‘Baywatch’: Stephen Amell viverá Hobie Buchannon no reboot da Fox

O Stephen Amell Baywatch reboot na Fox não parece apostar só em nostalgia: ao transformar Hobie Buchannon em capitão e pai tardio, a série tenta trocar câmera lenta por conflito de legado. Entenda por que essa escalação aponta para um ‘Baywatch’ mais dramático — e menos paródia.

Stephen Amell é o primeiro nome oficialmente confirmado no reboot de ‘Baywatch’ na Fox — e a escalação diz muito sobre o que a emissora quer fazer com a marca. Em vez de tratar a série como piada nostálgica (ou como simples vitrine de câmera lenta), o projeto escolhe um protagonista com histórico de ação física e drama serializado. Amell, que passou oito temporadas como Oliver Queen em ‘Arqueiro’ e mostrou outro registro emocional em ‘Heels’, vai viver Hobie Buchannon. Só que agora o antigo “wild child” da franquia cresceu: virou capitão do Baywatch e vai encarar um choque íntimo — descobrir que é pai de uma adolescente que ele nem sabia que existia.

Isso não é “apenas mais um casting”. É uma decisão de conceito. O reboot parece apostar naquilo que a série original raramente colocou no centro: consequências fora do mar. Resgates, sim; mas também legado, família e um herói que não começa a história como promessa — começa como adulto tentando consertar o que perdeu.

De “filho do Mitch” a protagonista: o Hobie que finalmente sai da sombra

No ‘Baywatch’ original, Hobie era o filho de Mitch Buchannon (David Hasselhoff), um adolescente que alternava entre aprontar e, quando a trama lembrava, aprender alguma lição. O personagem foi interpretado por Brandon Call nas primeiras temporadas e depois por Jeremy Jackson durante a maior parte da série (1989-2001). Ele existia, sobretudo, como extensão do pai — e como termômetro teen de uma série que vendia fantasia de verão em capítulos.

O reboot inverte o eixo: Hobie passa a ser o centro, e o “conflito geracional” agora vem de baixo para cima. De acordo com a descrição do personagem divulgada pela produção, a trama começa quando Charlie — a filha que ele desconhecia — aparece querendo seguir os passos da família e se tornar salva-vidas. É um motor dramático claro: pai descobrindo paternidade tardia, só que dentro de um universo onde cada turno pode terminar em resgate, tragédia e exposição pública.

A escolha é mais esperta do que parece. Em vez de tentar “copiar 1994” com novos corpos e o mesmo pôster, a série cria um ponto de tensão contemporâneo: Hobie precisa liderar uma equipe e, ao mesmo tempo, aprender a ser referência para alguém que ele não acompanhou crescer. O mar vira cenário — o problema real é o que ele faz quando a sirene para.

O que a escolha de Matt Nix sinaliza sobre o tom do reboot

O showrunner Matt Nix (conhecido por sua pegada de ação com personagens carismáticos em séries de rede aberta) parece mirar um equilíbrio difícil: manter o apelo pop de ‘Baywatch’ sem cair na autoparódia. E, nesse sentido, Amell funciona como termômetro. Ele é um ator de televisão acostumado a sustentar temporadas longas com consistência física, mas também com a disciplina de construir arco emocional semana após semana.

O texto oficial de divulgação destacou que Nix buscava “heart, intensity, and that undeniable hero energy” no protagonista. A frase soa como PR, mas encaixa com o que Amell fez de melhor: transformar um arquétipo heroico em alguém que paga preço pelo próprio papel. Em ‘Arqueiro’, Oliver Queen nunca foi só “o cara que bate”; era um personagem escrito para carregar culpa, insistir em controle e falhar — e esse tipo de bagagem combina com um Hobie que, aos olhos da filha, já começa devendo.

Também há um ponto prático: Amell tem experiência em contracenar com elenco jovem e sustentar química geracional (algo essencial para a dinâmica com Charlie). A Fox já indicou que o papel da filha será definido por casting aberto, e que a produção mira início na primavera americana em Los Angeles. O pedido inicial seria de 12 episódios, sinal de temporada mais focada — o oposto do modelo de procedimental que estica trama até ela perder tensão.

Jeremy Jackson, anos 90 e a troca de “era” que o reboot precisa assumir

Jeremy Jackson, anos 90 e a troca de “era” que o reboot precisa assumir

Qualquer Hobie novo vai carregar o fantasma de Jeremy Jackson, que marcou a imagem do personagem como “bad boy de praia” num tempo em que a TV vendia arquétipos sem muita psicologia. Só que o contexto mudou: hoje, audiência de série de rede aberta (e de streaming, por tabela) está condicionada a protagonistas com contradições, trauma e narrativa acumulativa.

É aqui que o reboot pode ganhar identidade própria: o Hobie antigo era um garoto tentando atingir um padrão (o do pai). O Hobie de Amell é um homem que já tem cargo, reputação e rotina — e que vai ser medido pela filha num tribunal mais desconfortável do que qualquer resgate: o doméstico. A inversão é simples, mas dá à série uma chance de ser mais do que figurino icônico. Se funcionar, o “legado Buchannon” deixa de ser referência e vira conflito.

O risco do tom: aprender com o filme de 2017

O reboot chega numa encruzilhada: o filme de 2017 com Dwayne Johnson e Zac Efron apostou pesado na comédia e na piscadela para o público, com resultados divisivos. A nova série parece seguir outra direção ao escolher Amell como âncora dramática — alguém que dificilmente é escalado para “rir do material” por duas horas. Isso não significa que o show será sisudo; significa que o humor tende a surgir da dinâmica entre personagens e da situação, não de referência metalinguística a cada cena.

Se a Fox conseguir sustentar a promessa embutida nessa escolha — ação de praia com consequências emocionais reais — o Stephen Amell Baywatch reboot pode encontrar o caminho que muitos reboots ignoram: não reencenar o passado, mas usar o passado para contar uma história diferente. Hobie com sunga vermelha ainda é iconografia; Hobie tentando ser pai sem manual é o tipo de drama que, hoje, segura audiência.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre o reboot de ‘Baywatch’ com Stephen Amell

Stephen Amell foi confirmado em ‘Baywatch’?

Sim. Stephen Amell é o primeiro nome confirmado pela Fox para o reboot de ‘Baywatch’ e vai interpretar Hobie Buchannon.

Quem é Hobie Buchannon em ‘Baywatch’?

Na série original, Hobie era o filho de Mitch Buchannon (David Hasselhoff), interpretado por Brandon Call nas primeiras temporadas e depois por Jeremy Jackson. No reboot, o personagem é reimaginado como capitão do Baywatch e pai de uma adolescente.

O reboot de ‘Baywatch’ é o mesmo universo do filme de 2017?

Não há confirmação oficial de conexão direta com o filme de 2017. Pelo que foi divulgado até agora, a proposta é um reboot televisivo com nova abordagem e foco em Hobie como protagonista.

Quando estreia o reboot de ‘Baywatch’ com Stephen Amell?

A Fox ainda não anunciou data de estreia. As informações divulgadas apontam para produção começando na primavera americana e exibição planejada para a temporada 2026-2027.

Quantos episódios terá o reboot de ‘Baywatch’?

O planejamento divulgado indica uma temporada com 12 episódios, sugerindo um formato mais enxuto e serializado do que o modelo clássico de temporadas longas.

Mais lidas

Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

Veja também