Aos 36 anos, Emma Stone supera Meryl Streep e torna-se a mulher mais jovem com 7 indicações ao Oscar. Analisamos como sua parceria com Yorgos Lanthimos em ‘Bugonia’ e seu papel como produtora redefinem o poder feminino em Hollywood.
Quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou as indicações ao Oscar 2026 na manhã de 22 de janeiro, a indústria parou para processar um dado histórico: sete. Com sua nomeação por ‘Bugonia’, o Emma Stone recorde Oscar deixou de ser uma possibilidade estatística para se tornar um marco geracional. Aos 36 anos, ela desbancou Meryl Streep como a mulher mais jovem a acumular sete indicações à estatueta dourada.
Para contextualizar o peso desse feito: Streep alcançou sua sétima indicação em 1988, aos 38 anos, por ‘Ironweed’. Stone não apenas superou a maior lenda viva da atuação, como o fez com dois anos de vantagem. No panteão histórico, apenas Walt Disney chegou a esse volume de indicações mais cedo (aos 34 anos). O que estamos testemunhando não é apenas uma fase produtiva, mas a construção de uma soberania artística que redefine o conceito de ‘A-list’ na década de 2020.
A Geometria do Sucesso: Por que Lanthimos é o catalisador de Stone
As sete indicações de Emma Stone desenham um arco de evolução técnica raramente visto. Se em ‘Birdman’ (2015) ela era a revelação com olhos expressivos que roubava cenas, em ‘Bugonia’ ela se consolida como uma arquiteta da performance. Esta é a quarta colaboração da atriz com o diretor grego Yorgos Lanthimos, e a terceira que a coloca diretamente na disputa pelo prêmio principal.
Diferente de parcerias históricas como Scorsese e De Niro, que focavam em uma masculinidade em crise, Stone e Lanthimos exploram a desconstrução da feminilidade. Em ‘Pobres Criaturas’, vimos o nascimento de uma psique; em ‘Bugonia’, Stone mergulha na paranoia. Ela utiliza uma técnica de atuação quase física — uma rigidez corporal que contrasta com a fluidez de Bella Baxter — para interpretar uma mulher convencida de que o mundo está sendo invadido por alienígenas. É essa disposição para o bizarro que a afasta do caminho seguro que muitas de suas contemporâneas escolheram.
O fator ‘Bugonia’: Atuação técnica sob o olhar da paranoia
Em uma das cenas mais comentadas de ‘Bugonia’, Stone sustenta um monólogo de quatro minutos em um plano-sequência fechado, onde a transição da calma absoluta para o terror histérico ocorre sem cortes de montagem. É um momento que exige um controle micro-expressivo que remete ao trabalho de grandes nomes do cinema europeu, distanciando-se do naturalismo americano convencional.
A fotografia de Robbie Ryan, colaborador habitual de Lanthimos, abandona as lentes olho-de-peixe de ‘Pobres Criaturas’ por uma paleta fria e enquadramentos claustrofóbicos. Stone entende essa mudança técnica e ajusta sua performance: ela se torna menor, mais contida, deixando que a tensão emane do silêncio. É uma aula de como a atuação deve dialogar com a cinematografia.
A Atriz-Produtora: O novo padrão de poder em Hollywood
O Emma Stone recorde Oscar possui uma camada que a diferencia de Meryl Streep ou Katharine Hepburn: o poder de produção. Stone foi indicada como atriz e produtora tanto em ‘Pobres Criaturas’ quanto em ‘Bugonia’. Ela é a única mulher na história a conseguir essa dupla nomeação em dois filmes diferentes.
Isso sinaliza que Stone não está apenas esperando por roteiros; ela está financiando e moldando as histórias que deseja contar através de sua produtora, a Fruit Tree. Ao assumir o controle dos meios de produção, ela garante que sua carreira não dependa da ‘benevolência’ de estúdios, mas de sua própria visão curatorial. É um modelo de negócio que a protege do etarismo que historicamente afetou atrizes ao chegarem perto dos 40 anos.
A Corrida de 2026: Stone é favorita ao terceiro Oscar?
Apesar do recorde histórico, o caminho para o terceiro Oscar de Melhor Atriz não é uma passarela. A disputa está polarizada com Jessie Buckley (‘Hamnet’), que entrega uma performance visceral em um drama de época tradicional — o tipo de papel que a Academia costuma adorar. Além disso, a vitória de Rose Byrne no Globo de Ouro por ‘If I Had Legs, I’d Kick You’ trouxe um fator de incerteza para a categoria.
O ‘fator cansaço’ também é real. Com dois Oscars recentes na estante, Stone pode sofrer com a resistência de votantes que preferem premiar nomes inéditos, como Renate Reinsve ou Kate Hudson. No entanto, a narrativa de ‘fazer história’ é poderosa em Hollywood. Premiar Stone por ‘Bugonia’ seria o reconhecimento final de que ela é a face definitiva do cinema autoral contemporâneo.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre o Recorde de Emma Stone
Qual o recorde que Emma Stone quebrou no Oscar 2026?
Emma Stone tornou-se a mulher mais jovem da história a receber 7 indicações ao Oscar, alcançando a marca aos 36 anos. O recorde anterior pertencia a Meryl Streep, que obteve sua sétima indicação aos 38 anos em 1988.
Quantos Oscars Emma Stone já ganhou?
Até o momento, Emma Stone possui dois Oscars de Melhor Atriz: um por ‘La La Land: Cantando Estações’ (2017) e outro por ‘Pobres Criaturas’ (2024).
Sobre o que fala o filme ‘Bugonia’?
‘Bugonia’ é uma ficção científica dirigida por Yorgos Lanthimos, onde dois jovens obcecados por teorias da conspiração sequestram a CEO de uma grande empresa, acreditando que ela é uma alienígena planejando a destruição da Terra.
Quais foram as 7 indicações de Emma Stone ao Oscar?
Suas indicações incluem: Melhor Atriz Coadjuvante por ‘Birdman’ e ‘A Favorita’; Melhor Atriz por ‘La La Land’, ‘Pobres Criaturas’ e ‘Bugonia’; e Melhor Filme (como produtora) por ‘Pobres Criaturas’ e ‘Bugonia’.

