Analisamos como o acordo first-look de Dan Trachtenberg com a Paramount reacende a possibilidade de uma sequência de ‘Rua Cloverfield, 10’, dez anos após o thriller claustrofóbico de 2016. Entenda por que o retorno do diretor ao estúdio muda as chances de vermos Michelle enfrentando o apocalipse alienígena.
Dan Trachtenberg está retornando à Paramount Pictures. Após revitalizar O Predador com três filmes que demonstraram como franquias podem renascer com visão autoral, o diretor fechou um acordo first-look de três anos com o estúdio. Essa movimentação reacende uma possibilidade que parecia adormecida: uma sequência de ‘Rua Cloverfield, 10’.
O thriller de 2016 não foi apenas um sucesso comercial — arrecadou US$ 110 milhões mundialmente com um orçamento de US$ 15 milhões —, mas um exercício de tensão psicológica sustentado pela fotografia claustrofóbica de Jeff Cutter e pela performance inquietante de John Goodman. Agora, com Trachtenberg de volta ao estúdio que o lançou, as peças se alinham para que Michelle (Mary Elizabeth Winstead) volte a enfrentar o apocalipse alienígena apenas sugerido na cena final, quando ela dirige para Houston determinada a enfrentar as criaturas.
O que muda com o acordo first-look de três anos
O contrato significa que Trachtenberg desenvolverá projetos prioritariamente para a Paramount antes de oferecê-los a outros estúdios. Aqui reside a significância prática dessa notícia: ‘Rua Cloverfield, 10’ foi exatamente o filme que apresentou Trachtenberg ao mundo em 2016. Ele estreou na Paramount, provou que conseguia segurar uma produção de estúdio com mão firme, e saiu para conquistar espaço em outras franquias.
Durante esse período, ele executou o que poucos diretores conseguem: transformou O Predador em propriedade vital novamente. Três filmes, todos aclamados pela crítica, demonstrando que Trachtenberg entende expandir universos existentes sem cair em fórmulas — ele subverte expectativas, trabalha com orçamentos contidos quando necessário, e entrega blockbusters com densidade narrativa.
Em 2023, numa entrevista à CinemaBlend, Trachtenberg já havia deixado escapar que mantinha viva a chama pela continuação: “Eu ainda estaria totalmente aberto a isso. Acho que Mary [Elizabeth Winstead] também… Conversamos um pouco em cenários de ‘e se’. E então eu fui puxado, todos os cineastas foram meio que puxados para outras coisas. Mas eu ainda consideraria.”
A diferença agora é estrutural. Ele não está mais sendo “puxado” para projetos externos. Está sentando à mesa com a Paramount como um dos diretores mais quentes do momento, exatamente no estúdio onde deixou uma história inacabada.
O desafio narrativo dez anos depois
Passaram-se dez anos desde que vimos Michelle dirigindo para Houston, decidida a enfrentar as criaturas que dominavam os céus. O cinema mudou. O público mudou. Uma sequência que simplesmente mostrasse a protagonista batalhando alienígenas no dia seguinte aos eventos provavelmente soaria deslocada.
Mas Trachtenberg nunca foi o diretor de soluções óbvias. A força do original estava em distorcer expectativas: vendemos como filme de sequestro psicológico, entregamos invasão alienígena. A continuação não precisa ser sequência direta imediata — e isso é libertador narrativamente.
O cenário mais promissor é aquele que o próprio diretor sugere ao falar em “explorar o estado do mundo alguns anos depois”. Imagine um filme ambientado numa Terra já conquistada ou em guerra ativa com as criaturas, anos após os eventos do bunker. Michelle poderia ser líder de resistência, ou sobrevivente traumatizada que finalmente emerge. O salto temporal permite explorar consequências de longo prazo do ataque sugerido no final do primeiro filme, sem precisar explicar o que aconteceu imediatamente após ela sair do carro.
O universo Cloverfield se expande
A Paramount não abandonou a propriedade intelectual. Enquanto isso, Cloverfield: Monstro 2 — sequência direta do filme de 2008 de Matt Reeves — está em desenvolvimento ativo. O estúdio reconhece o valor dessa franquia, especialmente quando o terror sci-fi vive novo auge no mainstream.
Mas ‘Rua Cloverfield, 10’ sempre foi o filme mais elegante da série. Com 91% de aprovação no Rotten Tomatoes, ele transcendeu o conceito de “spin-off de monstros” para se tornar estudo de personagem claustrofóbico. John Goodman entregou performance que misturava ameaça e vulnerabilidade, e Winstead provou que podia carregar um blockbuster sem explosões constantes.
O fato de a Paramount investir no universo original abre espaço para que Trachtenberg negocie uma continuação que converse com essa mitologia expandida, mas mantenha a identidade psicológica que fez o filme de 2016 especial. Não precisa ser um filme de monstros gigantes — pode ser um filme de sobrevivência humana em escala intimista, como ele executa tão bem.
Por que Trachtenberg é a peça-chave
Revitalizar franquias é talento raro. A indústria está cheia de diretores que fazem reboots competentes, mas poucos conseguem injetar vida nova mantendo o DNA original. Trachtenberg provou isso com O Predador: entendeu que o terror não estava no monstro, mas na caçada, na vulnerabilidade humana frente a um predador perfeito.
Em ‘Rua Cloverfield, 10’, essa habilidade já era visível. A tensão no bunker não vinha dos aliens lá fora — vinha de Howard. A ameaça extraterrestre era quase alívio cômico comparada à paranoia doméstica. Uma sequência precisaria desse mesmo equilíbrio: horror cósmico diluído em drama humano.
E Trachtenberg tem autoridade para exigir isso agora. Depois do sucesso com Predador, ele não precisa provar nada. Pode negociar orçamento adequado, controle criativo, e — o mais importante — trazer Mary Elizabeth Winstead de volta. A química entre diretor e atriz, já demonstrada nas conversas de “e se” que ele mencionou, é fundamental. Winstead consolidou-se como protagonista de cinema de gênero (em ‘Aves de Rapina’ e ‘Sob o Domínio do Medo’), e Michelle é personagem com arco inacabado que merece resolução.
O timing nunca foi tão favorável
Dez anos parecem muito tempo, mas no cinema de franquias, é vantagem. O público que cresceu com ‘Rua Cloverfield, 10’ agora tem idade para apreciar uma continuação mais madura, mais sombria, menos interessada em explicações fáceis. E Trachtenberg, voltando à Paramount como cineasta consagrado, tem a autoridade para fazer exatamente isso.
A questão não é mais “será que vai acontecer?” A questão é “qual dos cenários de ‘e se’ ele vai escolher?” E qualquer que seja a resposta, se envolver Trachtenberg, Winstead, e o pós-apocalipse alienígena visto pelos olhos humanos que tanto bem ele conhece, terá legitimidade para existir — algo que há dez anos parecia improvável.
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Perguntas Frequentes sobre a sequência de ‘Rua Cloverfield, 10’
Quando sai a sequência de ‘Rua Cloverfield, 10’?
O filme ainda não foi oficialmente confirmado. O acordo first-look de Dan Trachtenberg com a Paramount, anunciado recentemente, reabre a possibilidade, mas não há data de estreia ou produção iniciada. Considerando o ciclo de desenvolvimento, se aprovado em 2025, poderia chegar aos cinemas entre 2027 e 2028.
Mary Elizabeth Winstead vai voltar no segundo filme?
O diretor Dan Trachtenberg já declarou que tanto ele quanto Mary Elizabeth Winstead estão “totalmente abertos” a retornar. Em entrevistas recentes, ele mencionou que mantêm conversas sobre “cenários de e se”, indicando que a atriz é peça central dos planos para uma possível continuação.
O que aconteceu no final de ‘Rua Cloverfield, 10’?
No final de 2016, Michelle (Winstead) escapa do bunker de Howard após confrontá-lo. Ela dirige para Houston e avista uma nave alienígena. Em vez de fugir, ela vira o carro e segue em direção à criatura, decidida a enfrentar o apocalipse. A cena termina com ela indo de encontro ao perigo, deixando seu destino em aberto.
Preciso ver ‘Cloverfield: Monstro’ (2008) para entender ‘Rua Cloverfield, 10’?
Não. ‘Rua Cloverfield, 10’ funciona como filme standalone. Embora existam easter eggs conectando-o ao universo Cloverfield (como a cena final e menções à empresa Tagruato), a trama do bunker é independente. O filme de 2016 foi concebido como história paralela, não sequência direta.
Qual a relação entre a sequência de ‘Rua Cloverfield, 10’ e ‘Cloverfield: Monstro 2’?
São projetos separados. ‘Cloverfield: Monstro 2’ é sequência direta do filme de 2008 de Matt Reeves, focada na criatura gigante que atacou Nova York. Uma possível sequência de ‘Rua Cloverfield, 10’ continuaria a história de Michelle no pós-apocalipse alienígena, possivelmente explorando a mesma invasão por outro ângulo geográfico e temporal.

