‘Game of Thrones’: Rebelião de Robert finalmente vai ser adaptada, mas no teatro

A Rebelião de Robert, o conflito que derrubou o Rei Louco em Westeros, será adaptada em 2026 como peça teatral pela Royal Shakespeare Company. Explicamos por que o formato pode ser perfeito para essa história de traições políticas — e o que esperar de ‘The Mad King’.

Existe uma ironia deliciosa no fato de a história mais pedida pelos fãs de ‘Game of Thrones’ finalmente ganhar uma adaptação — e não ser uma série da HBO. A Rebelião de Robert, aquele conflito que moldou todo o mundo de Westeros antes mesmo de Daenerys cruzar o Mar Estreito, chegará em 2026 como uma peça de teatro montada pela Royal Shakespeare Company. E, francamente, pode ser a melhor coisa que poderia acontecer.

A notícia oficial caiu como uma bomba no cenário dos universos expandidos: ‘Game of Thrones: The Mad King’ será encenado no Royal Shakespeare Theatre em Stratford-upon-Avon no verão britânico de 2026, com texto de Duncan Macmillan e direção de Dominic Cooke. A sinopse promete um banquete em Harrenhal na véspera de um torneio, conspirações nas sombras, e o Rei Louco Aerys II Targaryen no centro de tudo. Robert Baratheon, Ned Stark, Jaime Lannister — todos confirmados. É o capítulo que faltava. É também uma aposta ousada.

Por que teatro pode ser o formato perfeito para a queda de Aerys II

Por que teatro pode ser o formato perfeito para a queda de Aerys II

Minha primeira reação ao ler a notícia foi ceticismo. “Mas por que não uma série?” Afinal, a HBO transformou Westeros em um império visual, com orçamentos que rivalizam blockbusters de cinema. Depois de digerir a ideia, porém, percebi que o teatro oferece algo que uma produção de TV jamais conseguiria: intimidade.

A Rebelião de Robert é, em sua essência, uma história de traições políticas, alianças frágeis e segredos sussurrados em corredores. No palco, não há efeitos CGI para distrair. Não há montagens de batalhas épicas para encobrir falhas no roteiro. Há apenas atores, texto e a tensão crua de ver figuras históricas — que conhecemos apenas por referências na série — ganharem carne e sangue a metros de distância do público.

A Royal Shakespeare Company não é qualquer companhia teatral. É a instituição que definiu como encenamos Shakespeare no mundo contemporâneo. Se alguém pode transformar a maquinaria política de Westeros em drama shakespeariano legítimo, são eles. A escolha de Duncan Macmillan para o texto reforça essa ambição: o dramaturgo por trás de ‘1984’ e ‘People, Places and Things’ sabe construir tensão psicológica como poucos. Dominic Cooke, ex-diretor artístico do Royal Court Theatre, traz credenciais impecáveis para um projeto que pede tanto nuance política quanto peso emocional.

O elenco de personagens que finalmente sairá das sombras

Para quem consumiu ‘Game of Thrones’ obsessivamente, os nomes são lendas que ouvimos por oito temporadas. Robert Baratheon, o rei usurpador que amava uma mulher morta e bebia para esquecê-la. Ned Stark, o homem de honra cujo senso de dever o levou à ruína. Jaime Lannister, o Rei Ladrão cujo ato mais infame — empurrar Bran da torre — tem raízes diretas nesse período. E Aerys II, o Rei Louco, cuja demência incendiou uma dinastia.

A sinopse oficial menciona “amantes que se encontram” no banquete de Harrenhal. Qualquer fã sabe o que isso significa: é onde Rhaegar Targaryen supostamente sequestrou Lyanna Stark, o estopim de toda a rebelião. Se a peça tiver coragem de abordar esse evento — e tudo indica que sim —, estaremos diante da cena mais importante da mitologia de Westeros sendo encenada ao vivo.

Há algo poeticamente adequado nisso. A série de TV nos deu dragões e batalhas. O teatro nos dará o coração podre de tudo.

O contexto curioso: ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ provou que prequels funcionam

Enquanto aguardamos ‘The Mad King’, ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ está aí para provar que o universo de George R.R. Martin tem vida própria além da série original. A diferença fundamental: aquela série adapta contos já publicados. A Rebelião de Robert, por outro lado, é um evento que só conhecemos por fragmentos — cartas, memórias de personagens, referências espalhadas.

Isso dá à peça uma liberdade narrativa perigosa e emocionante. Sem um texto canônico para seguir, Macmillan pode preencher lacunas. Quem eram os conspiradores dentro do círculo de Aerys? Como Jaime lidou com a decisão de matar seu rei? O que Ned viu quando invadiu os portões de Porto Real? São perguntas que a série respondeu com diálogos retrospectivos. No teatro, viveremos elas em tempo real.

Uma aposta que pode redefinir como adaptamos fantasia

Se a peça for bem-sucedida — e todos os sinais apontam que a Royal Shakespeare Company está levando isso a sério —, podemos estar testemunhando um novo modelo de expansão de universos. Nem tudo precisa virar série de TV. Nem tudo precisa virar filme. Alguns dramas pedem o formato que Shakespeare dominava há 400 anos: atores em um palco, respirando o mesmo ar que a plateia.

O verão de 2026 parece distante, mas a produção já está em movimento. Os ingressos ainda não foram colocados à venda, mas considerando o histórico da RSC, a demanda será brutal. Para fãs que esperaram mais de uma década para ver a Rebelião de Robert ganhar vida, a espera está quase acabando. E se minha intuição estiver certa, pode ser que saiamos do teatro pensando: “É isso que a HBO nunca conseguiria fazer.”

Resta uma pergunta que só o tempo responderá: se a peça for um sucesso estrondoso, a HBO vai conseguir resistir à tentação de adaptá-la para as telas? Espero, sinceramente, que resistam. Algumas histórias funcionam melhor quando você não pode pausar, não pode fazer zoom, não pode assistir deitado no sofá. Westeros merece esse respeito.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Mad King’

Quando estreia a peça ‘The Mad King’ de Game of Thrones?

‘The Mad King’ estreia no verão de 2026 (junho a agosto no hemisfério norte) no Royal Shakespeare Theatre, em Stratford-upon-Avon, Reino Unido. Datas específicas ainda não foram divulgadas.

Quais personagens estarão na peça da Rebelião de Robert?

A sinopse oficial confirma Robert Baratheon, Ned Stark, Jaime Lannister e o Rei Louco Aerys II Targaryen. A menção a “amantes que se encontram” sugere que Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark também aparecerão.

Quem está escrevendo e dirigindo ‘The Mad King’?

O texto é de Duncan Macmillan, dramaturgo conhecido por ‘1984’ e ‘People, Places and Things’. A direção é de Dominic Cooke, ex-diretor artístico do Royal Court Theatre.

George R.R. Martin está envolvido na peça?

A produção é licenciada por George R.R. Martin, mas ele não está escrevendo o texto. A peça expande eventos que só foram mencionados de forma fragmentada nos livros e na série.

Onde comprar ingressos para ‘The Mad King’?

Os ingressos ainda não estão à venda. Quando disponíveis, serão vendidos pelo site oficial da Royal Shakespeare Company (rsc.org.uk). Dado o histórico da companhia, espera-se alta demanda.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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