Robert Duvall, lenda de ‘O Poderoso Chefão’, morre aos 95 anos

Robert Duvall morreu aos 95 anos. O ator de ‘O Poderoso Chefão’ e ‘Apocalypse Now’ deixou uma carreira marcada por personagens complexos e uma recusa deliberada ao estrelismo. Relembre seus papéis mais icônicos e a declaração oficial de sua esposa.

Robert Duvall morreu aos 95 anos. A notícia foi confirmada por sua esposa, Luciana Pedraza, em comunicado à imprensa. O ator faleceu em sua casa, cercado pela família.

Duvall deixa uma filmografia que atravessa sete décadas e inclui alguns dos filmes mais importantes da história do cinema americano. Mas se você o conhece apenas como Tom Hagen de ‘O Poderoso Chefão’, conhece apenas uma fração de quem ele foi.

O advogado que quase não existiu

O advogado que quase não existiu

Francis Ford Coppola não queria Duvall para Tom Hagen. O papel foi oferecido a outros atores primeiro. Foi após testes e insistência que ele conquistou o personagem — o filho adotivo de Don Vito Corleone, advogado da família, ponte entre o crime e a legitimidade.

A cena com Marlon Brando no jardim, onde nasce a frase “I’m gonna make him an offer he can’t refuse”, é um dos momentos mais citados do cinema. Mas a contribuição de Duvall vai além. Ele trouxe humanidade a um personagem que poderia ser apenas funcional. Tom Hagen é frio, calculista, mas Duvall encontrou as frestas de vulnerabilidade.

A ausência dele em ‘O Poderoso Chefão III’ (1990) — por disputa salarial — deixou um buraco que o filme nunca preencheu. Uma demonstração de quanto um ator de caráter importa, mesmo quando não é protagonista.

Kilgore e o cheiro de napalm

Se Tom Hagen é contenção, o Coronel Kilgore de ‘Apocalypse Now’ (1979) é explosão. “I love the smell of napalm in the morning” se tornou uma das frases mais icônicas do cinema de guerra. Duvall construiu um personagem absurdo, quase caricato, mas aterradoramente real — um oficial que encontrou prazer na destruição.

A sequência do ataque à praia, com Kilgore surfando enquanto helicópteros bombardeiam a costa, é uma das imagens mais perturbadoras da filmografia de Coppola. Em minutos de tela, Duvall roubou cenas de Martin Sheen e do próprio Marlon Brando.

O Oscar que demorou a chegar

Duvall foi indicado ao Oscar sete vezes. Venceu apenas uma, por ‘A Grande Noite de Rupert’ (1983), de Bruce Beresford. No filme, ele interpreta Mac Sledge, um cantor country em decadência que encontra redenção num motel de beira de estrada no Texas.

É sua atuação mais completa. Duvall aprendeu a cantar e tocar guitarra para o papel. A canção “I’m Easy”, que ele interpreta no filme, não é apenas performance musical — é confissão de um homem que desistiu de si mesmo.

O Oscar veio tarde. Muitos achavam que ele merecia por ‘O Grande Santini’ (1979), por ‘Apocalypse Now’, por ‘O Poderoso Chefão’. Mas o reconhecimento, quando veio, foi para o papel que definiu sua filosofia como ator: personagens marginais, homens comuns, figuras que outros rejeitariam.

O método sem estrelismo

Duvall foi contemporâneo de Brando, Pacino, De Niro. Frequentou o Actors Studio. Mas nunca buscou o estrelismo de Brando ou a intensidade de Pacino. Sua marca foi a economia gestual, a naturalidade que beira o invisível.

Em ‘O Homem que Desafiou o Diabo’ (1997), ele é um advogado aposentado que defende um jovem condenado à morte. Em ‘O Advogado do Diabo’ (1997), lançado no mesmo ano, ele rouba cenas de Al Pacino como o dono da firma. Em ‘A Cura’ (1998), é um médico que aprende com o filho autista de sua esposa.

Duvall escolhia papéis que outros rejeitavam. E os transformava em algo memorável.

A declaração de sua esposa

A declaração de sua esposa

“Robert faleceu tranquilamente em casa, cercado por amor”, disse Luciana Pedraza em comunicado. Eles estavam casados desde 2005, mas juntos desde os anos 90. Pedraza, argentina, foi parceira também em projetos cinematográficos — produziu e dirigiu ao lado dele.

O casamento foi o segundo de Duvall. O primeiro, com Gwyneth Powell, durou de 1964 a 1972. Não teve filhos. Em entrevistas, ele dizia que a paternidade nunca foi prioridade — sua vida era o trabalho.

O legado de um ator que recusou ser estrela

Robert Duvall deixa uma filmografia de mais de 100 filmes. Mas números não definem sua importância. O que define é a qualidade média de suas escolhas, a ausência de papéis puramente comerciais, a dedicação a personagens que outros atores ignorariam.

Ele foi, até o fim, um ator de personagem que se recusou a ser estrela. E essa recusa, paradoxalmente, é o que o torna inesquecível.

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Perguntas Frequentes sobre Robert Duvall

Quantos anos tinha Robert Duvall quando morreu?

Robert Duvall morreu aos 95 anos, em 16 de fevereiro de 2026, em sua casa, cercado pela família.

Qual foi a causa da morte de Robert Duvall?

A causa da morte não foi divulgada oficialmente. O comunicado da família informou apenas que ele faleceu tranquilamente em casa, cercado por amor.

Robert Duvall ganhou Oscar?

Sim. Robert Duvall venceu o Oscar de Melhor Ator em 1984 por ‘A Grande Noite de Rupert’. Ele foi indicado sete vezes ao prêmio ao longo da carreira.

Quais foram os filmes mais famosos de Robert Duvall?

Os filmes mais icônicos de Duvall incluem ‘O Poderoso Chefão’ (1972) como Tom Hagen, ‘Apocalypse Now’ (1979) como Coronel Kilgore, ‘A Grande Noite de Rupert’ (1983) pelo qual ganhou o Oscar, ‘O Grande Santini’ (1979) e ‘O Advogado do Diabo’ (1997).

Quem era a esposa de Robert Duvall?

Robert Duvall era casado desde 2005 com a argentina Luciana Pedraza, com quem mantinha relacionamento desde os anos 90. Ela foi parceira também em projetos cinematográficos, atuando como produtora e diretora ao lado dele.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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