‘Homem ao Mar’: remake do clássico de Kurt Russell ganha nova chance na Netflix

Analisamos se o remake de ‘Homem ao Mar’ (2018) com Anna Faris e Eugenio Derbez merece uma segunda chance na Netflix. Descubra por que a inversão de gêneros não foi suficiente para superar o charme do clássico cult de 1987 e o que esperar desta comédia romântica.

Existem remakes que nascem da ambição criativa e outros que nascem da pura oportunidade comercial. ‘Homem ao Mar’ (2018) — a versão estrelada por Anna Faris e Eugenio Derbez que acaba de desembarcar na Netflix — se encaixa confortavelmente na segunda categoria. Mas no ecossistema do streaming, onde o ‘conforto’ muitas vezes dita o que assistimos no domingo à tarde, o filme ganha uma sobrevida que os cinemas lhe negaram.

A inversão de gêneros: Correção política ou preguiça narrativa?

A inversão de gêneros: Correção política ou preguiça narrativa?

No original de 1987, ‘Overboard’ (título original) apoiava-se inteiramente no carisma magnético de Goldie Hawn e Kurt Russell. A premissa era problemática: um carpinteiro engana uma socialite amnésica para que ela cuide de sua casa e de seus filhos. No remake, a equação se inverte. Agora é Leonardo (Derbez), um bilionário mexicano mimado, que cai de seu iate e é ‘resgatado’ por Kate (Faris), uma mãe solo exausta que ele humilhou anteriormente.

Em teoria, a mudança resolve o dilema ético do filme original, transformando a vingança em uma espécie de ‘justiça social’ cômica. Na prática, a inversão expõe a fragilidade do roteiro. Enquanto o filme de 87 tinha uma aura de fábula screwball, a versão de 2018, dirigida por Rob Greenberg, parece um episódio estendido de uma sitcom de luxo. A direção é funcional, burocrática e evita qualquer risco visual que pudesse dar ao filme uma identidade própria.

Anna Faris: O talento desperdiçado em uma comédia burocrática

Se há um motivo para dar o play em ‘Homem ao Mar’ na Netflix, esse motivo é Anna Faris. Veterana da comédia física (como provou na franquia ‘Todo Mundo em Pânico’) e mestre do timing emocional (em ‘Mom’), Faris faz milagres com o que tem em mãos. Suas reações ao tentar convencer um bilionário de que ele é um humilde trabalhador da construção civil são os poucos momentos em que o filme realmente respira.

Eugenio Derbez, um ícone no México, traz seu carisma habitual, mas a química entre ele e Faris parece manufaturada em laboratório. Falta aquela faísca orgânica que Russell e Hawn — um casal na vida real — transbordavam. Aqui, vemos dois profissionais competentes executando uma coreografia correta, mas sem alma. Eva Longoria aparece em um papel coadjuvante tão subutilizado que chega a ser frustrante; ela funciona mais como um dispositivo de roteiro do que como uma personagem real.

Por que o original é cult e o remake é apenas ‘conteúdo’?

Por que o original é cult e o remake é apenas 'conteúdo'?

O ‘Homem ao Mar’ de Garry Marshall tinha uma ingenuidade que o protegia. Era um produto de seu tempo, focado na transformação genuína (ainda que por meios tortos) de uma mulher egoísta em alguém que descobre o valor da família. O remake de 2018 tenta ser mais ‘esperto’, adicionando camadas de justificativas morais que acabam pesando na narrativa. A comédia romântica funciona melhor quando não pede desculpas por sua premissa absurda.

A recepção nos cinemas em 2018 foi morna, com apenas 24% de aprovação crítica no Rotten Tomatoes. O público foi mais generoso (54%), o que explica por que a Netflix aposta no título agora. Ele é o ‘comfort food’ cinematográfico: não exige atenção plena, não desafia o espectador e entrega exatamente o que promete, nem um centímetro a mais.

Veredito: Vale o seu tempo na Netflix?

Se você busca uma comédia leve para assistir enquanto faz outra coisa, ‘Homem ao Mar’ cumpre a função. É inofensivo, bem-intencionado e conta com uma performance esforçada de Anna Faris. No entanto, se você busca a magia que torna uma comédia romântica memorável, o catálogo da Netflix oferece opções superiores, como ‘Amor com Data Marcada’ ou os clássicos de Nora Ephron.

No fim das contas, este remake serve principalmente como um lembrete de quão especial era a química de Goldie Hawn e Kurt Russell no original. Às vezes, a melhor coisa que uma nova versão faz é nos enviar de volta à fonte.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Homem ao Mar’ na Netflix

O remake de ‘Homem ao Mar’ é uma continuação do filme de 1987?

Não, o filme de 2018 é um remake total que reimagina a história original com uma inversão de gêneros, mas não possui conexão narrativa com o clássico estrelado por Kurt Russell e Goldie Hawn.

Quem está no elenco de ‘Homem ao Mar’ (2018)?

O filme é protagonizado por Anna Faris (Kate) e Eugenio Derbez (Leonardo). O elenco também conta com Eva Longoria, John Hannah e Swoosie Kurtz.

Qual é a classificação indicativa do filme?

No Brasil, ‘Homem ao Mar’ (2018) tem classificação indicativa de 12 anos, devido a temas leves de humor adulto e linguagem moderada.

Onde posso assistir ao filme original de 1987?

A disponibilidade do original varia, mas ele costuma aparecer em catálogos como o do MGM+ ou para aluguel em plataformas como Apple TV e Amazon Prime Video. A versão na Netflix é exclusivamente o remake de 2018.

Quanto tempo dura o filme ‘Homem ao Mar’ Netflix?

O longa tem uma duração de 1 hora e 52 minutos, seguindo o padrão das comédias românticas contemporâneas.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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