Analisamos como a traição de Steffon Fossoway no episódio 4 de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ originou as facções vermelha e verde da casa, explicando por que essa divisão heráldica persiste até ‘Game of Thrones’ mais de cem anos depois.
Algumas traições ecoam por séculos. Não as grandes, movidas por ambição de reinos, mas aquelas pequenas e pessoais — gestos de covardia em momentos cruciais que, sem que ninguém preveja, reescrevem a história de uma família. Em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, isso acontece em um piscar de olhos, durante um julgamento por combate que determinará o destino de Dunk. A decisão de Steffon Fossoway de abandonar o cavaleiro errante no momento mais crítico não é apenas um golpe dramático no episódio 4; é o ponto de divergência que explica por que, mais de cem anos depois em ‘Game of Thrones’, existem duas facções da Casa Fossoway Cavaleiro dos Sete Reinos: a da maçã vermelha e a da maçã verde.
Para quem acompanha o universo de George R.R. Martin apenas pelas telas, os Fossoway podem parecer mais um nome no meio daquelas listas intermináveis de casas menores. Não são Lannisters, nem Starks, nem mesmo Tullys. Mas são exatamente essas famílias de segundo escalão que dão densidade ao mundo de Westeros, e a HBO, em sua nova série derivada, finalmente nos mostra o momento exato em que uma linhagem se bifurca para sempre.
O momento exato em que Steffon Fossoway quebrou juramento
A cena é tensa por si só. Dunk enfrenta um Julgamento dos Sete — uma prática arcana onde sete cavaleiros lutam contra outros sete para determinar a vontade dos deuses. Steffon havia jurado sua espada ao protagonista, prometendo lutar ao seu lado contra a acusação do Príncipe Aerion Targaryen. Até poucos minutos antes do combate, tudo parecia certo. Mas quando a armadura já está vestida e as lanças preparadas, Steffon revela sua verdadeira face.
Edward Ashley interpreta o momento com uma covardia silenciosa. Não há vilania teatral, apenas um cálculo frio: Steffon percebe que Dunk está em desvantagem numérica e decide, pragmaticamente, trocar de lado. Ele se ajoelha diante de Aerion, deixando Dunk desesperado — o cavaleiro errante precisava de sete lutadores e agora tinha seis. A traição é tão repentina quanto brutal, e assistir a cena me fez pensar em como Martin (e agora a adaptação da HBO) entende que a deslealdade nem sempre vem de inimigos declarados, mas daqueles que juraram ser amigos.
Por que Raymun pintou a maçã de verde
Aqui entra o verdadeiro valor histórico do episódio. Raymun Fossoway, primo de Steffon e seu escudeiro, testemunha a traição com uma fúria que Shaum Thomas transmite nos olhos — é vergonha familiar misturada com indignação moral. Em vez de seguir o primo, Raymun exige ser cavaleirado na hora, pedindo a Dunk que o faça ser um cavaleiro para poder lutar contra o próprio sangue.
O momento é carregado de simbolismo. Raymun não apenas muda de lado no combate; ele rejeita a identidade visual de sua casa. No escudo, onde deveria estar a maçã vermelha tradicional dos Fossoway de Cider Hall, ele pinta a fruta de verde. É um gesto visual simples, quase infantil — uma pintura por cima da heráldica ancestral —, mas que reverbera por gerações. Essa maçã verde se torna o estandarte de uma nova linhagem.
Quando li The Hedge Knight anos atrás, essa passagem me pareceu um detalhe colorido, quase um easter egg para fãs de heráldica. Ver isso adaptado em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ com a gravidade que a série proporciona transforma o momento em algo maior: é a fundação de uma dinastia paralela. O episódio não apenas conta uma história de cavaleiros; ele explica uma curiosidade que fãs de ‘Game of Thrones’ notaram nos livros — por que existem Fossoway vermelhos e verdes?
Onde as duas maçãs aparecem em ‘Game of Thrones’
Passados mais de cem anos, quando os eventos de ‘Game of Thrones’ começam, ambas as facções ainda existem. Os Fossoway da Maçã Vermelha permanecem em Cider Hall, leais à tradição (e à memória do traidor Steffon, ironicamente). Os Fossoway da Maçã Verde estabeleceram-se em New Barrel, uma sede menor mas distinta, criada pela linhagem iniciada por Raymun naquele campo de batalha.
O que torna esse worldbuilding especialmente satisfatório para quem conhece a lore é a ironia histórica: ambas as facções juram lealdade à Casa Tyrell de Highgarden durante a Guerra dos Cinco Reis. Quando Robert Baratheon morre, primeiro apoiam Renly, depois Stannis. E aqui está o detalhe que só quem realmente mergulhou nos livros nota — Stannis e Renly são descendentes de Lyonel Baratheon, o Risonho, o mesmo homem que cavaleirou Raymun Fossoway naquele dia fatídico do Julgamento dos Sete.
É uma simetria perfeita, quase poética. O cavaleiro que nasceu da traição de Steffon funda uma linhagem que, séculos depois, apoia os descendentes daquele que o elevou à cavalaria. ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ não está apenas contando histórias isoladas do passado; está desenhando as linhas invisíveis que conectam gerações de lealdade e conflito em Westeros.
Por que esses detalhes importam no universo HBO
A tentação, ao adaptar prequências, é sempre focar nos grandes eventos — dragões, batalhas, tronos. Mas a HBO, nesta série, demonstra compreensão de que a força de Martin está nos detalhes institucionais. A divisão da Casa Fossoway Cavaleiro dos Sete Reinos entre vermelho e verde não é apenas lore para completistas; é um comentário sobre como a honra (e a desonra) se fossilizam em identidades familiares.
Steffon não apenas traiu Dunk; ele criou uma sombra que sua família carregaria por séculos. Raymun não apenas foi leal; ele institucionalizou essa lealdade em uma nova identidade heráldica. Quando vemos essas maçãs verdes e vermelhas mencionadas casualmente em ‘Game of Thrones’, agora sabemos que cada uma carrega o peso de uma escolha feita em um campo de torneio, entre poeira e sangue.
Se você assistiu ao episódio 4 e viu apenas uma traição conveniente para aumentar a tensão do Julgamento dos Sete, talvez tenha perdido o ponto. A cena de Steffon ajoelhando-se diante de Aerion enquanto Raymun observa horrorizado é a gênese de uma das divisões familiares mais duradouras de Westeros. E isso, mais do que qualquer dragão, é o que faz o universo de Martin parecer vivo — a sensação de que cada traição pequena tem consequências que duram mais que os traidores.
Para quem vai acompanhar o restante da temporada, fica a dica: preste atenção nos escudos. Cores e símbolos em Westeros não são apenas decoração; são história condensada, e ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ está provando que algumas das histórias mais fascinantes são aquelas escritas com tinta verde sobre maçãs vermelhas.
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Perguntas Frequentes sobre a Casa Fossoway Cavaleiro dos Sete Reinos
O que significa a maçã verde dos Fossoway em Game of Thrones?
A maçã verde representa a linhagem fundada por Raymun Fossoway após ele rejeitar a traição de seu primo Steffon no Julgamento dos Sete. A cor verde simboliza lealdade a Dunk e distanciamento da tradição da maçã vermelha de Cider Hall.
Quem é Steffon Fossoway em O Cavaleiro dos Sete Reinos?
Steffon Fossoway é um cavaleiro da Casa Fossoway que jurou lutar ao lado de Dunk no Julgamento dos Sete, mas traiu o protagonista momentos antes do combate, ajoelhando-se diante do Príncipe Aerion Targaryen. Sua traição originou a divisão da casa entre vermelhos e verdes.
Qual a diferença entre Fossoway vermelhos e verdes?
Os Fossoway da Maçã Vermelha (Red Apples) permanecem em Cider Hall, descendentes de Steffon. Os Fossoway da Maçã Verde (Green Apples) estabeleceram-se em New Barrel, fundados por Raymun após o Julgamento dos Sete. Ambos são casas menores juradas à Casa Tyrell.
Raymun Fossoway aparece em Game of Thrones?
Não. Raymun viveu cerca de 100 anos antes dos eventos de Game of Thrones, mas seus descendentes — os Fossoway da Maçã Verde — são mencionados nos livros como aliados da Casa Tyrell durante a Guerra dos Cinco Reis.
O Julgamento dos Sete é uma prática real em Westeros?
Sim. É uma forma rara de julgamento por combate onde sete cavaleiros lutam contra outros sete, acreditando que os deuses intervirão a favor do lado justo. É considerado arcaico mesmo durante os eventos de O Cavaleiro dos Sete Reinos, ocorrendo décadas antes de Game of Thrones.

