‘Stranger Things: Histórias de 85’ devolve a Eleven o protagonismo que a 5ª temporada desperdiçou

Stranger Things Histórias de 85 parece reposicionar Eleven como eixo dramático da franquia. Analisamos por que a animação (estreia em 23 de abril de 2026) soa como correção do esvaziamento da personagem na 5ª temporada — e o que o trailer indica sobre essa mudança.

Se você saiu da última temporada de ‘Stranger Things’ com a sensação de que algo estava fundamentalmente errado com Eleven, não foi paranoia coletiva. A 5ª temporada da série da Netflix — que deveria ser o ápice da jornada de Millie Bobby Brown — acabou relegando a protagonista a um papel secundário em sua própria história. O resultado apareceu rápido na conversa online e também nos agregadores: o público do Rotten Tomatoes caiu para 53% (contra 89% na temporada anterior), um tombo que diz menos sobre “final triste” e mais sobre frustração com decisões narrativas.

É nesse cenário que Stranger Things Histórias de 85 chega com uma promessa que, do jeito que o material de divulgação foi montado, soa quase como provocação: devolver a Eleven o lugar central que a temporada final parece ter desperdiçado. Com estreia marcada para 23 de abril de 2026, o spin-off animado não se vende como “mais um derivado”, e sim como um retorno ao que fez a série funcionar lá atrás: Hawkins em modo sobrevivência e Eleven como força motriz, não como peça de apoio.

O que a 5ª temporada errou: Eleven virou coadjuvante quando a série pedia o contrário

O que a 5ª temporada errou: Eleven virou coadjuvante quando a série pedia o contrário

‘Stranger Things’ sempre operou com um equilíbrio de grupo, mas com um eixo claro: Eleven. Desde o piloto — fuga do laboratório, Eggos, telecinese como linguagem — os poderes dela não eram um “extra”, eram a engrenagem que justificava a ameaça e o contra-ataque. Vecna é “o chefe final” porque existe alguém capaz de enfrentá-lo em pé de igualdade.

Na 5ª temporada, esse eixo parece deslocado de propósito. A série escolhe reduzir drasticamente a agência de Eleven em momentos que, por lógica interna, deveriam ser dela. A imagem que ficou para muitos fãs é a de regressão: Eleven sangrando pelo nariz ao tentar erguer uma barreira metálica simples, enquanto outro personagem assume a dianteira do extraordinário. Não é uma crítica ao crescimento de Will (há espaço dramático para isso), mas à forma como a temporada faz essa troca: não por evolução orgânica, e sim por subtração de quem carregou a mitologia por anos.

Esse tipo de decisão dói mais porque contradiz a própria 4ª temporada, que foi um arco de recuperação e reconfiguração de poder — memórias, treinamento, retomada de potência. Quando a temporada final ignora esse “contrato” com o espectador, o 53% do Rotten Tomatoes passa a funcionar como sintoma: o público não está punindo a série por encerrar, e sim por encerrar “injusto” com sua protagonista.

Como Stranger Things Histórias de 85 recoloca Eleven no centro (e por que isso muda a dinâmica do grupo)

O que o trailer sugere — e aqui vale o cuidado de separar promessa de entrega — é uma Eleven novamente capaz. Há imagens dela enfrentando uma criatura inédita do Upside Down com poderes em plena exibição, sem a encenação de fragilidade que dominou a temporada final. E, mais importante do que “poder alto”, há reposicionamento dramático: cenas de ação são montadas para que o momento de virada parta dela, não de outra figura “escolhida” na reta final.

O ano de 1985 também não é só fetiche oitentista. O inverno em Hawkins, em especial, é uma escolha que pode funcionar como motor narrativo: isolamento real, comunicação limitada, menos “mundo lá fora” para salvar o grupo. Isso empurra a história para um tipo de dependência que a série original sempre soube explorar bem: quando tudo aperta, o grupo volta ao essencial — e o essencial, no DNA da franquia, é Eleven fazendo diferença.

Há outro detalhe promissor no conceito: a chance de reconstruir o núcleo sem repetir a mesma configuração de duplas. A série live-action, por conveniência de arcos, muitas vezes separou personagens e demorou a colocá-los em atrito produtivo. Uma animação em formato de aventura pode, finalmente, apostar em interações menos óbvias — Eleven e Lucas, Eleven e Dustin — e isso não é fan service: é dramaturgia. A protagonista no centro muda o modo como o grupo toma decisões, reage ao medo e distribui coragem.

Animação como “segunda chance”: escala, linguagem e o peso de não ser refém do CGI

Existe uma ironia boa aqui: uma prequela animada tentando consertar uma sensação deixada pelo “presente” da franquia. Mas, no caso de ‘Histórias de 85’, o retorno no tempo tem uma vantagem clara: permite mostrar Eleven num período em que seus poderes ainda têm sabor de descoberta e perigo, não de freio e punição. É um contexto onde “mostrar potência” não soa como anabolizante narrativo — soa como coerência.

A ausência de Millie Bobby Brown na dublagem (a personagem terá uma nova voz) pode incomodar de início, mas também ajuda a separar duas coisas: a nostalgia do elenco e a construção da personagem. Se a série animada funcionar, será porque acertou em escrita, ritmo e tensão, não porque reproduziu timbres.

E há um fator prático: animação escala sem pedir desculpas. Onde o live-action precisa negociar com orçamento, set e pós-produção para tornar poderes convincentes, o desenho pode transformar telecinese em coreografia visual — mais próxima do terror-fantástico que a série às vezes prometeu e nem sempre cumpriu. Isso não substitui drama, mas devolve à Eleven algo que a 5ª temporada diluiu: a sensação de que ela é, de fato, o elemento extraordinário que equilibra o horror.

Veredito: para quem ‘Stranger Things Histórias de 85’ pode ser a “correção” que faltou — e para quem não vai mudar nada

Para quem se sentiu traído pelo tratamento de Eleven na temporada final, Stranger Things Histórias de 85 tem cara de reparo — não no sentido de apagar o que aconteceu, mas de relembrar por que a franquia ganhou o mundo em 2016. Se o spin-off cumprir o que sugere, ele recoloca a protagonista em posição de decisão: a pessoa que resolve, salva, escolhe, paga o preço.

Agora, vale o alerta editorial: nenhuma prequela “conserta” retroativamente uma temporada que você já não engole. O máximo que ela pode fazer é oferecer outra experiência de Hawkins — uma em que a garota número onze não está na periferia da própria mitologia. Se você ainda tem espaço para gostar de ‘Stranger Things’, abril de 2026 pode ser uma volta com uma condição: desta vez, com Eleven no lugar que sempre foi dela.

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Perguntas Frequentes sobre Stranger Things Histórias de 85

Quando estreia Stranger Things Histórias de 85?

Stranger Things Histórias de 85 tem estreia marcada para 23 de abril de 2026 na Netflix.

Stranger Things Histórias de 85 é uma continuação da 5ª temporada?

Não. A série é apresentada como uma história animada ambientada em 1985, ou seja, funciona como prequela/derivada dentro do universo de ‘Stranger Things’, não como continuação direta dos eventos da 5ª temporada.

Millie Bobby Brown dubla a Eleven em Stranger Things Histórias de 85?

Não. A Eleven terá uma nova voz na versão animada, sem a dublagem de Millie Bobby Brown.

Precisa assistir Stranger Things inteiro para entender Histórias de 85?

Em geral, uma história situada em 1985 tende a ser mais acessível, mas você aproveita melhor se já conhece o básico: quem é Eleven, o que é o Upside Down e como o grupo se formou. Se a Netflix confirmar que a narrativa é “standalone”, dá para entrar por aqui; se não, vale ao menos ter visto as primeiras temporadas.

Stranger Things Histórias de 85 vai ter Eleven com poderes fortes de novo?

Pelo que o trailer sugere, sim: a série anima a personagem em cenas de ação com telecinese em destaque e em posição de protagonismo. Ainda assim, o “nível” real de poder e como isso afeta a trama só dá para cravar com os episódios completos.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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