‘Landman’: O final da 2ª temporada escancara o maior erro de Taylor Sheridan

O final da 2ª temporada de ‘Landman’ confirma o talento de Taylor Sheridan para clímax explosivos, mas escancara sua dificuldade em manter o ritmo no formato televisivo. Analisamos como a estrutura de ‘filme esticado’ prejudica a série e por que o criador precisa de mais foco e menos volume.

O desfecho da segunda temporada de ‘Landman’ é um paradoxo frustrante. Por um lado, temos um finale tecnicamente impecável: Tommy Norris (Billy Bob Thornton) finalmente assume as rédeas de sua própria petroleira, as subtramas convergem com uma violência seca e a tensão é palpável. Por outro, esse encerramento expõe a maior ferida aberta na obra de Taylor Sheridan: a incapacidade crônica de sustentar o interesse entre o piloto e o finale. Landman Taylor Sheridan não é apenas uma série sobre petróleo; é o estudo de caso definitivo de um cineasta de elite que ainda não aprendeu a ser um showrunner de televisão.

A ‘barriga’ narrativa como assinatura indesejada

A 'barriga' narrativa como assinatura indesejada

A estreia desta temporada prometia um épico industrial. A introdução da plataforma offshore e a presença desestabilizadora de TL (Jon Hamm) criaram um tabuleiro complexo. No entanto, o que se seguiu foi uma sequência de oito episódios onde a narrativa entrou em estase. O romance entre Cooper e Ariana, que deveria humanizar o ambiente bruto das torres, tornou-se um ruído de fundo repetitivo. Pior ainda foi o tratamento do vazamento de gás H2S — um elemento que, em um filme de 100 minutos de Sheridan, seria o motor da tensão, mas aqui foi esquecido por semanas.

Este padrão de ‘encher linguiça’ não é exclusividade de ‘Landman’. Vimos o mesmo em ‘1923’, onde a jornada de Spencer Dutton parecia durar uma eternidade sem avanços reais, e na quinta temporada de ‘Yellowstone’. Sheridan parece escrever o primeiro e o último episódio com paixão, delegando o preenchimento do meio a uma fórmula de diálogos expositivos e paisagens bonitas que não movem a agulha.

O conflito entre a economia do cinema e a extensão da TV

Para entender o erro de Sheridan, precisamos olhar para sua trilogia de roteiros no cinema: ‘Sicario’, ‘A Qualquer Custo’ e ‘Terra Selvagem’. Neles, cada cena é uma engrenagem. Não há gordura. Em ‘A Qualquer Custo’, a perseguição é psicológica e física, comprimida em um tempo que gera urgência. Na televisão, Sheridan tenta aplicar a mesma estética contemplativa, mas sem a estrutura de suporte necessária para dez horas de conteúdo.

A fotografia de ‘Landman’, embora mantenha o alto padrão de luz natural e tons terrosos que associamos ao diretor, começa a parecer vazia quando não há conflito real em cena. É o visual de um blockbuster de cinema aplicado a um roteiro que, em muitos momentos, tem a profundidade de uma novela das nove. Ele escreve como se tivesse duas horas, mas é obrigado a entregar dez.

O ‘Sheridanverso’ e a diluição do talento

O 'Sheridanverso' e a diluição do talento

O volume de produção de Taylor Sheridan para a Paramount+ é sobre-humano. Com múltiplos spinoffs de ‘Yellowstone’, ‘Lioness’, ‘Tulsa King’ e agora ‘Landman’, a qualidade individual inevitavelmente sofre. O finale da 2ª temporada prova que o brilho autoral ainda está lá — a cena final de Tommy Norris observando o horizonte é puro Sheridan clássico — mas o caminho até ali foi pavimentado com concessões criativas.

O ‘Landman’ que vemos no finale é a série que deveríamos ter tido o ano todo: crua, focada na logística perversa do petróleo e nas escolhas morais impossíveis. Quando Sheridan se foca no processo técnico da indústria, ele é imbatível. Quando tenta criar drama familiar para preencher minutos, ele se torna genérico.

Veredito: Menos é mais para o futuro

Se ‘Landman’ retornar para uma terceira temporada, o desafio não será a escala, mas a edição. Sheridan precisa de uma sala de roteiristas que ouse cortar seus excessos ou, preferencialmente, retornar ao formato de minissérie fechada. O erro exposto neste final de temporada é acreditar que o público aceitará oito horas de mediocridade em troca de uma hora de excelência. No streaming de 2026, a paciência é um recurso tão escasso quanto o petróleo em poço seco.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Landman’ e Taylor Sheridan

Onde assistir à 2ª temporada de ‘Landman’?

‘Landman’ é uma produção original da Paramount+ e está disponível exclusivamente na plataforma de streaming.

‘Landman’ terá uma 3ª temporada?

Embora a Paramount ainda não tenha confirmado oficialmente, o sucesso de audiência e o final em aberto da 2ª temporada indicam que a renovação é iminente.

A série ‘Landman’ é baseada em uma história real?

A série é inspirada no podcast ‘Boomtown’, que relata a realidade do boom do petróleo no Texas, mas os personagens como Tommy Norris são fictícios.

Qual é a principal crítica ao trabalho de Taylor Sheridan na TV?

A crítica mais comum, reforçada em ‘Landman’, é a ‘barriga narrativa’: episódios intermediários com pouco desenvolvimento de trama, focando mais em atmosfera do que em progressão real.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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