‘Best Medicine’: Fox quase confirma 2ª temporada apesar de crítica mista

A Best Medicine renovação parece inevitável: 10,8 milhões de espectadores (somando plataformas) pesam mais que a divisão Rotten Tomatoes (77% crítica vs 55% público). Entenda por que a Fox tem incentivo financeiro e estratégico para apostar na 2ª temporada — e onde o remake ainda precisa achar sua própria voz.

Existe um tipo de fenômeno televisivo que só faz sentido quando você olha para os números em vez das estrelas. A Best Medicine renovação já parece mais questão de “quando” do que de “se”, mesmo com uma divisão incômoda entre crítica e público: 77% de aprovação no Rotten Tomatoes entre críticos, contra 55% entre espectadores. Normalmente, esse tipo de gap vira alerta de desgaste — aqui, ele está sendo engolido por um fator mais decisivo: a Fox encontrou um título que funciona como audiência e como ativo.

Quando ‘Best Medicine’ estreou na primeira semana de janeiro de 2026, encaixada no empurrão de programação pós-NFL da Fox, os 3,69 milhões de espectadores ao vivo já eram robustos para uma estreia de mid-season. Mas o número que muda a conversa é o consolidado: 10,8 milhões ao considerar o consumo em múltiplas plataformas. Em 2026, isso não é “bônus” — é o dado principal. E é esse alcance que torna a série renovável mesmo sem unanimidade.

Por que a Fox tem incentivo real para renovar (e não é só audiência)

Por que a Fox tem incentivo real para renovar (e não é só audiência)

O detalhe que costuma ficar fora das discussões de cancelamento e renovação é o que manda em qualquer reunião de executivos: quem é dono do quê. A Fox possui ‘Best Medicine’ integralmente por meio da Fox Entertainment Studios. Em um mercado em que a “vida pós-exibição” (streaming, licenciamento internacional, sindicação e pacotes de catálogo) vale tanto quanto — ou mais que — o rating linear, ter controle total da propriedade intelectual muda o jogo.

Eu acompanho ciclos de renovação há mais de uma década, e a lógica é recorrente: séries com produção/propriedade compartilhada precisam performar muito acima da média para justificar custo e divisão de receita. Série “da casa” ganha pista livre com números menores. No caso de ‘Best Medicine’, a equação fica ainda mais favorável porque a Fox teve sua melhor mid-season em 14 anos, embalada também por estreias como ‘Memory of a Killer’ (com Patrick Dempsey) e ‘Fear Factor: House of Fear’ (com Johnny Knoxville). O sucesso do bloco cria uma pressão interna por estabilidade — e estabilidade, em broadcast, se chama segunda temporada.

O que o Rotten Tomatoes está dizendo de verdade sobre crítica (77%) e público (55%)

O gap de 22 pontos não é só “polêmica”: ele explica o tipo de atrito que um remake inevitavelmente provoca. ‘Best Medicine’ é uma versão americana de ‘Doc Martin’, série britânica que durou dez temporadas (2004–2022) com Martin Clunes como o médico brilhante e socialmente intragável — e, aqui, com hemofobia. O original formou um fandom com expectativas muito específicas de tom: humor seco, cadência britânica e uma estranheza confortável de cidade pequena.

Na versão da Fox, Josh Charles (que muita gente ainda associa ao tipo de carisma ambíguo de ‘The Good Wife – Pelo Direito de Recomeçar’) não está apenas reinterpretando um papel: está substituindo uma figura “mítica” para um público que conhece o modelo. Críticos, em geral, avaliam melhor a adaptação quando ela consegue transpor premissa e dinâmica sem virar cópia literal — e a série entrega isso com elenco sólido (Abigail Spencer, Josh Segarra, Annie Potts) e um humor mais próximo do ritmo de comédias médicas americanas.

Já parte do público não está julgando a série em abstrato: está comparando com memória afetiva. E é aí que a “americanização” pesa. O que era uma aresta britânica vira, às vezes, uma suavização de personagem; o que era pausa vira pressa; o que era desconforto vira punchline. Os 55% podem sinalizar menos “a série é ruim” e mais “não é o meu ‘Doc Martin’”. Isso, paradoxalmente, é um problema que o tempo costuma resolver — especialmente se a segunda temporada encontrar uma voz própria.

O tabuleiro da Fox em 2026: consistência multiplataforma acima de tudo

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Para entender por que ‘Best Medicine’ está mais segura que outras séries da mesma leva, vale olhar o ecossistema. Títulos retornantes como ‘Doc’, ‘Murder in a Small Town’ e ‘Animal Control’ parecem estar em zona confortável. Já ‘Going Dutch’, mesmo na segunda temporada, aparece como risco real de cancelamento em reportagens recentes. A diferença, quase sempre, cai em dois pontos: consistência e valor de catálogo.

No modelo antigo, uma série precisava de um número linear alto e imediato — e morria rápido se caísse. No modelo atual do broadcast pós-streaming, a sobrevivência depende de você ser assistido em mais de um lugar e de provar que pode acumular audiência com o tempo. Os 3,69 milhões ao vivo colocam ‘Best Medicine’ no radar; os 10,8 milhões no total transformam o título em “biblioteca em construção”. E biblioteca é o que as empresas monetizam por anos, não por uma semana.

O “trunfo” Martin Clunes: fan service, sim — mas também estratégia

A informação de que Martin Clunes deve aparecer como guest star em episódio futuro não é só agrado para fã nostálgico. É uma jogada de legitimação. O remake não precisa convencer quem já está vendo — precisa reduzir rejeição em quem desistiu por princípio. Quando o rosto do original entra no novo, a mensagem é clara: “não estamos fingindo que o anterior não existe”. Para um remake com avaliação do público abaixo do esperado, isso funciona quase como selo de autenticidade.

Se a renovação de ‘Best Medicine’ for confirmada oficialmente — e o cenário aponta nessa direção — a tendência natural é a série se afastar das sombras do modelo britânico. Com Liz Tuccillo (‘Sexo e a Cidade’) como showrunner, existe repertório para aprofundar fricções de relacionamento e dinâmica de comunidade sem transformar tudo em procedural de “caso da semana”. Esse é o risco: séries médicas que tentam agradar todo mundo acabam virando fórmula. O caminho inteligente é abraçar o protagonista desagradável (sem diluí-lo) e usar a cidade como motor de conflito, não como cenário neutro.

Veredito: por que a renovação faz sentido mesmo com crítica mista

‘Best Medicine’ é o retrato do dilema atual: dá para apontar a diferença entre crítica e público como aviso de ajustes criativos, dá para dizer que ela ainda não alcança o brilho do original, mas é difícil argumentar contra 10,8 milhões de pessoas curiosas em ver Josh Charles navegando constrangimento social enquanto tenta não desmaiar diante de sangue.

Do ponto de vista de negócio, a Fox está fazendo o óbvio: proteger uma propriedade que é dela, que já provou alcance e que pode ganhar valor de catálogo. Do ponto de vista artístico, a segunda temporada (se confirmada) tem uma tarefa simples e dura: parar de pedir desculpas por existir. Se encontrar voz própria, o 55% tende a subir; se continuar como sombra educada do original britânico, a rejeição vira ruído permanente.

Para quem funciona? Se você gosta de séries médicas com humor ácido e personagem difícil no centro, vale experimentar. Se você é purista de ‘Doc Martin’, talvez faça mais sentido esperar a fase em que a adaptação pare de ser comparação e vire hábito — ou, no mínimo, o episódio com Martin Clunes para decidir com o coração menos armado.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Best Medicine’

‘Best Medicine’ foi renovada para a 2ª temporada?

Até 13/02/2026, a Fox ainda não anunciou oficialmente, mas os indicadores (alcance de 10,8 milhões e propriedade integral do estúdio) apontam forte probabilidade de renovação.

Quantos espectadores ‘Best Medicine’ teve na estreia?

A estreia teve 3,69 milhões de espectadores ao vivo na exibição linear; considerando todas as plataformas, o alcance reportado sobe para 10,8 milhões.

‘Best Medicine’ é remake de qual série?

É uma adaptação americana de ‘Doc Martin’, série britânica exibida de 2004 a 2022, estrelada por Martin Clunes como o médico Martin Ellingham.

Por que a nota do público é mais baixa que a da crítica em ‘Best Medicine’?

Em remakes, parte do público avalia por comparação direta com o original (tom, ritmo e humor). Críticos tendem a julgar a adaptação como obra separada, o que costuma gerar esse tipo de diferença.

Martin Clunes vai aparecer em ‘Best Medicine’?

Há informação de que o ator deve fazer participação especial em episódio futuro, mas a confirmação final depende de anúncio oficial da Fox e/ou divulgação de elenco do episódio.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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