‘Batman 2’ pode explorar algo inédito: um Coringa que já conhece o Morcego

Em ‘Batman 2’, a dinâmica entre o Morcego e o Coringa de Barry Keoghan promete quebrar o ciclo de histórias de origem. Analisamos como a relação de ‘velhos conhecidos’ transforma o vilão em um consultor psicológico e por que essa abordagem é o segredo para evitar a saturação do personagem.

Se você sentiu um leve cansaço quando a risada histérica ecoou nas sombras de Arkham ao final de ‘The Batman’ (2022), o sentimento é legítimo. O Palhaço do Crime é, sem dúvida, o personagem mais saturado da cultura pop recente. No entanto, o que Matt Reeves está arquitetando para a sequência vai muito além de uma simples repetição de arquétipos. A grande força de Batman 2 Coringa não reside na promessa de um novo caos, mas na subversão de uma cronologia que o cinema sempre preferiu ignorar: a de que o herói e o vilão já possuem um passado compartilhado.

Ao contrário das iterações de Jack Nicholson ou Heath Ledger, o Coringa de Barry Keoghan não é um elemento externo que surge para testar Gotham. Ele já é um detento, capturado por um Bruce Wayne ainda em seu ‘Ano Um’. Na cena deletada de cinco minutos — que considero fundamental para entender o tom desta franquia — a tensão não emana das próteses grotescas de Keoghan, mas da familiaridade gélida entre os dois. Robert Pattinson não o encara com o choque da descoberta, mas com o enfado de quem já conhece cada armadilha retórica daquela mente. É essa bagagem prévia que pode transformar a sequência em algo inédito.

O fim do ‘Primeiro Encontro’: A ruptura com a tradição de Burton e Nolan

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Historicamente, o cinema é obcecado pela origem da rivalidade. Em 1989, Tim Burton nos entregou uma conexão direta (e controversa) onde um criou o outro. Já na trilogia ‘O Cavaleiro das Trevas’, Christopher Nolan apresentou o Coringa como uma força da natureza sem passado, um agente do caos que colide com o sistema de Wayne pela primeira vez. Até mesmo a breve interação no ‘Snyder Cut’ entre Ben Affleck e Jared Leto era uma projeção onírica, desprovida de uma continuidade tátil.

Matt Reeves propõe tratar o vilão como ‘parte da mobília’ de Gotham. Ao estabelecer que o Batman já o derrotou, o roteiro elimina a necessidade de exposição e foca no que realmente importa: a dinâmica psicológica. Isso permite que ‘The Batman Part II’ explore o Coringa como um consultor sombrio, um ‘Hannibal Lecter’ para o ‘Clarice Starling’ de Pattinson. Na interação em Arkham, o som abafado pelo vidro e a fotografia desfocada de Greig Fraser isolam os dois em um universo particular, onde o Batman recorre ao mal para entender o mal (no caso, o Charada).

O ‘Oráculo de Arkham’: Por que Keoghan não precisa ser o vilão principal

Há um temor de que o Coringa roube o oxigênio de outros antagonistas, como o Silêncio ou o Tribunal das Corujas. Mas os indícios sugerem que Reeves é inteligente o suficiente para mantê-lo na periferia. Transformá-lo em uma presença constante, mas não central, confere ao universo uma textura de ‘mundo vivo’. Em ‘Batman: O Retorno’, por exemplo, os vilões surgiam e desapareciam em vácuos narrativos; aqui, o Coringa é o tecido conjuntivo da mitologia.

Barry Keoghan traz uma energia desconfortável, uma vulnerabilidade física que esconde uma astúcia preversa. Ele não precisa explodir hospitais para ser perigoso; sua ameaça é intelectual. Ele é o espelho que Bruce Wayne evita olhar, o lembrete constante de que a linha entre a justiça e a psicose é mais tênue do que o herói gostaria de admitir. A escolha de não usá-lo como antagonista principal é a prova de que a produção valoriza a construção de mundo sobre o espetáculo imediato.

O trunfo da paciência narrativa

O maior acerto de ‘Batman 2’ pode ser justamente a paciência. Em vez de queimar o cartucho do maior vilão de todos os tempos em um confronto final pirotécnico, o filme escolhe o caminho da erosão psicológica. Se o cinema já nos mostrou exaustivamente como eles se conheceram, está na hora de nos mostrar como eles se suportam — ou se destroem — lentamente em um jogo de xadrez que começou muito antes do primeiro frame do filme de 2022. É cinema de gênero tratado com a profundidade de um estudo de personagem, onde o maior inimigo do Morcego não é o riso, mas a verdade que ele carrega.

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Perguntas Frequentes sobre o Coringa em Batman 2

Barry Keoghan está confirmado em ‘The Batman Part II’?

Embora a Warner Bros. mantenha sigilo, o próprio Barry Keoghan e o diretor Matt Reeves deram fortes indícios de que o personagem retornará, possivelmente ainda preso em Arkham.

O Coringa será o vilão principal da sequência?

Tudo indica que não. Matt Reeves sinalizou que o Coringa deve atuar como uma figura recorrente no universo, enquanto outros vilões (como o Pinguim ou novos nomes) assumem o papel de antagonistas principais.

Onde posso ver a cena do Coringa que foi cortada do primeiro filme?

A cena deletada de 5 minutos, onde Batman visita o Coringa em Arkham para pedir ajuda sobre o Charada, está disponível oficialmente no canal do YouTube da Warner Bros. e nos extras do Blu-ray.

Qual a data de lançamento de ‘The Batman Part II’?

Atualmente, a estreia de ‘The Batman Part II’ está agendada para 2 de outubro de 2026, após ter sido adiada para ajustes no roteiro e produção.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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