‘O Morro dos Ventos Uivantes’: clássico de 1939 chega à Max em meio a polêmicas

Analisamos por que a versão de 1939 de ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ na Max é essencial para entender o polêmico remake de Emerald Fennell. Do ‘whitewashing’ de Laurence Olivier à fotografia revolucionária de Gregg Toland, saiba o que esperar antes da estreia de Margot Robbie.

Há filmes que não apenas adaptam livros; eles os substituem no imaginário coletivo. ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ na Max — a versão seminal de 1939 dirigida por William Wyler — é um desses casos. Sua chegada ao streaming em 1º de fevereiro não é apenas uma adição de catálogo, mas um movimento estratégico. Com o lançamento da releitura de Emerald Fennell (estrelando Margot Robbie e Jacob Elordi) marcado para o dia 13 do mesmo mês, revisitar o clássico de Laurence Olivier tornou-se um exercício obrigatório de comparação e crítica.

A estética do desejo: Por que a versão de 1939 é insuperável?

A estética do desejo: Por que a versão de 1939 é insuperável?

Para entender o impacto de ‘O Morro dos Ventos Uivantes’, é preciso olhar para além do roteiro. O filme é um triunfo técnico da Golden Age de Hollywood. A fotografia de Gregg Toland — que mais tarde revolucionaria o cinema com ‘Cidadão Kane’ — usa sombras e profundidade de campo para transformar os pântanos de Yorkshire (recriados na Califórnia) em um labirinto psicológico.

Laurence Olivier entrega um Heathcliff que é pura combustão interna. Sua interpretação definiu o arquétipo do herói bypassado pela amargura, enquanto Merle Oberon traz uma Catherine que oscila entre a futilidade social e a paixão selvagem. O filme opta por ignorar a segunda metade do livro de Emily Brontë, focando inteiramente na obsessão destrutiva do casal central. Essa escolha, embora criticada por puristas literários, permitiu que Wyler criasse um épico de atmosfera gótica que nenhum remake conseguiu desbancar em termos de peso emocional.

O elefante na sala: O ‘whitewashing’ de Heathcliff

A chegada do clássico à Max também reacende um debate que assombra a obra há quase dois séculos. No romance original de 1847, Brontë descreve Heathcliff como um “cigano de pele escura” (dark-skinned gypsy) e sugere origens que poderiam ser indianas ou africanas. Hollywood, no entanto, sempre preferiu a conveniência do branqueamento.

Olivier era a personificação do establishment britânico branco. Ralph Fiennes, em 1992, seguiu a mesma linha. A escalação de Jacob Elordi para o filme de 2026 prova que, mesmo 87 anos depois, a indústria ainda reluta em abraçar a etnicidade complexa do personagem. Assistir à versão de 1939 agora é confrontar a origem desse padrão visual que a versão de Emerald Fennell, apesar de sua fama de subversiva, parece perpetuar.

Margot Robbie e o risco calculado de Emerald Fennell

Margot Robbie e o risco calculado de Emerald Fennell

Se a versão de 1939 é sobre contenção e atmosfera, o que sabemos do novo projeto de Fennell aponta para o oposto. A diretora de ‘Saltburn’ e ‘Bela Vingança’ é conhecida por seu maximalismo visual e desconstrução de gêneros. A escalação de Margot Robbie, embora criticada pela idade (Catherine morre jovem no livro), sugere uma abordagem mais madura e, possivelmente, mais sexualizada da narrativa.

A polêmica em torno do remake não é apenas sobre quem está no elenco, mas sobre o tom. Enquanto o filme de Wyler trata a obsessão como uma tragédia romântica, espera-se que Fennell a trate como uma patologia social. Ter o clássico disponível na Max permite que o espectador identifique exatamente onde a nova versão decide quebrar a tradição e onde ela se torna refém dela.

Onde ir além: Outras visões do Morro

Para quem deseja uma imersão completa antes da estreia de 2026, o roteiro de visualização deve incluir:

  • A versão de 1992 (Pluto TV): Essencial por ser a única a adaptar a segunda geração da história, com Ralph Fiennes interpretando tanto Heathcliff quanto seu filho.
  • A versão de 2011 (AMC+): A interpretação de Andrea Arnold é a mais crua e a única a escalar um ator negro (James Howson), aproximando-se da descrição original de Brontë através de um realismo quase documental.

O veredito é claro: ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ de 1939 não é apenas um filme antigo; é a régua pela qual todos os outros são medidos. Ignorá-lo antes de ver o filme de Margot Robbie é como ler a conclusão de um livro sem conhecer seu prólogo.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Morro dos Ventos Uivantes’

Onde assistir à versão clássica de ‘O Morro dos Ventos Uivantes’?

A versão definitiva de 1939, dirigida por William Wyler e estrelada por Laurence Olivier, chega ao catálogo da Max (antiga HBO Max) em 1º de fevereiro de 2026.

Por que o novo filme com Margot Robbie é polêmico?

As principais críticas envolvem a escalação de Jacob Elordi como Heathcliff, mantendo a tradição de ‘whitewashing’ (branqueamento) de um personagem descrito como negro no livro, e a idade de Margot Robbie, considerada velha demais para o papel de Catherine por alguns fãs.

Qual a duração da versão de 1939?

O filme tem 1 hora e 44 minutos. É uma narrativa ágil que foca exclusivamente na primeira metade do romance de Emily Brontë.

O filme de 1939 ganhou algum Oscar?

Sim, o filme venceu o Oscar de Melhor Fotografia (Preto e Branco) para Gregg Toland e recebeu outras 7 indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Laurence Olivier.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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