Analisamos por que ‘O Diabo Veste Prada’ reconquistou o Top 3 do Disney+ em 2026. Entenda como o trailer da sequência inverteu a dinâmica entre Miranda e Emily, e por que a estética de 2006 ainda supera as produções atuais no streaming.
Existe um momento específico em ‘O Diabo Veste Prada’ que define não apenas o filme, mas toda uma gramática de poder no cinema comercial: o monólogo do azul cerúleo. Quando Miranda Priestly (Meryl Streep) disseca a escolha de um suéter com a frieza de um patologista, ela não estava apenas humilhando Andy (Anne Hathaway); ela estava expondo as engrenagens invisíveis do consumo. Vinte anos depois, essa mesma força gravitacional puxou o clássico de volta ao topo. Em 4 de fevereiro de 2026, ‘O Diabo Veste Prada’ consolidou-se como o terceiro filme mais assistido do mundo no Disney+, desafiando o domínio de blockbusters recentes como ‘Tron: Ares’.
Miranda Priestly vs. O Algoritmo: O conflito central da sequência
Essa ressurgência é um movimento calculado de mercado. O gatilho foi o lançamento do trailer completo de ‘O Diabo Veste Prada 2’, que viralizou ao mostrar a inversão total da dinâmica de poder. A sequência coloca Miranda diante de seu maior inimigo: não uma assistente desajeitada, mas a obsolescência da mídia impressa. O trailer sugere que a Runway luta para sobreviver em um ecossistema dominado por newsletters e influenciadores de TikTok.
A grande ironia dramática reside em Emily (Emily Blunt). Agora uma executiva de alto escalão em um conglomerado de luxo (provavelmente inspirado no grupo LVMH), ela detém o orçamento que a revista de Miranda precisa desesperadamente para não fechar as portas. Ver Blunt retornar ao papel que a lançou ao estrelato, agora usando o silêncio e as pausas táticas de Miranda contra ela mesma, é o tipo de metalinguagem que justifica uma continuação após duas décadas.
2026: O ano da onipresença de Anne Hathaway
Se o filme de 2006 foi o rito de passagem de Hathaway para o primeiro escalão, 2026 marca sua consolidação como a força mais versátil de Hollywood. A curiosidade em revisitar o original no streaming também é impulsionada pelo seu calendário obsessivo: a atriz transita entre o drama ‘Mother Mary’ e a ficção científica ‘The Odyssey’, de Christopher Nolan.
Assistir a Andy Sachs hoje é um exercício de contraste. Em 2006, a personagem representava a resistência intelectual ao fútil; hoje, o público a enxerga como uma sobrevivente de um ambiente de trabalho tóxico que, ironicamente, moldou sua resiliência. Hathaway projeta em Andy uma vulnerabilidade que desapareceu de suas performances mais recentes, e é esse retorno às origens que tem prendido os assinantes do Disney+ entre uma sessão de ‘Avatar’ e outra.
Por que o visual de David Frankel ainda parece atual?
Ao analisar o Top 10 atual, cercado de produções saturadas de CGI, a direção de David Frankel e o figurino de Patricia Field (indicado ao Oscar) saltam aos olhos pela textura real. O filme não tenta ser ‘bonitinho’; ele é esteticamente agressivo. A montagem rítmica das trocas de roupa de Andy pelas ruas de Nova York ainda é estudada em escolas de cinema como o ápice da narrativa visual eficiente.
O original se recusa a ser uma comédia romântica inofensiva. Ele tem dentes. A performance de Streep não busca a simpatia do espectador, mas sua submissão intelectual. Em um mar de conteúdos descartáveis gerados para satisfazer métricas, a exigência de Miranda por excelência — por mais cruel que seja — ressoa com um público que parece cansado da mediocridade visual do streaming contemporâneo.
No fim das contas, a volta de ‘O Diabo Veste Prada’ ao topo é um lembrete para a indústria: o público sente falta de diálogos afiados e personagens que não pedem desculpas por sua ambição. Se a sequência, que estreia em 1º de maio, capturar apenas metade da acidez do roteiro original de Aline Brosh McKenna, teremos mais do que um sucesso de bilheteria; teremos o retorno da relevância cultural ao gênero. Como diria Miranda: ‘Isso é tudo’.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Diabo Veste Prada’
Onde assistir ‘O Diabo Veste Prada’ em 2026?
O filme original de 2006 está disponível no catálogo do Disney+, ocupando atualmente o ranking de produções mais assistidas da plataforma.
Quando estreia ‘O Diabo Veste Prada 2’?
A sequência tem estreia confirmada nos cinemas para o dia 1º de maio de 2026, trazendo de volta o elenco original principal.
Meryl Streep e Anne Hathaway estão na continuação?
Sim, ambas as atrizes confirmaram retorno. Meryl Streep reprisa seu papel como Miranda Priestly e Anne Hathaway volta como Andy Sachs, agora em uma posição profissional diferente.
Qual é a história de ‘O Diabo Veste Prada 2’?
A trama foca no declínio das revistas impressas. Miranda Priestly precisa enfrentar Emily Blunt, que agora é uma poderosa executiva de um grupo de luxo e detém o controle financeiro que pode salvar ou destruir a revista Runway.

