‘O Poder e a Lei’ T4: a armação que coloca Mickey no banco dos réus

Analisamos como ‘O Poder e a Lei’ temporada 4 adapta o livro ‘The Law of Innocence’, colocando Mickey Haller no banco dos réus. Entenda a conexão com a máfia armênia, a morte impactante de um mentor e como a série resolveu a ausência de Harry Bosch com a chegada de Cobie Smulders.

Mickey Haller sempre foi o mestre em encontrar as brechas no sistema para salvar seus clientes, mas em ‘O Poder e a Lei’ temporada 4, o sistema finalmente se volta contra ele com uma força devastadora. Baseada no livro ‘The Law of Innocence’ de Michael Connelly, esta temporada não é apenas mais um procedural jurídico; é um mergulho profundo na vulnerabilidade de um homem que construiu sua carreira no banco da frente de um Lincoln, mas que agora se vê algemado no banco dos réus.

A premissa é um pesadelo para qualquer advogado de defesa: o corpo de um ex-cliente, Sam Scales, é encontrado no porta-malas do carro de Mickey. O que se segue é uma narrativa de sobrevivência onde o carisma habitual de Haller dá lugar a um desespero controlado. A série acerta ao não facilitar o caminho para o protagonista. A promotoria escala Dana ‘Death Row’ para o caso, e a evidência é tão contundente que Mickey toma a decisão mais arriscada de sua vida: defender a si mesmo no que se torna o julgamento do século para o tribunal de Los Angeles.

O esquema Biogreen: como a máfia armênia silenciou Sam Scales

O esquema Biogreen: como a máfia armênia silenciou Sam Scales

Para entender como Mickey foi parar nessa situação, precisamos olhar para o rastro deixado por Scales. A trama revela uma conexão com Alex Garizian, um gângster armênio que guardava um rancor profundo de Haller desde o julgamento de Lisa Trammel. Garizian estava operando um esquema sofisticado chamado ‘Bleeding the Beast’ através de sua empresa, a Biogreen.

O golpe era clássico, mas lucrativo: enganar o governo para receber subsídios de biocombustível sem realmente vender o produto. Eles apenas trocavam os rótulos dos mesmos barris e os moviam para dentro e fora da instalação. Sam Scales, o eterno trapaceiro, estava desviando dinheiro do esquema. Garizian, ao descobrir, viu a oportunidade de eliminar o traidor e incriminar o advogado que o havia prejudicado no passado. É o tipo de reviravolta que ‘O Poder e a Lei’ temporada 4 conduz com precisão cirúrgica, mantendo o espectador tentando montar o quebra-cabeça junto com a equipe de defesa.

Justiça vs. Burocracia: por que o FBI deixou Mickey Haller sangrar

Um dos pontos mais frustrantes — e realistas — desta temporada é o papel do FBI. Mickey descobre que os federais sabiam de sua inocência o tempo todo, mas se recusaram a intervir para não comprometer uma investigação de anos sobre a Biogreen. É aqui que a série eleva o tom político: a justiça individual é tratada como secundária à burocracia e aos resultados de longo prazo das agências governamentais.

O encerramento do caso não vem de um momento ‘eureka’ clássico diante do júri, mas de uma manobra de pressão política. Quando Mickey ameaça colocar o FBI no banco das testemunhas sob juramento — o que exporia toda a operação sigilosa e o descaso com a vida de um cidadão — a agência força a promotoria a retirar as acusações. Haller, no entanto, exige uma conferência de imprensa onde sua inocência é declarada publicamente. Ele sabe que, no tribunal da opinião pública, ‘acusações retiradas’ soam como ‘culpado que escapou’.

O peso emocional: a morte de Legal Siegel e o luto de Mickey

O peso emocional: a morte de Legal Siegel e o luto de Mickey

Se a trama jurídica é o motor, a morte de Legal Siegel é o coração partido desta temporada. Nos livros de Connelly, esse evento ocorre em um momento diferente, mas trazê-lo para cá foi um acerto narrativo doloroso. No momento em que Mickey sente que está perdendo tudo — sua liberdade, sua reputação e até a proximidade com a filha Hayley — ele perde seu maior mentor.

A morte de Legal serve para quebrar a armadura de otimismo de Mickey. Há uma cena específica, de um silêncio raro na série, onde Haller observa o escritório vazio de Siegel e percebe que nem toda batalha pode ser vencida com um argumento inteligente. O luto se mistura ao medo de voltar para a prisão, onde ele é um alvo marcado, criando uma camada de humanidade que Manuel Garcia-Rulfo entrega com uma sutileza impressionante, longe dos excessos dramáticos de temporadas anteriores.

Resolvendo o ‘problema Bosch’ e a chegada de Cobie Smulders

Para os leitores da obra original, há sempre um elefante na sala: Harry Bosch. Nos livros, Bosch (meio-irmão de Mickey) é peça fundamental na investigação de ‘The Law of Innocence’. Devido a questões de direitos de streaming (Bosch pertence ao Amazon Prime Video), a Netflix precisou improvisar. A série resolveu isso distribuindo as tarefas de investigação entre Cisco e Izzy.

No entanto, a grande surpresa final é a introdução de uma personagem interpretada por Cobie Smulders. Após salvar a vida de Mickey em uma sequência de tensão genuína no estacionamento, ela revela ser sua irmã. Esta é a solução definitiva da série para a ausência de Bosch. Se na próxima temporada adaptarem ‘Resurrection Walk’, é muito provável que a personagem de Smulders assuma o papel de investigadora parceira, mantendo a dinâmica familiar que é o pilar da obra de Connelly.

Mickey e Maggie: o fim da estrada romântica?

A 4ª temporada também dedica tempo ao eterno impasse entre Mickey e Maggie. Embora eles se aproximem durante o julgamento, a conclusão é melancólica. Maggie ajudou na defesa e viu as táticas sujas do seu próprio lado (a promotoria), mas a incompatibilidade fundamental permanece. Ela ainda vê o mundo em preto e branco, enquanto Mickey vive no cinza das brechas legais. A série toma a decisão madura de não forçar um final feliz, reconhecendo que o amor nem sempre sobrevive a visões de mundo diametralmente opostas.

No fim das contas, ‘O Poder e a Lei’ temporada 4 prova que a série tem fôlego para ir além do caso da semana. Ao colocar seu herói contra a parede, ela revelou as rachaduras em sua confiança e preparou o terreno para um futuro onde a família será mais importante do que nunca.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Poder e a Lei’ temporada 4

Em qual livro se baseia ‘O Poder e a Lei’ temporada 4?

A quarta temporada é baseada no livro ‘The Law of Innocence’ (A Lei da Inocência), publicado por Michael Connelly em 2020. É o sexto livro da série focada em Mickey Haller.

Por que Harry Bosch não aparece na série da Netflix?

Harry Bosch não aparece devido a questões de direitos autorais. Enquanto ‘O Poder e a Lei’ é da Netflix, a série ‘Bosch’ é uma produção do Amazon Prime Video. A Netflix substituiu o papel de Bosch na trama por outros personagens e pela introdução da irmã de Mickey.

Quem Cobie Smulders interpreta na 4ª temporada?

Cobie Smulders interpreta a irmã de Mickey Haller. A personagem foi introduzida para preencher o vácuo narrativo de Harry Bosch e deve atuar como a nova parceira de investigação de Mickey em temporadas futuras.

Mickey Haller é realmente inocente da morte de Sam Scales?

Sim. Mickey foi incriminado pela máfia armênia (Alex Garizian) como retaliação por casos passados. Sam Scales foi morto por membros do esquema Biogreen após ser pego desviando dinheiro da organização.

Onde assistir à 4ª temporada de ‘O Poder e a Lei’?

A série é uma produção original Netflix e todas as temporadas, incluindo a quarta, estão disponíveis exclusivamente na plataforma de streaming.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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