Analisamos por que ‘A Morte de um Unicórnio’, sátira da A24 com Jenna Ortega, foi injustamente ignorada nos cinemas. Explicamos como o filme subverte o gênero ‘Eat the Rich’ e por que a dinâmica entre Ortega e Paul Rudd faz deste um dos títulos mais originais e desconfortáveis do ano.
Existe um tipo de filme que parece destinado ao sucesso antes mesmo de estrear. ‘A Morte de um Unicórnio’ Jenna Ortega tinha tudo: a estrela do momento, o selo de prestígio da A24, e uma sátira ácida contra a elite — um subgênero que, de ‘Parasita’ a ‘O Menu’, tornou-se o queridinho da crítica. No entanto, o longa enfrentou um silêncio ensurdecedor nas bilheterias, arrecadando pouco mais de 16 milhões de dólares.
Agora que a produção desembarcou no streaming, fica claro que o fracasso não foi por falta de qualidade, mas por um erro de percepção: o público esperava um terror convencional, enquanto o diretor Alex Scharfman entregou um pesadelo surrealista e desconfortável sobre a mercantilização do impossível.
O paradoxo do fracasso: Por que a fórmula A24 falhou aqui?
A A24 construiu sua marca em cima do ‘terror elevado’, mas em ‘A Morte de um Unicórnio’, a distribuidora testou o limite do absurdo. A premissa — um pai (Paul Rudd) e uma filha (Jenna Ortega) que atropelam acidentalmente um unicórnio e acabam em um retiro de bilionários que querem usar o sangue da criatura para fins medicinais — é difícil de vender em um trailer de 30 segundos.
Diferente de ‘Hereditário’, onde o medo é visceral, aqui o horror é existencial e satírico. O filme falhou nos cinemas porque não oferece sustos fáceis. Ele exige que o espectador aceite a existência do fantástico em um cenário mundano, uma escolha estética que remete ao cinema de Yorgos Lanthimos, mas com uma camada extra de cinismo corporativo.
Jenna Ortega e Paul Rudd: Química no caos
O grande trunfo do filme é a dinâmica entre Rudd e Ortega. Paul Rudd entrega uma performance que subverte sua imagem de ‘cara legal’, interpretando um homem cuja moralidade é corroída pela proximidade com o poder. Já Ortega, consolidando-se como a face do gênero na década, traz uma sobriedade necessária. Em uma das cenas mais impactantes — o primeiro contato visual com a criatura ferida — a câmera fixa no rosto de Ortega por quase um minuto, capturando a transição do choque para uma curiosidade mórbida que define o tom do filme.
A fotografia de Sturla Brandth Grøvlen (o mesmo de ‘Vitória’) usa uma paleta de cores frias e enquadramentos simétricos que tornam a mansão dos bilionários tão estéril quanto uma clínica de luxo, reforçando a ideia de que, naquele mundo, até o milagre do unicórnio é apenas um ativo financeiro.
A sátira ‘Eat the Rich’ chegou ao seu limite?
Talvez o maior desafio de ‘A Morte de um Unicórnio’ tenha sido o timing. O cinema recente saturou o público com críticas à elite. No entanto, o roteiro de Scharfman vai além do óbvio. Ele não apenas critica os ricos; ele critica a nossa própria cumplicidade e o desejo humano de destruir a beleza em troca de longevidade ou lucro.
Não é um filme de monstros; é um filme sobre monstros que usam ternos sob medida. Se você ignorou o lançamento nos cinemas, a chegada ao streaming é a oportunidade ideal para descobrir uma obra que, embora imperfeita em seu ritmo, é corajosa o suficiente para ser genuinamente estranha.
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Perguntas Frequentes sobre ‘A Morte de um Unicórnio’
Onde assistir ao filme ‘A Morte de um Unicórnio’ com Jenna Ortega?
O filme está disponível para aluguel e compra em plataformas digitais como Apple TV+ e Google Play, e deve chegar ao catálogo da Max (antiga HBO Max) em breve, devido ao acordo de distribuição da A24.
‘A Morte de um Unicórnio’ é um filme de terror?
Ele é classificado como uma comédia de terror satírica. Embora tenha elementos fantásticos e momentos de tensão corporal (body horror), o foco principal é a sátira social e o humor ácido.
Qual é a classificação indicativa do filme?
O filme tem classificação 16 anos no Brasil, devido a cenas de violência, uso de substâncias e linguagem forte.
O unicórnio no filme é real ou uma metáfora?
Dentro da narrativa do filme, a criatura é real. O roteiro utiliza essa premissa fantástica para explorar temas reais como ganância corporativa e a ética na biotecnologia.

