Veja a ordem para assistir Demolidor Netflix do jeito que as séries foram pensadas: por lançamento, preservando cruzamentos e arcos emocionais antes de ‘Demolidor: Renascido’. Também indicamos o que é essencial e o que dá para pular sem se perder.
Existe um tipo de maratona que só quem viveu 2015 a 2019 entende por dentro. Quando ‘Daredevil’ estreou na Netflix, a sensação era de estar vendo um MCU paralelo: mais escuro, mais violento, mais interessado em esquina, corredor e tribunal do que em portais no céu. Pular de ‘Jessica Jones’ para ‘Luke Cage’ e reconhecer Claire Temple como “cola” humana de tudo aquilo era, na prática, acompanhar um romance urbano publicado em capítulos.
Agora, com ‘Demolidor: Renascido’ abraçando esses personagens (e não tratando como “lore opcional”), a ordem para assistir Demolidor Netflix deixou de ser debate de fórum: virou o jeito mais limpo de entender por que Matt Murdock e Wilson Fisk carregam tanta história — e por que a volta de Jessica Jones não é fanservice, é consequência.
Sim: dá para ver só as três temporadas de ‘Daredevil’ e seguir. Mas você perde o que essas séries tinham de mais raro: continuidade emocional. O que acontece com Matt repercute em Nova York inteira; o que Jessica atravessa explica o tipo de heroína que ela escolhe ser; e o Justiceiro não “surge pronto” — ele nasce do atrito com o próprio Demolidor.
Por que a ordem de lançamento é a que melhor funciona (e por que a “cronológica” confunde)
A tentação é: “vou assistir tudo do Demolidor de uma vez e depois vejo o resto”. Só que esse universo foi planejado como TV de verdade: cada estreia respondia à anterior e preparava a próxima. Luke Cage em ‘Jessica Jones’ T1 não é participações especiais — é apresentação completa, com dinâmica e feridas expostas, para que sua série comece sem precisar repetir tudo.
Com Frank Castle acontece o mesmo. ‘Daredevil’ T2 funciona como laboratório moral do Justiceiro: a série te obriga a encarar o argumento dele por tempo suficiente para perceber que a violência não é “cool”, é uma crença. E tem um detalhe de linguagem aqui: as melhores temporadas dessas séries usam o espaço urbano como dramaturgia. Hell’s Kitchen é filmada como labirinto (corredores, becos, escadas) e o famoso “plano-sequência do corredor” não é truque — é a série dizendo, com o corpo do personagem, que heroísmo é desgaste.
Por isso, artisticamente, a ordem de lançamento é a única que preserva intenção: você sente o crossover chegar, em vez de “organizar” tudo como se fosse planilha.
A ordem definitiva para maratonar as séries Marvel da Netflix (por lançamento)
Se você quer a experiência completa antes de ‘Demolidor: Renascido’, siga esta ordem. É assim que os arcos foram desenhados para se responder:
1) ‘Daredevil’ – Temporada 1 (abril/2015)
A fundação. A série estabelece o tom (noir urbano), a ética do Matt Murdock e um Wilson Fisk que cresce por acúmulo — reuniões, subornos, ameaças — até virar monstro. A direção aposta em sombras e interiores apertados para transformar a cidade em pressão constante.
2) ‘Jessica Jones’ – Temporada 1 (novembro/2015)
A virada psicológica. A temporada trata trauma e abuso de poder com uma frontalidade que o MCU raramente tentou. E apresenta Luke Cage com propósito dramático, não como “setup” de spin-off.
3) ‘Daredevil’ – Temporada 2 (março/2016)
Expansão e fratura. Elektra entra como tentação, e Frank Castle como espelho distorcido. É aqui que nasce o Justiceiro que o público conhece — e é aqui que Matt aprende que “ganhar uma luta” pode ser perder a alma.
4) ‘Luke Cage’ – Temporada 1 (setembro/2016)
Harlem como protagonista. A série muda a pulsação do universo: música, comunidade e política local entram no centro. Mahershala Ali dá ao vilão uma presença que faz falta nas séries posteriores.
5) ‘Iron Fist’ – Temporada 1 (março/2017)
É a temporada mais irregular do bloco — e o texto não precisa fingir o contrário. Ainda assim, ela é o alicerce narrativo de ‘The Defenders’ (a Hand, a mitologia e as motivações do Danny Rand).
6) ‘The Defenders’ – Minissérie (agosto/2017)
O crossover. Funciona mais quando se apoia na química dos quatro do que quando tenta “virar filme”. Mesmo com escolhas visuais mais claras do que o padrão do ‘Daredevil’, entrega o evento que reorganiza o estado emocional do Matt para a temporada seguinte.
7) ‘The Punisher’ – Temporada 1 (novembro/2017)
O pós-trauma do Demolidor 2. A série é mais “thriller militar” do que “super-herói” e dá ao Bernthal espaço para atuar no registro certo: dor, paranoia e explosão.
8) ‘Jessica Jones’ – Temporada 2 (março/2018)
Origem e ambiguidade. Menos “vilão da semana”, mais investigação sobre quem fabrica heróis (e o que isso custa).
9) ‘Luke Cage’ – Temporada 2 (junho/2018)
Mais afiada que a primeira. Bushmaster é um antagonista com feridas próprias, e a temporada entende que poder em comunidade não é só soco: é símbolo, economia, legado.
10) ‘Iron Fist’ – Temporada 2 (setembro/2018)
Uma correção de rota real: ritmo melhor, conflitos mais claros e Typhoid Mary como ameaça que finalmente desestabiliza o Danny.
11) ‘Daredevil’ – Temporada 3 (outubro/2018)
O ápice dramático do conjunto. Depois de ‘The Defenders’, Matt volta quebrado — e a série filma isso no corpo, na fé e no espaço. O retorno do Kingpin não é “repetição”: é escalada. E Bullseye (Wilson Bethel) entra como ideia aterrorizante: a máscara pode ser sequestrada.
12) ‘The Punisher’ – Temporada 2 (janeiro/2019)
Fecha o ciclo do Frank na era Netflix. Nem tudo tem o peso da T1, mas conclui o personagem antes de ele voltar a orbitar Matt.
13) ‘Jessica Jones’ – Temporada 3 (junho/2019)
Despedida. Uma temporada que prefere a ressaca moral ao espetáculo — o que combina com a personagem e com o fim daquele universo.
Se você quer integrar com os filmes do MCU: o que dá para afirmar sem vender “timeline” como verdade absoluta
É aqui que muita lista na internet se perde: por anos, a própria Marvel foi ambígua sobre o encaixe exato dessas séries no MCU “de cinema”. Hoje, o que faz sentido prático para o espectador é pensar em duas camadas.
- Camada 1 (o que importa para ‘Renascido’): a continuidade interna das séries Netflix. Para isso, a ordem de lançamento acima é a mais segura.
- Camada 2 (referências ao MCU): as séries citam “o Incidente” (a Batalha de Nova York de 2012) como catalisador cultural e político para vigilantes. Fora isso, elas vivem quase sempre em “baixo orçamento diegético”: o mundo é o quarteirão, não o cosmos.
Se você estiver fazendo maratona com filmes, use este princípio simples: assista as séries como um bloco de Fase 3 “street-level”, depois conecte com as aparições recentes (Kingpin em ‘Gavião Arqueiro’ e ‘Eco’; Matt em ‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’ e ‘She-Hulk’). Tentar encaixar cada temporada “entre dois filmes” costuma adicionar ruído, não clareza.
O que é essencial antes de ‘Demolidor: Renascido’ (e o que é opcional)
Se o seu objetivo é chegar em ‘Demolidor: Renascido’ com o coração do arco em dia, o pacote essencial é: ‘Daredevil’ T1, T2, ‘The Defenders’ e ‘Daredevil’ T3. Isso preserva a curva completa: ascensão, tentação, queda e retorno — além de explicar por que Fisk e Vanessa não são “vilões do episódio”.
Quer entender melhor o ecossistema e os cruzamentos prováveis? Aí entram ‘Jessica Jones’ T1 (por importância cultural e por apresentar Luke Cage), ‘The Punisher’ T1 (por fixar Frank) e, se você for completista, o restante.
Veredito: para quem é essa maratona?
Para quem tem paciência para um ritmo mais “TV de 2010s” (temporadas longas, arcos que respiram) e quer ver o MCU num registro que a Disney+ raramente mantém: consequência. Nem tudo envelheceu igual — ‘Iron Fist’ T1 ainda é o vale do trajeto —, mas a recompensa é perceber como esse universo construía tensão com repetição, desgaste e cidade.
Se você vai assistir ‘Demolidor: Renascido’, o mínimo é ver ‘Daredevil’ T1 a T3 (com ‘The Defenders’ no meio). Se quiser chegar entendendo por que certos retornos têm peso — e não apenas “nome conhecido” —, aí sim a ordem completa acima é a melhor forma de maratonar sem sabotar o impacto.
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Perguntas Frequentes sobre a ordem para assistir as séries Marvel da Netflix
Preciso assistir ‘The Defenders’ para entender ‘Daredevil’ temporada 3?
Sim, é altamente recomendado. ‘Daredevil’ T3 começa diretamente a partir das consequências de ‘The Defenders’, e sem a minissérie você perde o contexto do estado físico e emocional do Matt Murdock.
Qual é o mínimo que eu preciso ver antes de ‘Demolidor: Renascido’?
O essencial é: ‘Daredevil’ T1, T2, ‘The Defenders’ e ‘Daredevil’ T3. Esse pacote cobre os personagens centrais (Matt e Fisk) e a virada que prepara o ponto de partida mais provável de ‘Renascido’.
Em que ordem assistir ‘Jessica Jones’, ‘Luke Cage’ e ‘Iron Fist’ sem se perder?
A forma mais segura é seguir a ordem de lançamento: ‘Jessica Jones’ T1 → ‘Luke Cage’ T1 → ‘Iron Fist’ T1 → ‘The Defenders’. Assim, cada personagem é apresentado do jeito planejado e o crossover chega com as relações já estabelecidas.
Dá para pular ‘Iron Fist’ temporada 1?
Dá, mas com ressalvas. Se você pular, ainda consegue ver ‘The Defenders’, porém perde parte do contexto da Hand e das motivações do Danny Rand. Se estiver sem tempo, considere ao menos um resumo de episódios antes do crossover.
Onde assistir as séries da Marvel que eram da Netflix?
Em geral, essas séries passaram a ser disponibilizadas no Disney+ em muitos países após saírem da Netflix. A disponibilidade pode variar por região e catálogo local, então vale conferir diretamente no seu streaming.

