‘The Gray House’: nova série de Costner é ‘prequel’ espiritual de clássico de Eastwood

‘The Gray House’, nova minissérie de Kevin Costner na Prime Video, funciona como prequel espiritual de ‘Josey Wales’ ao explorar o mesmo Missouri pós-Guerra Civil. Analisamos as conexões temáticas, visuais e históricas entre as duas obras que revisitam o western revisionista.

Kevin Costner retorna ao Oeste com ‘The Gray House’, uma minissérie de seis episódios que chegou à Prime Video em 2026. Mas quem esperava outro western tradicional vai se surpreender: o projeto funciona como uma espécie de prequel espiritual de ‘Josey Wales – O Fora-da-Lei’ (1976), o clássico revisionista de Clint Eastwood. A conexão não é narrativa — é temática e geográfica.

O território compartilhado: Missouri pós-Guerra Civil

O território compartilhado: Missouri pós-Guerra Civil

Ambas as obras se passam na mesma região e época: o Missouri devastado pelo conflito entre Union e Confederacy. Em ‘Josey Wales’, Eastwood interpretava um fazendeiro cuja família foi massacrada por guerrilheiros da União, transformando-o em um fora-da-lei relutante. Em ‘The Gray House’, Costner explora o mesmo solo sangrento — mas pelo ângulo de uma comunidade de mulheres que sobreviveu ao caos.

O Missouri foi, historicamente, um estado-limiar. Não era profundamente Sul nem completamente Norte. Essa ambiguidade gerou algumas das piores violências da guerra: guerrilheiros como William Quantrill e Bloody Bill Anderson aterrorizaram a região com táticas que nem Union nem Confederacy conseguiram controlar. Eastwood capturou isso em 1976; Costner expande agora.

Revisionismo em diâlogos diferentes

‘Josey Wales’ foi revolucionário por retratar soldados Confederados como protagonistas simpáticos — uma inversão radical para o cinema americano da época. Wales não é vilão; é um homem que perdeu tudo e se recusa a se render à ocupação federal. O filme questiona a narrativa de que ‘o Norte era todo bom, o Sul era todo mau’.

‘The Gray House’ opera no mesmo território moral cinza — daí o título. As protagonistas não são heróis claros. A casa que dá nome à série é refúgio, mas também é fortaleza com segredos. Costner, que também assina o roteiro, claramente estudou o que Eastwood fez cinco décadas atrás: desconstruir o western maniqueísta.

Visualmente, dívida com o passado

Visualmente, dívida com o passado

A fotografia de ‘The Gray House’ deve muito à estética que Bruce Surtees criou para ‘Josey Wales’. Tons de terra, céus granulados, uma sensação de mundo gasto pelo sol e pela violência. Não há o romantismo dos westerns clássicos de John Ford — há sujeira, feridas, roupas remendadas.

Costner sempre teve olho para isso. Em ‘Open Range’ (2003), ele capturou a poeira e o silêncio do Oeste de forma quase tátil. Aqui, o orçamento de minissérie permite mais tempo para respirar na paisagem. Os seis episódios funcionam como um western de ritmo lento, onde a atmosfera é tão importante quanto o enredo.

O que difere as duas obras

Se ‘Josey Wales’ é sobre um homem que aprende a viver novamente após perder tudo, ‘The Gray House’ é sobre uma comunidade que se recusa a desaparecer. A perspectiva feminina muda tudo. Enquanto Wales vagava sozinho, essas mulheres constroem algo coletivo — ainda que à base de segredos e moralidade questionável.

Há também uma diferença tonal. Eastwood, em 1976, ainda operava dentro da mitologia do anti-herói solitário. Costner, em 2026, parece interessado em desconstruir até essa desconstrução. A série pergunta: e quando o ‘fora-da-lei nobre’ não é um homem isolado, mas uma rede de sobreviventes?

Para quem é recomendada

Fãs de ‘Josey Wales’ encontrarão ecos familiares — inclusive referências visuais que funcionam como homenagem. Quem aprecia westerns revisionistas como ‘O Assassino de Jesse James pelo Covarde Robert Ford’ ou ‘Hostiles’ vai se sentir em casa. Mas quem busca ação constante pode achar o ritmo lento demais; Costner prioriza atmosfera sobre adrenalina.

A série também funciona como complemento histórico para quem estudou a Guerra Civil apenas pelos livros didáticos. O Missouri pós-guerra foi um lugar onde a paz oficial nunca chegou de verdade — e ‘The Gray House’, como ‘Josey Wales’ antes, captura essa verdade incômoda.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Gray House’

Onde assistir ‘The Gray House’?

‘The Gray House’ está disponível exclusivamente na Prime Video desde fevereiro de 2026. A série tem seis episódios, todos lançados simultaneamente.

Precisa ter visto ‘Josey Wales’ para entender ‘The Gray House’?

Não. A série funciona independentemente. Porém, quem conhece o filme de Eastwood vai perceber referências visuais e temáticas que enriquecem a experiência.

Quantos episódios tem ‘The Gray House’?

A minissérie tem seis episódios, com duração entre 50 e 60 minutos cada. É uma história fechada, sem previsão de segunda temporada.

Kevin Costner atua ou apenas produz ‘The Gray House’?

Costner é protagonista, roteirista e produtor executivo. É seu projeto mais pessoal desde ‘Open Range’ (2003) e sua primeira minissérie desde ‘Hatfields & McCoys’ (2012).

A série é baseada em história real?

Não diretamente. A trama é ficcional, mas o contexto histórico — o Missouri devastado pela guerrilha pós-Guerra Civil — é real e bem pesquisado. Figuras históricas são mencionadas, mas as protagonistas são inventadas.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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