Analisamos por que o ‘Robin Hood’ de Russell Crowe, dirigido por Ridley Scott, merece uma segunda chance na Max. Descubra como o realismo visceral e o elenco estelar transformam esta ‘origin story’ política em um épico medieval obrigatório para fãs de ‘Gladiador’.
Existe uma maldição silenciosa que paira sobre certas figuras históricas no cinema. ‘Robin Hood’, o arqueiro de Sherwood, talvez seja a maior vítima dela. Após décadas de versões que oscilavam entre o heroísmo romântico de Errol Flynn e o carisma pop de Kevin Costner, Ridley Scott tentou algo radical em 2010: ele removeu o mito e deixou apenas a lama. Com a chegada de ‘Robin Hood’ Russell Crowe ao catálogo da Max em 1º de fevereiro, o filme ganha uma chance de ser julgado não pelo que o público queria que ele fosse, mas pelo que ele realmente é: um épico de guerra brutal e político.
Uma ‘Invasão da Normandia’ medieval: O realismo sujo de Scott
A assinatura de Ridley Scott está em cada frame, mas não espere o sol dourado de ‘Gladiador’. Aqui, o diretor de fotografia John Mathieson utiliza uma paleta dessaturada, quase cinzenta, que reforça a exaustão de uma Inglaterra falida pelas Cruzadas. A sequência de abertura — o cerco ao Castelo de Châlus-Chabrol — estabelece o tom imediatamente. Não há glória; há apenas o som seco de flechas perfurando madeira e o caos de uma logística militar precária.
O ponto alto da visceralidade técnica ocorre no terceiro ato. A batalha na praia, com barcaças de desembarque francesas, é uma clara referência estética ao Dia D de ‘O Resgate do Soldado Ryan’. É anacrônico? Talvez. Mas a sensação de peso físico, onde cada golpe de espada parece exigir um esforço hercúleo dos atores, cria uma imersão que poucas produções do gênero conseguiram replicar desde então.
Russell Crowe e o herói desprovido de carisma (propositadamente)
Muitos críticos em 2010 reclamaram da falta de ‘alegria’ no Robin Longstride de Russell Crowe. De fato, este não é um homem que ri enquanto rouba dos ricos. Crowe interpreta um veterano de guerra com transtorno de estresse pós-traumático, um homem que assume a identidade de um cavaleiro morto apenas para conseguir uma refeição e passagem de volta para casa. É uma performance contida, baseada em micro-expressões de cansaço e um senso de dever que ele mal consegue explicar.
O elenco de apoio, visto sob a ótica de 2026, é um tesouro de talentos. Oscar Isaac entrega um Príncipe John petulante e perigoso, servindo como o contraponto perfeito à gravidade de Cate Blanchett. Blanchett, inclusive, transforma Marian em uma sobrevivente pragmática, fugindo do clichê da donzela que precisa ser resgatada. Eles não habitam uma lenda; habitam um contexto histórico de pré-assinatura da Magna Carta.
Por que revisitar este épico agora?
O timing para redescobrir esta versão é estratégico. Com a A24 preparando ‘The Death of Robin Hood’ com Hugh Jackman — que promete uma abordagem ainda mais sombria e terminal —, o filme de Scott serve como a ponte perfeita. Ele foi o primeiro a ousar dizer que a origem do herói não foi um passeio na floresta, mas um subproduto de uma crise política sistêmica.
Na Max, o público terá a oportunidade de conferir (espera-se) a Director’s Cut, que adiciona 15 minutos cruciais de desenvolvimento de personagem e contexto político que foram sacrificados no lançamento cinematográfico para manter o filme abaixo das duas horas e meia. São esses detalhes que transformam o que parecia um ‘blockbuster genérico’ em um estudo de personagem em escala épica.
Para quem é (e para quem não é)
Se a sua memória afetiva busca flechas partidas ao meio e o romance lúdico da Disney, passe longe. O ‘Robin Hood’ de Russell Crowe é para quem aprecia o Scott de ‘O Reino dos Céus’ (na versão do diretor) e ‘O Último Duelo’. É um filme que exige paciência para suas manobras políticas e estômago para sua representação da violência medieval.
Visto sem a pressão de ser o ‘novo Gladiador’, o filme se revela uma obra tecnicamente impecável e narrativamente corajosa. Scott não queria filmar a lenda; ele queria filmar a história que, séculos depois, os homens transformariam em lenda. E em 2026, essa distinção faz todo o sentido.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Robin Hood’ (2010)
Onde assistir ao filme ‘Robin Hood’ com Russell Crowe?
O filme entra para o catálogo da Max em 1º de fevereiro de 2026. Ele também costuma estar disponível para aluguel em plataformas como Apple TV e Google Play.
‘Robin Hood’ de Ridley Scott é uma continuação de ‘Gladiador’?
Não. Embora compartilhem o mesmo diretor e protagonista, são histórias e períodos históricos completamente diferentes. No entanto, o estilo visual e a escala das batalhas são muito semelhantes.
Existe uma versão estendida deste filme?
Sim. A Versão do Diretor (Director’s Cut) possui cerca de 15 minutos de cenas inéditas que aprofundam a trama política e o passado do protagonista, sendo considerada superior à versão que passou nos cinemas.
O filme é baseado em fatos reais?
O filme mistura a lenda folclórica com eventos históricos reais, como o reinado do Rei João e a assinatura da Magna Carta, mas a trajetória de Robin Longstride é ficcional.
Quanto tempo dura o filme?
A versão cinematográfica tem 2 horas e 20 minutos, enquanto a Versão do Diretor tem aproximadamente 2 horas e 36 minutos.

