Analisamos como ‘The Beauty: Lindos de Morrer’ usa o body horror para dissecar nossa obsessão por filtros e perfeição. Entenda por que a nova série de Ryan Murphy no Disney+ é um thriller visceral que transforma a vaidade em uma epidemia mortal e necessária.
Existe um tipo de série que transforma o ato de se olhar no espelho em um exercício de paranoia. ‘The Beauty: Lindos de Morrer’ não é apenas a nova aposta de Ryan Murphy no FX (disponível no Disney+); é um manifesto visceral sobre como a nossa cultura está disposta a sacrificar a própria biologia no altar da estética. Em apenas quatro dias, a produção escalou o topo do streaming mundial, provando que o público tem estômago para o body horror quando ele serve como um reflexo distorcido da realidade.
O tédio da perfeição vs. o horror da transformação
A premissa, baseada na HQ homônima da Image Comics, é um ‘cavalo de Troia’ narrativo: um vírus sexualmente transmissível que torna as pessoas fisicamente impecáveis. Mas, sob a direção de Murphy, o processo de ‘embelezamento’ perde qualquer traço de glamour. Se nos quadrinhos de Jeremy Haun a mudança era quase mágica, na tela ela é clínica e agonizante. A série foca nos efeitos colaterais: febres que beiram o delírio e uma reestruturação óssea que soa, literalmente, como galhos secos quebrando sob a pele — um trabalho de design de som que torna a experiência quase insuportável para os mais sensíveis.
O grande acerto aqui é subverter a expectativa. Enquanto o senso comum esperaria uma série plastificada e brilhante, ‘The Beauty: Lindos de Morrer’ adota uma paleta de cores frias, quase cirúrgicas, lembrando o cinema de David Cronenberg em ‘Dead Ringers’. A beleza não é celebrada; ela é tratada como uma patologia.
Evan Peters e Rebecca Hall: Contenção em um mundo de excessos
Evan Peters, veterano das antologias de Murphy, entrega aqui uma performance surpreendentemente contida. Como o agente do FBI Cooper Madsen, ele abandona a excentricidade de seus papéis em ‘American Horror Story’ para adotar um estoicismo necessário. Madsen é o nosso ponto de equilíbrio em um mundo que enlouqueceu pela aparência. Ao seu lado, Rebecca Hall (Jordan Bennett) traz a intensidade intelectual. A dinâmica entre os dois em Paris — estrategicamente escolhida como cenário por ser o epicentro da moda mundial — funciona porque eles não estão caçando um monstro externo, mas tentando entender por que as pessoas escolhem se infectar.
A subversão da HQ: Quando o ‘eu’ se torna o ‘outro’
Para os fãs do material original, a série toma liberdades criativas que elevam o debate. Na HQ, os infectados tornam-se versões ‘melhores’ de si mesmos. Na série, a transformação é radical: as pessoas tornam-se indivíduos completamente diferentes. É uma escolha narrativa brilhante que ataca o cerne da identidade moderna. Se você troca seu rosto por um molde de perfeição universal, o que resta da sua individualidade? A série transforma o desejo por filtros de Instagram em uma crise existencial terminal.
O veredito: Vale o investimento?
Murphy e sua equipe conseguiram algo raro: uma série que utiliza o choque visual para fundamentar uma crítica social legítima. O body horror aqui não é gratuito; ele é a única linguagem possível para descrever a violência que cometemos contra nossos próprios corpos diariamente em busca de validação. Se você busca um thriller procedimental com camadas de horror psicológico e uma estética impecável (e perturbadora), ‘The Beauty: Lindos de Morrer’ é obrigatória.
Os episódios chegam às quartas-feiras no FX, com lançamento simultâneo ou no dia seguinte no Disney+. Prepare o estômago: a beleza nunca foi tão feia.
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Perguntas Frequentes sobre ‘The Beauty: Lindos de Morrer’
Onde assistir à série ‘The Beauty: Lindos de Morrer’?
A série é uma produção original da FX e está disponível no Brasil através do Disney+. Novos episódios são lançados semanalmente.
‘The Beauty’ é baseada em qual história?
A série é uma adaptação da história em quadrinhos (HQ) homônima publicada pela Image Comics, escrita por Jeremy Haun e Jason A. Hurley.
Qual é a classificação indicativa da série?
Devido ao conteúdo de ‘body horror’, violência gráfica e temas adultos, a série é recomendada para maiores de 18 anos.
Evan Peters é o protagonista de ‘The Beauty’?
Sim, Evan Peters interpreta o agente do FBI Cooper Madsen, dividindo o protagonismo com Rebecca Hall, que interpreta a agente Jordan Bennett.
A série é de terror ou suspense?
‘The Beauty: Lindos de Morrer’ mistura suspense investigativo com ‘body horror’, um subgênero do terror que foca em transformações grotescas e violações do corpo humano.

