Oscar 2026: Por que a ‘fraude de categoria’ custou a indicação de Ariana Grande

Analisamos como a ‘fraude de categoria Oscar’ custou as indicações de Ariana Grande e Paul Mescal em 2026. Entenda por que a Academia decidiu punir estúdios que tentam empurrar protagonistas para categorias de coadjuvante e o que isso muda para o futuro das premiações.

A Academia de Hollywood costuma ser tolerante com o marketing agressivo, mas há uma linha tênue entre estratégia e insulto à inteligência do votante. Em 2026, essa linha foi cruzada. A chamada fraude de categoria Oscar — a manobra cínica de inscrever protagonistas como coadjuvantes para facilitar o caminho até a estatueta — finalmente encontrou resistência. O resultado? Um dos maiores ‘snubs’ da década para Ariana Grande e Paul Mescal.

Grande, Mescal e Chase Infiniti não ficaram de fora por falta de mérito artístico. Pelo contrário: as performances foram aclamadas em festivais e premiadas em termômetros como o SAG. O que custou a indicação foi o erro de cálculo dos estúdios, que subestimaram a fadiga dos membros do ramo de atuação com personagens que dominam o tempo de tela, mas se recusam a assumir o peso da categoria principal.

O colapso da estratégia em ‘Wicked: Parte 2’

O colapso da estratégia em 'Wicked: Parte 2'

Se no primeiro filme a Universal conseguiu vender a Glinda de Ariana Grande como o contraponto coadjuvante à jornada de Elphaba, em ‘Wicked: Parte 2’ essa narrativa se tornou insustentável. O arco de Glinda nesta conclusão é, por definição, o coração do filme. Grande não apenas divide o tempo de tela; ela carrega o peso emocional de sequências cruciais que definem o destino de Oz.

Ao insistir em mantê-la como ‘Coadjuvante’, o estúdio criou uma dissonância cognitiva. Diferente do Globo de Ouro ou do Critics Choice, o Oscar permite que os votantes aloquem o ator na categoria que bem entenderem. Quando metade do ramo de atuação votou nela como Protagonista e a outra metade seguiu a campanha de Coadjuvante, os votos se pulverizaram. No fim, ela não atingiu o número necessário em nenhuma das duas. Foi uma punição direta à falta de coragem da campanha.

Paul Mescal e o ‘apoio’ que nunca existiu em ‘Hamnet’

O caso de Paul Mescal em ‘Hamnet: A Vida Antes de Hamlet’ é ainda mais gritante. A tentativa da Searchlight em posicionar Jessie Buckley como a única face do filme foi um erro de leitura técnica. Mescal interpreta William Shakespeare em uma obra que investiga justamente a psique do dramaturgo diante da perda. Chamar uma performance que ancora 80% das cenas de ‘apoio’ é subestimar o processo de análise dos votantes.

Diferente de ‘Judas e o Messias Negro’, onde a ausência de um protagonista claro permitiu que Daniel Kaluuya vencesse como coadjuvante, ‘Hamnet’ é um dueto. Ao tentar evitar a competição interna com Buckley em Melhor Atriz, o estúdio acabou deixando Mescal em um limbo categórico. A Academia enviou um recado: se você é o motor da história, não tente se esconder na categoria de baixo.

Jacob Elordi: Por que a exceção funcionou?

Jacob Elordi: Por que a exceção funcionou?

Enquanto Grande e Mescal caíram, Jacob Elordi garantiu sua vaga como Coadjuvante por ‘Frankenstein’. A diferença aqui não é apenas de qualidade, mas de estrutura narrativa. Embora a Criatura de Elordi seja icônica, sua entrada tardia no filme de Guillermo del Toro oferece um álibi temporal para a campanha. Há uma justificativa técnica — o personagem literalmente ‘não existe’ no primeiro ato — que permite ao votante aceitar a categorização sem sentir que está sendo enganado.

O fim da era das ‘manobras de conveniência’

O precedente histórico de Keisha Castle-Hughes em ‘Encantadora de Baleias’ já nos avisava: a Academia tem as ferramentas para corrigir fraudes de categoria, mas raramente as usa com tanta severidade quanto em 2026. O sistema de contagem simultânea é implacável com campanhas inconsistentes.

Para os próximos anos, a lição é amarga para os estrategistas de relações públicas: a ‘fraude de categoria Oscar’ deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar um risco reputacional. Quando um estúdio tenta manipular a percepção de quem é o protagonista, ele corre o risco de deixar seu maior trunfo fora da festa.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre a Fraude de Categoria no Oscar

O que é ‘fraude de categoria’ no Oscar?

É uma estratégia de campanha onde um estúdio inscreve um ator protagonista na categoria de Melhor Ator/Atriz Coadjuvante para aumentar suas chances de vitória, evitando competições mais acirradas na categoria principal.

Por que Ariana Grande não foi indicada ao Oscar 2026?

Apesar do favoritismo, a tentativa de indicá-la como Coadjuvante por ‘Wicked: Parte 2’ gerou divisão. Muitos votantes a consideraram protagonista, pulverizando os votos entre as duas categorias e impedindo que ela atingisse o mínimo necessário em qualquer uma delas.

A Academia pode mudar a categoria de um ator?

Sim. Os membros do ramo de atuação podem votar em um ator na categoria que acharem correta, independentemente de como o estúdio o inscreveu. Se ele receber votos suficientes em uma categoria diferente da campanha, a Academia faz a alteração automática.

Quais atores já venceram usando essa estratégia?

Exemplos famosos incluem Viola Davis em ‘Um Limite Entre Nós’ e Alicia Vikander em ‘A Garota Dinamarquesa’, ambas premiadas como Coadjuvantes apesar de serem tecnicamente protagonistas em seus filmes.

Mais lidas

Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

Veja também