Matthew Modine, intérprete do Dr. Brenner em Stranger Things, resumiu em uma palavra — “nope” — sua desaprovação ao final da série. Analisamos por que a rejeição do próprio Papa pesa mais do que críticas de fãs e o que os números brutais de audiência revelam sobre o desfecho que dividiu o público.
Em janeiro de 2026, enquanto fãs ainda digeriam o episódio final de Stranger Things, Matthew Modine decidiu que não ia fingir. O ator que deu vida ao Dr. Brenner — o vilão conhecido simplesmente como Papa — respondeu a um comentário no Instagram com uma única palavra: “nope”. Não. Sem rodeios, sem a cortesia de Hollywood de elogiar o trabalho dos colegas, apenas a negação mais contundente possível vinda de alguém que foi peça central da mitologia da Netflix desde 2016.
Essa desaprovação lapidar, capturada em um screenshot que viralizou entre fãs, pesa diferente quando vem de dentro. Modine não é um espectador qualquer; é o rosto da crueldade institucional que definiu a ameaça de Hawkins. Ele viveu nas entranhas do Laboratório Hawkins, filmou cenas de tortura psicológica e experimentação infantil, construiu com Millie Bobby Brown uma dinâmica de abuso que sustentou arcos emocionais por quatro temporadas. Quando o próprio Papa rejeita o destino dado à série, a crítica deixa de ser meramente “fãs insatisfeitos na internet” para se tornar uma fissura visível no edifício da produção.
Por que o “nope” de Modine é um sinal de alerta
A indicação ao Emmy de Modine por And The Band Played On (1993) já o colocava em outro patamar de credibilidade artística, mas é sua intimidade com o universo de Stranger Things que torna o comentário tão significativo. Brenner não era coadjuvante de expediente; era a origem do trauma de Eleven, a encarnação da ciência desumanizada. O ator retornou à série na quarta temporada para cenas que revelaram a história de fundo do personagem, mostrando um homem quebrado por sua própria criação.
Quando alguém com essa história declara, sem hesitar, que o final não funcionou, estamos diante de algo que vai além do gosto pessoal. Sugere uma desconexão entre o que os criadores (os irmãos Duffer) acharam que estavam construindo e o que efetivamente entregaram — uma falha de coerência emocional que não passou despercebida nem mesmo por quem estava dentro do processo criativo. Modine leu os roteiros, filmou as cenas, conheceu a intenção original. E mesmo assim — ou talvez por isso — rejeitou o resultado.
O desfecho que dividiu: números brutais e a sombra de Game of Thrones
O Stranger Things final se insere em uma tradição incômoda da era do streaming: o desfecho de série cultural que fracassa em aterrissar com segurança. Os dados no IMDb são reveladores: mais de 34 mil votos de uma estrela contra 68 mil de dez estrelas, criando uma polarização que não é apenas “alguns não gostaram”, mas uma divisão de guerrilha. No Rotten Tomatoes, a aprovação do público estagnou em 53% — patamar de reprovação para uma série que durante anos foi sinônimo de evento televisivo unânime.
Comparar o desfecho de Hawkins com o de Game of Thrones não é mais exercício de mau gosto; é constatação de padrão. Ambas construíram universos densos durante anos, apenas para entregar finais que muitos consideraram inautênticos às jornadas estabelecidas. Enquanto GOT foi massacrado por decisões narrativas abruptas (Daenerys, o destino de Jon Snow), Stranger Things parece ter pecado pelo oposto: uma ambiguidade tímida demais para ousar, mas conveniente demais para satisfazer.
O destino de Eleven, deixado intencionalmente nebuloso na cena final, é o exemplo perfeito. Não é aberto o suficiente para ser poético (como o corte para preto de Os Sopranos), nem fechado o suficiente para dar paz. Fica no limbo do “e se”, que em 2026 soa mais como desculpa de roteirista com medo de comprometer-se — ou de deixar portas abertas para spin-offs — do que como escolha artística corajosa.
O legado da ambiguidade: quando a decepção alimenta a relevância
Aqui entra uma observação mais cínica, mas necessária: talvez Stranger Things esteja melhor com um final controverso do que com um esquecível. Pense em Família Soprano. O corte abrupto para preto na última cena permanece vivo na cultura pop décadas depois exatamente porque ninguém concorda sobre o que aconteceu. A ambiguidade gerou teoria, teoria gerou engajamento, engajamento gerou permanência no imaginário coletivo.
O final de Stranger Things, ao gerar reações tão visceralmente opostas — do “nope” de Modine aos 68 mil fãs que deram nota máxima — garante que a série continuará relevante por anos. Não como obra perfeita, mas como campo de debate. Cada novo rewatch será acompanhado de “será que Eleven morreu?”, cada discussão de fim de tarde vai reabrir a ferida. Em uma era onde o conteúdo é consumido e descartado em velocidade vertiginosa, ser odiado por metade e amado por outra metade é, ironicamente, uma forma de permanecer vivo.
O que fica quando Papa diz não
Matthew Modine, ao negar o final com aquela palavra seca, fez algo que o roteiro não conseguiu: deu uma resposta definitiva. Em uma série que se perdeu na hesitação entre fechar ciclos e deixar portas abertas, a clareza do ator soa como confissão. Ele viu o material bruto, conheceu a intenção original dos Duffer Brothers, e mesmo assim rejeitou o resultado.
Para quem acompanhou Stranger Things desde 2016, há algo de melancolia nessa constatação. Não é apenas que o final decepcionou; é que ele pareceu trair o espírito da própria série, que sempre equilibrou nostalgia oitentista com invenção narrativa, coração com terror. Quando o vilão mais icônico da produção declara que não compra o desfecho, fica difícil argumentar que tudo deu certo.
O legado de Hawkins, então, não será o da conclusão perfeita, mas da conversa interminável. E talvez, no fim das contas, isso seja mais fiel à essência de Stranger Things do que qualquer resposta clara poderia ser: uma série sobre monstros que vivem nas sombras, sobre questões sem respostas definitivas, sobre a infância que nunca termina de verdade — apenas corta abruptamente para os créditos, deixando todos na expectativa.
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Perguntas Frequentes sobre a Reação de Matthew Modine ao Final de Stranger Things
O que Matthew Modine disse exatamente sobre o final de Stranger Things?
Em janeiro de 2026, respondendo a um comentário no Instagram de um fã que perguntou se havia gostado do desfecho da série, Modine escreveu simplesmente “nope” (não, em inglês). O comentário foi feito em uma publicação pessoal do ator e viralizou entre fãs da série.
Em quais temporadas Matthew Modine apareceu como Dr. Brenner?
Modine esteve presente na 1ª temporada como vilão principal, fez uma participação especial na 2ª temporada (apenas em flashbacks), e retornou de forma significativa na 4ª temporada com cenas que aprofundaram a história de origem do personagem. Ele não aparece na 5ª e última temporada, exceto em referências.
Qual foi a recepção do público ao final de Stranger Things?
O final gerou polarização extrema. No IMDb, houve mais de 34 mil votos de uma estrela contra 68 mil de dez estrelas. No Rotten Tomatoes, a aprovação do público ficou em 53%, indicando divisão quase igual entre espectadores satisfeitos e insatisfeitos.
Por que o Dr. Brenner é chamado de Papa?
Na série, as crianças do Laboratório Hawkins (inclusive Eleven) foram condicionadas a chamar o Dr. Brenner de “Papa” (Pai) como parte do controle psicológico e da dinâmica de abuso institucional estabelecida pelo personagem.
Matthew Modine participou das filmagens da 5ª temporada?
Não. O personagem Dr. Brenner morreu ao final da 4ª temporada, e Modine não filmou cenas para a 5ª temporada. Sua reação ao final é puramente como espectador, embora com o privilégio de conhecer os bastidores e as intenções originais dos criadores.

