‘A Morte de um Unicórnio’: o terror bizarro com Jenna Ortega que dominou o Max

Analisamos o fenômeno ‘A Morte de um Unicórnio’ no Max. Entenda como a combinação de Jenna Ortega, uma trilha sonora de John Carpenter e a produção de Ari Aster transformou um filme rejeitado pela crítica em um sucesso global absoluto.

Há algo de fascinante na forma como o algoritmo do streaming, por vezes, colide com o gosto da crítica tradicional. ‘A Morte de um Unicórnio’ (Death of a Unicorne), o novo terror satírico da A24 que acaba de chegar ao Max, é o exemplo definitivo dessa ruptura. Com uma recepção morna da crítica (52% no Rotten Tomatoes), o longa ignorou os vereditos técnicos para se tornar o terceiro filme mais visto globalmente na plataforma, superando blockbusters de orçamento triplo.

Um atropelamento mitológico: a premissa que desafia a lógica

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A trama de ‘A Morte de um Unicórnio’ não tenta ser sutil. Elliot Kintner (Paul Rudd), um advogado corporativo em crise ética, e sua filha Ridley (Jenna Ortega), estão a caminho de um retiro na luxuosa propriedade da família Leopold. O destino muda quando eles atropelam uma criatura impossível: um unicórnio real. A decisão de levar o corpo para a mansão desencadeia uma espiral de horror corporal e sátira social que lembra o tom de ‘O Menu’, mas com uma dose extra de psicodelia.

A cena do acidente é um marco de tom. Enquanto Ridley entra em choque, Elliot reage com o pragmatismo frio de quem lida com processos judiciais — uma escolha de atuação de Rudd que subverte completamente sua persona de ‘homem mais legal de Hollywood’.

A assinatura A24 e a trilha de John Carpenter

Para entender por que o filme ressoa com o público apesar das críticas, é preciso olhar para quem está por trás das câmeras. Produzido por Ari Aster (‘Hereditário’), o filme carrega aquela inquietação visual característica de suas obras: o uso de luz natural em cenas de violência explícita e uma montagem que privilegia o desconforto.

Mas o verdadeiro trunfo técnico é a trilha sonora. Composta pelo lendário John Carpenter e seu filho Cody Carpenter, a música funciona como um sintetizador de ansiedade. Em vez de sustos fáceis (jump scares), a trilha cria um tapete sonoro opressor que justifica o selo de ‘terror bizarro’. É uma experiência sensorial que os críticos, muitas vezes focados apenas na coesão do roteiro, tendem a subestimar.

Jenna Ortega: a rainha do ‘estranho’ consolida seu reinado

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Após o fenômeno ‘Wandinha’, Jenna Ortega poderia ter se acomodado em papéis seguros. Em ‘A Morte de um Unicórnio’, ela prova que sua bússola artística aponta para o risco. Sua Ridley não é apenas uma adolescente rebelde; ela é o centro moral em um filme onde a moralidade foi atropelada na estrada. Ortega utiliza micro-expressões de horror que ancoram o absurdo da trama, impedindo que o filme se torne apenas uma paródia vazia.

Por que o sucesso é maior fora dos Estados Unidos?

Os dados do Max mostram um padrão curioso: o filme é o número 1 em 20 países da América Latina e Europa, mas sequer entrou no Top 10 americano. Essa discrepância sugere que o público internacional tem uma tolerância maior — e talvez um apetite mais voraz — por narrativas que misturam o fantástico com o grotesco sem pedir desculpas.

Enquanto o mercado doméstico dos EUA busca fórmulas de ‘horror elevado’ mais palatáveis, o resto do mundo parece abraçar o caos deliberado de Alex Scharfman. O sucesso de ‘A Morte de um Unicórnio’ ao lado de títulos como ‘Pecadores’ indica que o espectador atual valoriza a originalidade visual, mesmo quando ela beira o ridículo.

Veredito: vale o seu play?

Se você busca um terror convencional com regras claras, este filme será uma frustração. No entanto, se você aprecia o cinema que se atreve a ser feio, estranho e politicamente incorreto, ‘A Morte de um Unicórnio’ é obrigatório. Não é apenas um filme sobre uma criatura mágica morta; é uma autópsia ácida da ganância humana, embalada por uma das melhores trilhas sonoras do ano.

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Perguntas Frequentes sobre ‘A Morte de um Unicórnio’

Onde posso assistir ao filme ‘A Morte de um Unicórnio’?

O filme está disponível para streaming exclusivamente na plataforma Max (antiga HBO Max), fazendo parte do catálogo de lançamentos de 2025/2026.

Qual é a classificação indicativa do filme?

‘A Morte de um Unicórnio’ tem classificação indicativa para maiores de 16 ou 18 anos (dependendo da região), devido a cenas de violência explícita (gore), uso de substâncias e linguagem forte.

O filme é baseado em algum livro?

Não, o roteiro é original de Alex Scharfman. No entanto, o estilo de humor ácido e terror social bebe de fontes como a literatura de sátira contemporânea e o cinema da A24.

Quem compôs a trilha sonora do filme?

Jenna Ortega e Paul Rudd cantam no filme?

Não, apesar da presença de John Carpenter na trilha, o filme não é um musical. A música é usada apenas como elemento atmosférico e incidental.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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