‘Imaculada’ ou ‘A Primeira Profecia’: O veredito sobre o duelo de freiras de 2024

Analisamos o duelo entre ‘Imaculada’ e ‘A Primeira Profecia’. Entenda por que a aposta independente de Sydney Sweeney superou o orçamento milionário da Disney, tornando-se o veredito definitivo sobre o estado do terror moderno em 2026.

Em 2024, o cinema de terror nos entregou uma daquelas coincidências industriais que parecem erro de matriz: dois filmes sobre novatas americanas em conventos italianos, ambas lidando com gravidezes proféticas e conspirações clericais, lançados com apenas duas semanas de diferença. ‘Imaculada’ com Sydney Sweeney e ‘A Primeira Profecia’ de Arkasha Stevenson não apenas dividiram o subgênero nunsploitation, mas serviram como um estudo de caso fascinante sobre o que o público de terror realmente deseja hoje.

Olhando pelo retrovisor em 2026, com ‘Imaculada’ consolidado como um clássico cult moderno no streaming, o veredito é claro. O duelo não foi decidido pela qualidade técnica superior — onde há um debate real — mas pela capacidade de um filme em se tornar um evento visceral e singular.

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A existência simultânea desses dois projetos não foi plágio, mas o que Hollywood chama de parallel thinking. Enquanto a Disney/20th Century Studios tentava reviver a marca ‘A Profecia’ com um orçamento de US$ 30 milhões, Sydney Sweeney usava seu recém-adquirido poder de estrela para tirar da gaveta um roteiro que ela havia testado anos antes.

A diferença de escala é o primeiro ponto de ruptura. ‘A Primeira Profecia’ é um filme de estúdio: elegante, granulado como um longa dos anos 70 e preocupado com a cronologia de uma franquia. Já ‘Imaculada’, produzido pela Neon com apenas US$ 9 milhões, tem a agilidade de um filme independente que não deve satisfações a nenhum cânone. Essa liberdade permitiu que o diretor Michael Mohan entregasse um filme que começa como um mistério gótico e termina como um body horror implacável.

A matemática do medo: Por que o lucro de ‘Imaculada’ foi mais barulhento

No papel, ‘A Primeira Profecia’ faturou mais (US$ 54 milhões contra US$ 35 milhões de ‘Imaculada’). Mas, no mercado de 2026, sabemos que o faturamento bruto é vaidade; o multiplicador é a realidade. Com um custo de produção de US$ 30 milhões mais marketing, o reboot da Disney mal pagou as contas.

Já ‘Imaculada’ foi um triunfo de ROI (Retorno sobre Investimento). Ao transformar US$ 9 milhões em US$ 35 milhões, o filme provou que o modelo de ‘horror de médio orçamento’ ancorado por uma estrela em ascensão é a única rota segura para o cinema original. Sydney Sweeney, vinda do fenômeno ‘Todos Menos Você’, provou que seu nome no pôster é capaz de mobilizar o público jovem para o cinema, algo que uma IP (propriedade intelectual) de 1976 não conseguiu fazer sozinha.

Técnica vs. Visceralidade: O fator Sydney Sweeney

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Criticamente, ‘A Primeira Profecia’ é um filme mais ‘bonito’. A direção de Arkasha Stevenson é sofisticada, cheia de homenagens ao cinema de terror europeu. No entanto, ‘Imaculada’ possui algo que a técnica não compra: um momento de choque absoluto.

Estou falando, claro, do plano-sequência final. Enquanto o filme da Disney se perde em explicar como o bebê se conecta ao filme original, Michael Mohan fixa a câmera no rosto de Sydney Sweeney por minutos de agonia pura. É uma performance física, suja e desprovida de vaidade. Sweeney não apenas grita; ela expele a frustração de sua personagem em uma cena que quebrou a internet e definiu o filme. No terror, uma imagem inesquecível vale mais do que dez roteiros bem amarrados.

O impacto em 2026: O legado das freiras

Dois anos depois, vemos o reflexo desse duelo. Sweeney usou o sucesso de ‘Imaculada’ para cimentar sua produtora, a Fifty-Five Films, focando em projetos de gênero como o recente ‘A Empregada’ (2025). Ela entendeu que o terror é o espaço perfeito para subverter sua imagem de ‘loira de comédia romântica’.

Para quem busca uma experiência cinematográfica refinada e gosta de mitologia, ‘A Primeira Profecia’ ainda é uma recomendação sólida. Mas, se você quer entender por que o terror independente continua vencendo os grandes estúdios, ‘Imaculada’ é o objeto de estudo definitivo. É um filme que não pede permissão para ser grotesco e que confia inteiramente na força de sua protagonista para carregar o horror.

Veredito Final: Qual assistir?

Se você busca atmosfera e reverência aos clássicos, vá de ‘A Primeira Profecia’. É um prelúdio digno que respeita o material original.
Se você busca impacto emocional e uma performance geracional, ‘Imaculada’ é a escolha. O filme de Sweeney é mais curto, mais agressivo e possui o final mais discutido da década até agora. No duelo das freiras, a originalidade (e o baixo orçamento) levou a coroa.

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Perguntas Frequentes sobre Imaculada e A Primeira Profecia

Qual a diferença entre ‘Imaculada’ e ‘A Primeira Profecia’?

‘Imaculada’ é um filme original focado na performance de Sydney Sweeney, enquanto ‘A Primeira Profecia’ é um prelúdio (prequel) do clássico ‘A Profecia’ de 1976.

Onde assistir ‘Imaculada’ com Sydney Sweeney?

Preciso assistir ao filme de 1976 para entender ‘A Primeira Profecia’?

Não é obrigatório, pois o filme conta a origem dos eventos, mas a experiência é muito mais rica se você conhecer a história de Damien e o filme original de Richard Donner.

‘Imaculada’ é baseado em fatos reais?

Não. Embora use a estética de conventos reais na Itália, a história de ‘Imaculada’ é uma ficção total escrita por Andrew Lobel.

Qual dos dois filmes é mais assustador?

Depende do seu gosto: ‘A Primeira Profecia’ foca em sustos elaborados e atmosfera, enquanto ‘Imaculada’ aposta no horror corporal (body horror) e em um final extremamente perturbador e visceral.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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