Com 93% no Rotten Tomatoes e elenco liderado por Jon Bernthal e o novo Superman David Corenswet, ‘A Cidade É Nossa’ é um thriller sobre corrupção policial em Baltimore baseado em fatos reais. Seis episódios sem preenchimento, estrutura não-linear e abordagem documental fazem desta minissérie da HBO a maratona perfeita para uma única noite.
A HBO construiu sua reputação sobre uma premissa simples: séries que não poderiam existir em nenhum outro lugar. De ‘Família Soprano’ a ‘The White Lotus’, a emissora criou um padrão de qualidade que se tornou sinônimo de televisão prestigiada. Mas no meio desse catálogo repleto de marcos culturais, algumas obras passam despercebidas — e ‘A Cidade É Nossa’ é o exemplo mais recente dessa injustiça.
Lançada em abril de 2022, a minissérie chegou sem alarde, acumulou 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, e desapareceu do radar de muitos espectadores. Agora, com o fim de semana se aproximando, é o momento ideal para descobrir por que esse thriller policial merece muito mais atenção do que recebeu.
Por que ‘A Cidade É Nossa’ é uma joia escondida no catálogo da HBO
Baseada no livro de Justin Fenton, a série documenta a ascensão e queda da Gun Trace Task Force — uma unidade de elite do Departamento de Polícia de Baltimore que deveria combater o tráfico de armas, mas acabou se tornando uma organização criminosa disfarçada de força da lei. O escândalo real, que culminou em oito condenações federais em 2018, é material dramático que dispensa invenção.
O diferencial está na abordagem. Ao invés de romantizar anti-heróis ou criar moralismo fácil, ‘A Cidade É Nossa’ apresenta policiais que não são nem vilões caricatos nem heróis incompreendidos — são pessoas comuns que descobriram que o poder sem fiscalização corrói qualquer princípio. A série não julga; ela observa. E essa observação, fria e clínica, é o que torna o resultado tão perturbador.
O elenco que só melhorou com o tempo
Quando a série estreou, Jon Bernthal era o nome mais reconhecível — conhecido por ‘Dele & Dela’ e seus papéis intensos em produções como ‘The Punisher’. Mas revisitar ‘A Cidade É Nossa’ em 2026 traz uma perspectiva diferente. Bernthal interpreta o Sgt. Wayne Jenkins com aquela energia contida que o ator domina tão bem: um homem que parece sempre prestes a explodir, mas que mantém a fachada de profissionalismo enquanto rouba evidências e planta drogas em inocentes.
O verdadeiro choque de retrospecto está em David Corenswet. Em 2022, ele era um rosto promissor. Hoje, ele é o novo Superman — e ver sua atuação como David McDougall, um investigador de narcóticos tentando navegar um sistema podre, adiciona uma camada fascinante à experiência. Corenswet demonstra aqui a mesma presença magnética que o levou ao Homem de Aço, mas aplicada a um personagem muito mais terrestre e moralmente complexo.
Completando o trio principal, Wunmi Mosaku traz gravidade emocional como a promotora Nicole Steele — a consciência do sistema tentando fazer valer a lei enquanto tudo ao redor desmorona.
A estrutura que transforma seis episódios em um longo filme
Seis episódios. Uma hora cada. Isso significa aproximadamente seis horas de conteúdo — o equivalente a três longas-metragens. Mas ‘A Cidade É Nossa’ não se desenrola como uma série tradicional. Ela funciona como um filme fragmentado, com flashbacks constantes que recontextualizam o que você acabou de ver.
A narrativa não é linear, e essa escolha é fundamental. Ao saltar entre passados e presentes, a série revela gradualmente como homens aparentemente normais se transformaram em criminosos de colarinho branco. Você entende o processo, não apenas o resultado. E essa construção cria um efeito colateral perfeito para maratona: cada episódio termina com uma revelação que faz você precisar do próximo imediatamente.
Não há episódios de transição ou preenchimento. Cada hora de conteúdo avança a trama de forma substancial, mantendo uma tensão constante que raramente permite respirar. É exaustivo no melhor sentido possível — o tipo de exaustão que vem de estar completamente imerso em uma história que se recusa a ser passiva.
Realismo que machuca — e isso é elogio
A série não economiza no retrato da violência, mas não é gratuito. Há uma sequência específica no segundo episódio que define o tom: Jenkins e sua equipe invadem uma casa, e a câmera de Reinaldo Marcus Green permanece fixa, quase documental, enquanto os oficiais revistam o ambiente. Não há trilha sonora dramática para manipular sua reação. Não há julgamento explícito. Apenas a realidade brutal de homens com poder demais e fiscalização de menos. A fotografia de Alex Nepomniaschy usa luz natural e enquadramentos apertados que aumentam a sensação de claustrofobia — você está preso naquele ambiente tanto quanto os suspeitos.
Essa abordagem seca pode afastar quem busca entretenimento escapista, mas é exatamente o que torna ‘A Cidade É Nossa’ memorável. Você não sai de uma maratona pensando que história interessante — você sai questionando sistemas, instituindo desconfiança onde antes havia fé. É o tipo de arte que cumpre uma função social: expor o que preferiríamos não ver.
A conexão com o futuro da parceria Bernthal-Green
Para fãs de quadrinhos, há um bônus extra: Reinaldo Marcus Green e Jon Bernthal estão colaborando novamente em ‘The Punisher’ Special Presentation para a Marvel, previsto para 2026 no Disney+. Ver ‘A Cidade É Nossa’ funciona como uma prévia do que essa parceria pode entregar — e os sinais são promissores.
A compreensão que Green demonstra do tipo de anti-herói que Bernthal interpreta tão bem sugere que o especial do Justiceiro está em boas mãos. A violência contida, a moralidade cinzenta, a recusa em simplificar personagens difíceis — todos esses elementos estão presentes aqui, refinados em um contexto que não precisava de fantasias para funcionar.
Veredito: para quem é (e para quem não é) essa maratona
Se você aprecia thrillers policiais que tratam o público como adulto, ‘A Cidade É Nossa’ é obrigatória. Se você gostou de ‘Dele & Dela’ e quer ver Bernthal em outro papel de homem instável, essa série entrega. Se a ideia de seis horas de corrupção sistêmica soa exaustiva, talvez seja melhor deixar para outro momento.
Mas aqui está o ponto: essa não é uma série para ser consumida aos poucos. Ela foi construída para ser devorada em uma noite, com a tensão acumulando até o desfecho inevitável. É raro encontrar uma produção que consiga manter qualidade constante do primeiro ao último episódio sem vacilar. ‘A Cidade É Nossa’ faz isso, e faz parecer fácil.
No fim, o título é irônico. A cidade não é nossa — e nunca foi. Pertence a quem tem poder para tomá-la. E essa constatação, deixada sem resposta fácil, é o que eleva a série de bom thriller para algo que permanece com você muito depois dos créditos finais.
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Perguntas Frequentes sobre ‘A Cidade É Nossa’
Onde assistir ‘A Cidade É Nossa’ no Brasil?
‘A Cidade É Nossa’ está disponível na HBO Max (atualmente Max) no Brasil. A minissérie é uma produção original da HBO, então permanece exclusiva da plataforma.
Quantos episódios tem ‘A Cidade É Nossa’?
A minissérie tem 6 episódios de aproximadamente 1 hora cada, totalizando cerca de 6 horas de conteúdo — ideal para uma maratona de uma noite.
‘A Cidade É Nossa’ é baseada em fatos reais?
Sim. A série é baseada no livro ‘We Own This City’ de Justin Fenton, que documenta o escândalo real da Gun Trace Task Force de Baltimore. O caso resultou em oito condenações federais de policiais em 2018.
Qual a classificação indicativa de ‘A Cidade É Nossa’?
A série é classificada como 16 anos (ou 18 anos em algumas regiões) por conter violência realista, linguagem forte, uso de drogas e cenas de brutalidade policial. Não é recomendada para públicos sensíveis.
Preciso ter visto ‘The Wire’ para entender ‘A Cidade É Nossa’?
Não. Embora ambas se passem em Baltimore e tratem de corrupção sistêmica, são obras independentes. ‘A Cidade É Nossa’ funciona perfeitamente por si só e não exige conhecimento prévio de nenhuma outra série.

