Analisamos como o episódio do SNL com Teyana Taylor destacou o contraste entre o desgaste da sátira política e o frescor de Marcello Hernández. Descubra por que o sketch ‘Blow It’ salvou a noite e onde o programa ainda tropeça no piloto automático.
O ‘SNL’ com Teyana Taylor (24 de janeiro de 2026) chegou com a difícil missão de manter o fôlego após a excelente recepção do episódio de Finn Wolfhard. O resultado foi um misto de brilho individual e um cansaço estrutural que o Saturday Night Live parece não conseguir sacudir: a dependência de um humor político que já não morde, apenas late.
Teyana Taylor, conhecida por sua precisão coreográfica e carisma magnético, trouxe uma energia física que o elenco muitas vezes carece. No entanto, o roteiro flutuou entre a genialidade de nicho e o preenchimento de tempo protocolar. O episódio não foi um desastre, mas serviu como um diagnóstico claro da saúde criativa do programa em 2026.
Weekend Update: O fator Marcello Hernández
Se o episódio teve um coração pulsante, ele atendeu pelo nome de Marcello Hernández. No Weekend Update, o quadro finalmente abandonou a leitura mecânica de manchetes para dar espaço a uma das participações mais orgânicas da temporada. Hernández apareceu como o ‘Consultor de Gírias da Gen Z’ para atualizar Colin Jost.
A dinâmica funcionou não pelo texto — que beirava o clichê geracional —, mas pela química física. Marcello tem uma entrega cinética, quase elétrica, que contrasta perfeitamente com o estilo ‘engomadinho’ e autodepreciativo de Jost. Quando Jost tenta usar termos como ‘delulu’ ou ‘cap’ com a naturalidade de um pai tentando ser descolado no churrasco, o SNL encontra sua melhor forma: o humor baseado em desconforto real, não em roteiros superprocessados.
A armadilha do ‘Trump Awards’
O cold open tentou algo diferente: o ‘Trump Awards’. James Austin Johnson continua sendo um mímico fenomenal, capturando as pausas e as digressões absurdas do ex-presidente com uma precisão assustadora. Ver Jeremy Culhane como J.D. Vance e Andrew Dismukes como Stephen Miller trouxe um frescor visual, mas o problema é o conteúdo.
Estamos diante de um ‘cansaço de material’. O SNL está preso num looping onde a sátira política se tornou uma obrigação contratual em vez de uma necessidade artística. Transformar a crítica em uma premiação foi uma tentativa válida de mudar a embalagem, mas o sabor continua o mesmo de quatro anos atrás. É o virtuosismo de Johnson a serviço de um roteiro que não tem mais para onde ir.
‘Blow It’ e a anatomia do constrangimento
O ponto alto dos sketches pré-gravados foi, sem dúvida, ‘Blow It’. Martin Herlihy interpreta um jovem que destrói o jantar com os sogros de propósito para usar o trauma como material para seu livro de autoajuda. É uma crítica ácida à ‘economização do eu’ e à cultura de transformar cada fracasso em conteúdo monetizável.
A estética do sketch, lembrando os filmes independentes do início dos anos 2010 (com a menção impagável a se vestir ‘como um membro do Lumineers num funeral’), mostra que o SNL ainda tem dentes quando decide morder a cultura pop contemporânea em vez de focar apenas no ciclo de notícias de Washington.
Teyana Taylor: Talento desperdiçado em premissas fracas
É frustrante ver uma performer do calibre de Teyana Taylor limitada a sketches de ‘nota única’. No quadro da companhia aérea com Kenan Thompson (‘Shrimp and Grits’), o talento vocal de Taylor foi usado para uma piada que se esgotou nos primeiros 30 segundos. O sketch do casamento, onde ela interpreta um avô dançarino, dependeu inteiramente da sua habilidade física para não ser um silêncio total.
O programa falhou em usar a versatilidade de Taylor para algo além de ‘ela é uma ótima dançarina’. Faltou ao roteiro a coragem de colocá-la em situações mais absurdas ou intelectualmente desafiadoras, preferindo o caminho seguro do humor físico básico.
O veredito: Um programa em transição
O episódio com Teyana Taylor confirma que o Saturday Night Live está em um momento de transição de guarda. Enquanto os veteranos parecem confortáveis demais no piloto automático político, nomes como Marcello Hernández e Martin Herlihy estão injetando uma dose necessária de estranheza e observação social aguda. Se você busca a sátira política afiada de outrora, sairá decepcionado; mas se procurar pelos lampejos de uma nova identidade cômica, há muito o que apreciar.
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Perguntas Frequentes sobre o SNL com Teyana Taylor
Quem foi o convidado musical do SNL com Teyana Taylor?
Neste episódio de 24 de janeiro de 2026, a própria Teyana Taylor assumiu o papel de anfitriã e convidada musical (double duty), apresentando faixas de seu novo álbum com performances altamente coreografadas.
Qual foi o melhor sketch do episódio?
O destaque da crítica e do público foi ‘Blow It’, uma sátira sobre a monetização de desastres pessoais, e a participação de Marcello Hernández no Weekend Update.
Onde assistir ao SNL no Brasil?
O ‘Saturday Night Live’ é transmitido no Brasil pelo serviço de streaming Globoplay, que geralmente disponibiliza os episódios completos e sketches individuais alguns dias após a exibição original nos EUA.
Vale a pena assistir ao episódio completo?
Vale a pena pelos momentos de Marcello Hernández e pela performance física de Teyana Taylor, embora os sketches políticos (como o Cold Open) possam parecer repetitivos para quem acompanha o programa semanalmente.

