esperada.
Cada fatalidade serve a uma função clara. Algumas iniciam investigações (o voo Pima 12). Algumas protegem segredos (Tyvek, Lansing). Algumas revelam verdades ocultas (Mott, Sofia). Algumas fecham ciclos (Monroe, Zapata, Freya). Não há morte gratuita. E isso, em 2026, já é mais do que a maioria das produções do gênero consegue entregar.
Para quem busca a lista: Voo Pima 12 (passageiros anônimos), Mike Fonseca, Catherine Weaver, Vernon Tyvek, Senador Lansing, Brian Mott, Sofia de Leon (flashback), Jacob Monroe, Raul Zapata, membros do LSF, agentes de Hagan, Freya Myers. Mas o valor do artigo não está na contagem — está na compreensão de que cada corpo é uma peça removida de um tabuleiro que Peter Sutherland precisou desmontar para chegar à verdade. E o custo final, em vidas e confiança perdida, é o que torna esta temporada a mais sombria da série.
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Perguntas Frequentes sobre O Agente Noturno 3
Quantos personagens morrem na 3ª temporada de O Agente Noturno?
Além dos passageiros anônimos do Voo Pima 12, morrem: Mike Fonseca, Catherine Weaver, Vernon Tyvek, Senador Lansing, Brian Mott, Sofia de Leon (em flashback), Jacob Monroe, Raul Zapata, membros do LSF, agentes leais a Hagan e Freya Myers. São mais de 15 personagens nomeados.
Quem é o verdadeiro vilão da 3ª temporada de O Agente Noturno?
O Presidente Hagan é revelado como o vilão central. Ele operava uma rede criminosa envolvendo o Walcott Capital, terroristas do LSF e agentes pessoais transformados em assassinos. Jacob Monroe era antagonista, mas não o maior vilão.
A Primeira-dama Jenny Hagan é vilã em O Agente Noturno?
Sim. Jenny Hagan é revelada como peça ativa da conspiração, vazando informações classificadas para Jacob Monroe. A morte de Brian Mott, apresentada inicialmente como legítima defesa, foi na verdade execução ordenada por ela para eliminar um cúmplice inconveniente.
Jacob Monroe morre na 3ª temporada de O Agente Noturno?
Sim. Jacob Monroe é executado por Adam, agente leal ao Presidente Hagan, antes que pudesse se entregar ao FBI. Ele tentava fazer a coisa certa pela primeira vez — entregar seu acervo de inteligência — para ganhar a aceitação da filha Isabel.
Onde assistir O Agente Noturno?
O Agente Noturno é uma produção original Netflix. Todas as três temporadas estão disponíveis exclusivamente na plataforma.

